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Catequese – Sacramento da Ordem 3 : Ordenação Episcopal ou Sagração?

13 de julho de 2017

evaristo

Dando continuidade aos textos catequéticos sobre o Sacramento da Ordem, é chegada a hora de falarmos sobre a ordem do Episcopado. Para este feito, fazemos uso do trabalho competente de Frei Alberto Beckhäuser que incansavelmente nos instruiu nos caminhos da liturgia. Cabe aqui também nosso agradecimento e louvor a Deus pela vida deste frade. Nossa póstuma homenagem a ele  é oportuna.

H. Abreu Fernandes

 

Reflexão de  Frei Alberto Beckhäuser, OFM

Esta nota vem a propósito da eleição de confrades para o Episcopado e consequente celebração do sacramento da Ordem, a Ordenação. Ordenação é a celebração da Igreja que introduz alguém no Grupo (Ordo) daqueles que são revestidos do Espírito Santo para o serviço messiânico de Cristo à humanidade.

Nesta questão, a Sagrada Liturgia reformada pelo Vaticano II exige uma atualização de linguagem.

1. Em relação às Ordenações: – O novo Ritual das Ordenações, que pertence ao Pontifical, não usa mais o termo “sagração” episcopal ou “consagração” episcopal. Tanto para o episcopado, como para o presbiterado e o diaconado é usado o termo “ordenação”, ligado ao sacramento da Ordem. O Bispo é Ordenante e não Sagrante, Ordenante principal.

Isso tem sua razão de ser. Até o Vaticano II, que se distinguiu como o Concílio do Episcopado ensinando claramente a sacramentalidade do Bispo, a sacramentalidade específica do Bispo ainda era questão discutida em Teologia. Além disso, o uso do termo sagração ou consagração para o Bispo tem a ver com a coroação e “consagração” dos reis e imperadores. Ao serem coroados, eles eram ungidos. Assim também o Bispo era eleito e ungido príncipe da Igreja. O rito da unção na ordenação do Bispo é de origem tardia.

Ao Bispo é conferido o Espírito principal (o Espírito Soberano) que lhe confere a plenitude do sacerdócio. Ficando bem definido o caráter sacramental do Bispo, o novo Ritual de Ordenação, mudou a terminologia, sendo a mesma para os três graus do Sacramento da Ordem. Por isso também o novo Ritual de Ordenações apresenta primeiro a Ordenação de um Bispo. Em seguida, do Presbítero e, por fim, a de Diácono. Esta terminologia reflete-se também na oração de ação de graças, que se segue à imposição das mãos, que não mais se chama “Oração consecratória”, mas Prece de Ordenação.

Aproveitando a dica, mais algumas considerações sobre consagração.

2. Os Santos Óleos na Missa do Crisma da Quinta-feira Santa: Apenas o Óleo do Crisma é consagrado. O Crisma é o óleo; a Crisma, o Sacramento. O Óleo dos Catecúmenos e o Óleo dos Enfermos são apenas abençoados.

3. Consagração das crianças a Nossa Senhora por ocasião do Batismo: – Também aqui se pede uma mudança na terminologia. A consagração é feita somente a Deus.

O novo Ritual do Batismo de Crianças não traz mais o Rito de Consagração da Criança a Nossa Senhora. Respeitando, porém, a cultura religiosa do povo com suas devoções, sugere-se no fim da Celebração: “Onde for costume, no final da celebração, pode realizar-se um ato de devoção a Maria, confiando à sua proteção a vida e a fé das crianças”.

Esta nova linguagem agora é apoiada pelo Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia: Princípios e Orientações, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. No item sobre “A veneração da Santa Mãe do Senhor, se diz: “Nota-se que o termo ‘consagração’ é usado com certa amplidão e impropriedade: Por exemplo, diz-se ‘consagrar as crianças a Nossa Senhora’, quando na realidade se entende apenas colocar os pequenos sob a proteção da Virgem e pedir para eles a sua materna bênção’. Compreende-se também a sugestão de utilizar no lugar de ‘consagração’ outros termos, tais como ‘entrega’, ‘doação’. De fato, em nosso tempo, os progressos realizados pela teologia litúrgica e a conseqüente exigência de um uso rigoroso dos termos, sugerem que se reserve o termo consagração à oferta de si mesmo que tem como meta Deus, como características a totalidade e a perpetuidade, como garantia a intervenção da Igreja, como fundamento os sacramentos do batismo e da confirmação” (cf. n. 204). O Diretório reconhece que é preciso instruir os fiéis quanto à natureza de tal prática (cf. ibidem).

4. Dedicação de uma igreja: – Também aqui não se fala mais de consagração de igreja ou de altar, mas de dedicação. Igrejas e altares são dedicados sempre a Deus e não aos Santos. Neste caso, fala-se de Titular da Igreja e do altar e não de Padroeiro. A igreja é colocada sob a proteção de um Santo, mas não dedicada a um santo. Neste caso dedicação e consagração são quase sinônimos, pelo fato de haver uma unção com o Santo Crisma.

OBS. Na foto na parte alta do texto, Frei Evaristo Spengler, que vai ser ordenado bispo no dia 6 de agosto, 9 horas, em Gaspar. Ele está usando um solidéu (*), que ganhou do bispo Dom Rafael Biernaski durante a celebração da Missa Solene na Festa de São Pedro Apóstolo.

* SOLIDÉU: Pequeno chapéu, em forma de calota, usada por bispos. Este nome provém da expressão “Soli Deo”, ou seja, é tirado da cabeça somente diante de Deus. Na cor roxa para bispos; vermelha para os cardeais; branca, só pelo papa.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?p=112487

 

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