30 de julho de 2017

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O profeta Oséias exerceu sua atividade no reino do Norte, desde o final do reinado de Jeroboão II até a queda de Samaria (750-722 a.C.). Toda a pregação de Oséias está impregnada por uma experiência pessoal tão profunda, que se tornou para ele um símbolo (Os 1 e 3). Ele amava de todo coração a sua esposa, mas ela o deixou para se entregar a outros amantes. Esse amor não correspondido ultrapassou o nível de frustração pessoal para ser uma enorme força de anúncio: o profeta apresenta a relação entre o Deus, sempre fiel e cheio de amor, e seu povo, que o abandonou e preferiu correr ao encontro dos ídolos. Oséias torna-se, então, denunciador de todo tipo de idolatria, que ele chama de prostituição. Essa comparação será daí para frente uma constante nos escritos bíblicos. Tais «prostituições», segundo Oséias, não consistem somente em adorar imagens de ídolos, mas inclusive em fazer alianças políticas com potências estrangeiras que provocam dependência, exploração econômica e opressão (7,8-12; 8,9-10). «Prostituições» são também os golpes de Estado que preservam interesses de uma pequena minoria (7,3-7), a confiança no poder militar e nas riquezas (8,14; 12,9) e todo tipo de injustiças (4,1-2; 6,8-9; 10,12-13). Oséias, porém, não é só um acusador, mas também anuncia o amor fiel e misericordioso de Deus para com seu povo, se este se converte e volta a conhecê-lo. Para o profeta, o conhecimento de Deus não é uma atitude intelectual, mas uma adesão amorosa, através de uma prática que corresponda ao projeto de Deus, elaborado no deserto por ocasião do êxodo. Então sim: Javé receberá novamente seu povo como esposa, dispensando-lhe todo o carinho (2,4-25); ou tratando-o como filho (Os 11).

 

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