26 de julho de 2017

 

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Recentemente, tenho visto algumas publicações um tanto desconfortáveis nas redes sociais. Publicações que parecem discurso de ódio. Mais desconfortáveis ainda por se tratar de gente da Igreja contra pessoas dela. Um Reino que se divide. Uma disputa.

Alguns católicos se referem a pessoas da linha mais progressista da Igreja como “católicos comunistas”. Chamam-nos de hereges e satânicos por defender uma Igreja comprometida com os oprimidos.

Em contrapartida, os chamados progressistas, chamam seus opositores de alienados, conservadores, entre outras alcunhas depreciativas. O que dizer disso?

Aos que se opõem aos ditos progressistas cabe lembrar que há documentos da Igreja, que muitos desejam ignorar, nos quais, a opção preferencial pelos pobres é diretriz. O que isso significa? Que quem não a vive está fora da comunhão com a Igreja. Entre outros documentos lembro as Conclusões de Puebla, de Medellín, de Santo Domingo. Há mais textos mas atenho-me a estes.

Aos que se defendem por ser progressistas, acusando os que se lhes opõem, ainda não há um documento pontifício que proíba um católico de ter uma identidade mais conservadora, desde que esta não se motive no clericalismo, ou sentimentos totalitários. O que não se pode é estar na “contra mão” do caminhar da Igreja.

Fazer oposição aos progressistas ou aos conservadores é fazer campanha contra a Igreja. Esta é composta de pastorais e movimentos libertadores, sociais e também, de perfis que primam pela espiritualidade e mística. Há um pouco de Oscar Romero em todos nós, assim como, deve haver um pouco de São João da Cruz e Santa Teresa D’Ávila.

Devemos buscar um equilíbrio entre as várias formas de ser Igreja. Assim como, manter a fraternidade. Se não me identifico com a RCC não significa que devo fazer deste movimento um anátema. Se penso que nas CEBs, na CPT não me cabe, não significa que sua espiritualidade é satânica, pela Teologia que a motiva.

Podemos aqui lembrar de um grande pensador. Aristóteles dizia que a virtude está no meio. Equilíbrio. Sempre.

Cabe ainda acrescentar que os verdadeiros inimigos da Igreja não são os que convivem nela em discordância teológica ou mesmo pastoral. Os inimigos da Igreja são os que atentam contra a vida pois disse-nos Jesus que Ele veio para que todos a tenham em abundância. Digamos não aos conflitos dentro da Casa do Pai, pois nela há muitas moradas. Optemos pela vida. O Reino de Deus não está contido neste ou naquele movimento religioso e sim na Boa Nova, no Evangelho. Nele, todos caminhamos para a Casa do Pai. Progressistas, conservadores, renovados, todos enfim.

H. Fernandes

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