Catequese – A Unção dos Enfermos

14 de julho de 2017

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É por meio dos Sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia) que o homem recebe a vida nova em Cristo. Esta vida nova e gloriosa, porém, mesmo nós, os batizados, trazemos oculta dentro de nós, como “um Tesouro em vaso de argila” (2Cor 4,7). Agora, esta vida está “escondida com Cristo em Deus”: estamos ainda em “nossa morada terrestre” (2Cor 5,1), sujeitos ao sofrimento, à doença e à morte. – E à concupiscência e as tentações. – Assim, a vida nova de filho de Deus pode se debilitar e até ser perdida pela ação contínua do pecado.

O Senhor Jesus Cristo, Médico Supremo da alma e do corpo, que remiu os pecados do paralítico e restituiu-lhe a saúde física (Jo 5,1-18), quis que a sua Igreja continuasse, na força do Espírito Santo, sua obra de cura e de salvação também nos seus próprios membros. É esta a finalidade dos dois Sacramentos de cura: Reconciliação e Unção dos Enfermos ou Extrema-Unção.

A Unção dos Enfermos é também um Sacramento de Reconciliação: mediante a oração e a unção com o óleo santo, feita pelo sacerdote, concede ao doente a Graça e o alívio espiritual, e muitas vezes também o conforto corporal. A Unção dos Enfermos concede a saúde da alma e, em muitos casos, também do corpo.

O óleo utilizado neste Sacramento é um dos óleos que o Bispo abençoa na Quinta-feira Santa. O corpo da pessoa ungida pelo Batismo é santo, pois por meio deste corpo ela comungou com Nosso Senhor Jesus Cristo. O Sacramento da Unção faz com os Enfermos tenham forças para testemunhar Jesus Cristo em meio ao sofrimento que passam, unindo-se à Obra redentora do Filho de Deus.

Quem pode receber a Unção? Os fiéis que se encontram em perigo de morte, por doença ou velhice. O mesmo fiel pode recebê-la outras vezes, se houver um agravamento da doença. A celebração desse Sacramento deve ser, preferivelmente, precedida da confissão individual do doente (CIC §1514-1515/1528-1525).

Para receber a Unção dos Enfermos é preciso, se possível, confessar os pecados ao padre, e recebê-la com fé, esperança e com a aceitação da Vontade de Deus.

Os sinais sensíveis da Unção são a oração e a unção que produzem a Graça, e são ministrados pelo sacerdote. A matéria usada na unção é o azeite de oliveira ou outro óleo de extração vegetal, que é abençoado na Quinta-feira Santa (Constituição Apostólica Sacram Unctionem Infirmorum, 30/11/1972).

O sacerdote unge a pessoa na fronte e nas mãos, com o óleo devidamente benzido, dizendo uma só vez: “Por esta santa Unção e pela sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a Graça do Espírito Santo; para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade alivie os teus sofrimentos. Amém. (Sacramentário – CNBB. Petrópolis: Vozes, 2ª ed. Pp. 157)”

“Com a sagrada Unção dos Enfermos e a oração dos presbíteros, toda a Igreja recomenda os doentes ao Senhor Sofredor e Glorificado, para que Ele os alivie e salve, e exorta-os a unirem-se livremente à Paixão e Morte de Cristo, e a contribuírem assim para o bem do Povo de Deus” (CIC §1499).

A doença faz parte da vida, mas é sempre uma experiência dolorosa: ela enfraquece, baixa o moral e revela a impotência humana, nossos limites e a fragilidade das nossas vidas. Em certo sentido, toda doença nos coloca diante da realidade da morte. E há muitos modos de enfrentar a doença: pode-se vivê-la com amargura, com revolta e espírito derrotista, ou pode-se vivê-la com amadurecimento, fé e oração. Para um fiel católico, a doença pode ser um meio de participar da Paixão do Senhor, em benefício de toda a humanidade.

Assim age o Sacramento: o óleo é símbolo da Graça do Espírito Santo, Espírito de força e consolação (Ele é o Paráclito Consolador). É o Espírito do Cristo Ressuscitado, e dá ao enfermo força para fazer de sua doença um modo de participar da Paixão do Senhor. A Unção dos Enfermos nos une à Páscoa do Senhor, como insiste São Paulo:

“Eu me rejubilo nos meus sofrimentos por vós, e completo na minha carne o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24).

“Cristo será engrandecido no meu corpo, pela vida ou pela morte. Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1, 20s).

“Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 19-20).

Desse modo, a doença é vivida com um sentido positivo, pascal, salvífico: o privilégio de participar da Cruz do Senhor, para com Ele chegar à Glória da Ressurreição. Triste na vida não é sofrer, mas sofrer sem ver sentido no sofrimento. O Sacramento da Unção dá um sentido cristológico, um sentido santo à doença. A debilidade humana é transfigurada em Cristo, assume aspecto de força na fraqueza e dá ao enfermo a serenidade de saber que seu calvário terminará na Ressurreição!

Jesus não somente curou os enfermos, como sinal da chegada do Reino de Deus, como também ordenou que seus discípulos fizessem o mesmo (Mc 6, 7ss; 16, 17s; Mt 10, 8). A Tradição da Igreja, desde os primeiros tempos, reconheceu neste gesto um dos sete Sacramentos. No entanto, o Senhor é soberano para conceder ou não a cura. Às vezes, nem a oração mais insistente a obtém. São Paulo, depois de muito pedir, recebeu do Senhor a resposta de que bastava ao Apóstolo Sua Graça, pois na fraqueza aperfeiçoa-se a Força de Deus (2Cor 12,9). Ninguém pode “forçar” Deus a realizar um milagre de cura. Deus é soberano e sabe o que é melhor para nós! Tristes daqueles cuja fé depende de milagres de cura. Muito cuidado, porém, com aqueles que prometem a cura “em nome de Jesus”, até com hora marcada…

A Igreja busca cumprir a ordem de curar os doentes dada por Cristo, cuidando dos enfermos e intercedendo por eles na oração, com fé na Presença vivificante de Cristo, Médico do corpo e da alma. Ele está presente sobretudo nos Sacramentos e, de modo especial, na Eucaristia. A Igreja, desde os tempos dos Apóstolos, conhecia o rito próprio em favor dos enfermos:

“Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem por ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o levantará; se tiver cometido pecados, estes serão perdoados” (Tg 5, 14-15).

Quando tivermos alguém da família com uma doença muito grave, devemos rezar para que ela queira chamar o sacerdote, para que faça uma boa Confissão e receba a Extrema-Unção ou Unção dos Enfermos. Não devemos ter medo de ver um padre entrar na casa de um doente, ao contrário: ele não traz a morte, como muitos ignorantes pensam, mas sim a vida, – e a vida eterna!, – que é a Presença de Jesus na alma do doente. Com a Graça de Deus no coração, o doente muitas vezes recupera as forças físicas, mas se não for o caso recupera o mais importante: as forças da alma; passa a rezar e a se preparar para ir para o Céu. É verdade que a morte é muito triste, mas também é verdade que é pela morte que vamos para o Céu, para a felicidade que nunca se acaba e para ver a Deus na Plenitude. Graças a Deus!


Fontes e bibliografia:
• FABER, Eva-Maria. Doutrina Católica dos Sacramentos. São Paulo: Loyola, 2008, pp. 202-207.
• KEELER, Helen & GRIMBLY, Susan. 101 Coisas que Todos Deveriam Saber Sobre Catolicismo. São Paulo: Pensamento, 2007, pp. 118-121.

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