13 de julho de 2017

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Por Marcelo Barros

O que o Brasil viveu ontem com a notícia da condenação de Lula à prisão e à perda de seus direitos políticos deveria entristecer todos os brasileiros.

Independentemente de quem gosta do Lula e de quem não gosta, todos deveriam zelar pela democracia e na hora em um juiz, comprovadamente partidário e a serviço do império e de seus interesses – condena um cidadão por indícios e convicções pessoais e não por provas jurídicas, é todo o país que perde. Imaginemos por um momento que Lula, depois que saiu da presidência, tenha cometido o erro de aceitar favores de empresas e não deveria ter caído nisso. A justiça teria de provar que isso não apenas foi um erro ético ou político e sim um crime no ponto de vista jurídico.

Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que, com esse tipo de medida mesquinha e autoritária, os algozes promoveram ainda mais a vítima que odeiam tanto não apenas a mártir, mas a candidato inabalável do povo que vê no dia anterior o senador surpreendido por gravação onde ele fala até em “acabar com alguém” votando tranquilamente no senado e o presidente ilegítimo e criminoso defendido pelos mesmos acusadores de Lula.

Parece que, com esse julgamento, voltamos ao Oeste norteamericano do filme de John Ford: “O homem que matou o facínora” de 1962 . Ali o senador Stoddart revela ao jornalista que quem matou não foi a pessoa que todo mundo pensa que foi, mas de fato, foi outro que ninguém imaginava. E depois pergunta: Você vai publicar a verdade? O jornalista responde: “Nesse país, se a lenda for mais interessante e útil do que o fato ocorrido, deve-se publicar a lenda”.

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