01 de agosto de 2017

 

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Humano, humanidade, ser humano, descobrir o que há de humano em cada homem. Nada de robôs, de repetição de mesmices sem pensar, de ideologias da moda, de chavões gastos. Nada de fantoches, de fantasmas, nada de viver e vegetar. Precisamos de pessoas livres que visitem seu interior, que queiram ser seres de pé, feitos de atenção, cortesia, respeito, permeabilidade para com o outro, abertos para o bem, o belo e a verdade, seres humanos abertos à Transcendência. Gente que seja gente.

Poderíamos transcrever páginas e páginas em que Robson Santarém insiste na ideia de salvar o ser humano e clama pela necessidade de “humanidade”. O mundo em que vivemos, na verdade, nos dá medo: insegurança política, violência de toda sorte, gente morrendo de fome, muitos morrendo no mar, balas perdidas, bebês que já são atingidos pela violência ainda no ventre de suas mães. Um mundo desumano e cruel.

Dois ou três pensamentos: “Com um sistema de ensino mais preocupado com os resultados imediatos e em atender as demandas do mercado, perde-se a possibilidade de formar integralmente a pessoa. O ser humano é visto apenas como objeto de produção e força de trabalho e tem sua integridade e dignidade violentada. Ignora-se sua identidade espiritual e a vocação de ser gente, isto é, de ser plenamente humano. Uma sociedade baseada na competição torna-se uma sociedade desumana, excludente, visto que em seus fundamentos está a negação do outro, o fechamento para a possibilidade de partilha, de solidariedade e de ascensão de todas as pessoas” (p.31). “Tudo é cada vez mais efêmero e deste modo não se tem tempo para cultivar relacionamentos saudáveis e investir em afeto e valores para a convivência durável. Como os resultados devem ser imediatos, as relações tornam-se interesseiras e passageiras, quando não mais satisfazem é só descartar e as pessoas vão se tornando vazias” (p. 32).

E ainda: “Se pretendemos transformar a sociedade e as organizações em vista de um modelo onde prevaleçam relações justas, fraternas e a integração entre todos, incluindo o meio ambiente, para alcançar o bem comum, é preciso tomarmos consciência de que o único agente capaz de realizar esta transformação não é a tecnologia e tampouco novos métodos de gestão, porém um ser humano que seja verdadeiramente humano” ( p. 118).

Ser humano… Citamos ainda outra publicação da Editora Vozes! Recentemente texto de Rafael Luciani, Retornar a Jesus de Nazaré. Conhecer Deus e o ser humano através da vida de Jesus. Com rara habilidade o autor mostra um Jesus humano, salvando o humano, preocupando-se com o humano. José Antonio Pagola prefacia a obra e escreve: “O Reino de Deus não é uma construção religiosa. Não é uma espécie de nova religião. Não se constrói sobre a base de princípios doutrinais nem práticas religiosas. Ninguém entra na dinâmica do Reino através de uma conduta ajustada e algumas normas ou preceitos. Tampouco através de uma vivência interior de ordem espiritual sem conexão com a história humana. Entra-se na lógica do Reino de Deus quando se aprende a viver ao serviço de vida mais humana e fraterna” (p. 13). Destacamos: estar a serviço de uma vida mais humana e fraterna.

Terminemos ainda com Robson Santarém: “Penso ser urgentemente necessário que em todos os espaços de educação os temas da ética, afeto, respeito aos outros, tolerância, humildade, alegria, entusiasmo e gosto pela vida e seus desafios, a cidadania e a solidariedade sejam transmitidos não apenas como conteúdos, mas como experiências vivificantes, aquelas que permitem ao ser humano conhecer mais de si mesmo, superar as contradições, compreender melhor a si e aos outros, conectar-se consigo e com todos e tornar agente de transformação social” (p. 151).

Estamos realmente precisando de seres verdadeiramente humanos!!!

Frei Almir Ribeiro Guimarães
http://www.franciscanos.org.br/?p=138239

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