27 de julho de 2017

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O profeta Ezequiel exerce sua atividade entre os anos 593 a 571 a.C. Sacerdote exilado em Babilônia com uma parte do seu povo, ele anuncia aí as sentenças de Deus. A comunidade, em meio à qual ele vive, acredita que em breve tudo voltará a ser como antes. Assim para ela o projeto de Deus era mero sistema que lhe dava segurança. Ezequiel, no entanto, sabe que o sistema passado está agonizando de maneira irrecuperável: Jerusalém será destruída! Segundo ele, a sociedade que ainda resiste sofre de doença crônica e sem cura: abandonando o projeto de Javé, submeteu-se diante daqueles que lhe ofereciam vida luxuosa e fascinante. Por isso, Ezequiel vê o próprio Deus deixando o Templo (11,22-24) e largando os rebeldes ao bel-prazer dos «amantes».

Isso é causa de sofrimento para o profeta, mas não de desânimo e desespero. Para ele, o futuro é de ressurreição (Ez 36-37) e novidade radical. Com sua linguagem simbólica, Ezequiel indica os passos para a construção do mundo novo:

– Assumir a responsabilidade pelo fracasso histórico de um sistema que se corrompeu completamente, provocando a ruína de toda a nação.

– Compreender que a simples reforma de um sistema corrompido não gera nenhuma sociedade nova; apenas reanima o velho sistema que, cedo ou tarde, acabará sempre nos mesmos vícios.

– Converter-se a Javé, assumindo o seu projeto; e, a partir daí, construir uma sociedade justa e fraterna, voltada para a liberdade e a vida.

Com esse «programa profético», vislumbramos um futuro novo: Deus volta para o meio de seu povo (Ez 43,1-7), provocando o surgimento de uma sociedade radicalmente nova. Aí todos poderão participar igualmente dos bens e decisões que constroem a relação social a partir da justiça. Desse modo, todos poderão reconhecer que «a partir desse dia, o nome da cidade será: Javé está aí» (48,35).

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