O que vem a ser um Círculo Bíblico? (Por Frei Carlos Mesters)

30 de junho de 2017

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frei Carlos Mesters, carmelita

Muita gente pergunta: “O que vem ser um círculo bíblico?” Círculo Bíblico não é uma coisa nova. A prática do Círculo Bíblico vem desde o Concílio Vaticano II dos anos sessenta do século passado. O Concílio insistiu muito para que os cristãos retomassem a Bíblia em mãos e começassem a fazer dela seu livro de cabeceira. Assim, desde aquela época do Concílio, os círculos bíblicos cresceram e aumentaram. Só Deus é quem sabe quantos são os Círculos Bíblicos no Brasil. São milhares e milhares! É bom que a Ordem Terceira acompanhe este movimento de renovação. Na realidade, quase todas as famílias já possuem uma Bíblia em casa. A semente já está no chão. Só falta o sol e a chuva da reza e da reunião.
Círculo bíblico não é uma coisa nova. O primeiro encontro em torno da Palavra de Deus vem do próprio Jesus, quando andava com os dois discípulos na estrada de Emaús. Antes disso, ele mesmo, durante os trinta anos que viveu em Nazaré, todo sábado, participava da reunião da comunidade na sinagoga, onde se faziam três coisas, que até hoje fazemos nos círculos bíblicos:
Primeiro, eles rezavam e cantavam juntos. Segundo, eles liam e meditavam um trecho da Bíblia. Terceiro, eles procuravam ver como podiam ajudar-se mutuamente para colocar em prática a Palavra e, assim, resolver os problemas da vida. Um grande Rabino daquela época, chamado Aquiba, dizia o seguinte sobre estes encontros semanais na sinagoga: “O mundo repousa sobre três colunas: a Lei, o Culto, o amor”. A Lei era a Palavra de Deus. O Culto era a reza, a celebração. O Amor era a ajuda mútua para resolver juntos os problemas da vida. Foi o que Jesus fez durante todos os anos da sua vida. No fim, já depois da ressurreição, ele o fez pela última vez com os discípulos na estrada de Emaús (Lc 24,13-35).
No caminho de Emaús, a primeira coisa que Jesus fez foi aproximar-se dos dois discípulos, caminhar com eles, escutar e sentir de perto o problema deles. Eles ainda não se davam conta que aquela pessoa era Jesus (Lc 24,13-16). Jesus fazia perguntas. Queria saber porque estavam tristes. Mas eles não queriam muita conversa. Jesus insistiu em perguntar (Lc 24,17-18). Eles estavam tristes porque o governo e os anciãos tinham matado Jesus: “Nós esperávamos que ele fosse o libertador, mas já faz três dias que isto aconteceu” (Lc 24,19-21). Estavam desanimados. Nem foram capazes de crer no testemunho das mulheres que já tinham visto Jesus ressuscitado (Lc 24,22-24).
Aí Jesus começou a usar a Bíblia para iluminar aqueles problemas com a luz da Palavra de Deus. Ele disse: “Como você demoram em crer tudo que os profetas falaram! Então, vocês não sabiam que o Messias devia passar por tudo isto para poder entrar na sua gloria?” (Lc 24,25-27). Enquanto assim conversavam, eles iam andando, chegando mais perto de Emaús. Foi uma conversa boa. Os dois gostaram. O coração ardia dentro deles enquanto Jesus explicava a Bíblia (Lc 24,32). Mesmo assim, eles ainda não perceberam que aquela pessoa era Jesus. A Bíblia, ela sozinha, não chegou a abrir os olhos. Então o que é preciso fazer para que a Palavra de Deus possa abrir os olhos e nos faça perceber Jesus presente no meio de nós?
Quando eles chegaram em Emaús, Jesus fez de conta que queria ir mais adiante. Mas os dois disseram: “Fique com a gente. Já é tarde. Passe a noite aqui e amanhã o senhor segue sua viagem” (Lc 24,29). Jesus aceitou o convite e entrou com eles. Sentaram à mesa, rezaram juntos e partilharam o pão. Neste exato momento os olhos se abriram e eles perceberam que era Jesus. E aí, Jesus desapareceu. (Lc 24,28-31). Aquilo que abriu os olhos e os fez perceber a presença de Deus, foi o gesto comunitário de convidar para entrar, sentar juntos à mesa, rezar juntos, partilhar o pão. Foi na partilha do pão que eles reconheceram Jesus (Lc 24,35).
Três coisas aconteceram neste primeiro círculo bíblico. Primeiro: a preocupação de Jesus com a vida dos dois discípulos. Segundo: meditar a Bíblia para clarear o problema dos discípulos com a luz da Palavra de Deus. Terceiro: o encontro comunitário de sentar juntos à mesa, rezar juntos e partilhar o pão. Até hoje, estas três coisas juntas, acontecem nos nossos círculos bíblicos, abrem nossos olhos e nos ajudam a perceber Jesus caminhando conosco. Até hoje, quando nos reunimos nas nossas casas em torno da palavra de Deus, caminhamos com Jesus na estrada de Emaús e o coração da gente começa a arder, os olhos vão se abrindo e, aos poucos, vamos percebendo Jesus presente no meio de nós.
Numa destas reuniões dos círculos bíblicos, alguém perguntou: “Para onde é que foi Jesus depois que desapareceu diante dos dois discípulos?” Um outro respondeu: “Eu sei. Ele foi para dentro deles!” Resposta boa e muito bonita. Na realidade, eles mesmos ressuscitaram, porque naquela hora, de repente, tudo mudou. Eles estavam tristes, e ficaram alegres. Tinham perdido a esperança, e ficaram animados. Estavam com medo, e ficaram cheios de coragem. Tinham separado dos outros, e voltaram a reunir-se com eles em Jerusalém. Tinham perdido a fé em Deus e no testemunho das mulheres, e renasceu em neles a convicção de fé. Pareciam mortos, cadáveres ambulantes, e estavam vivos mais do que nunca. Eles mesmos ressuscitaram! Imediatamente levantaram e voltaram para Jerusalém para contar para os outros o que tinha acontecido com eles e como tinham reconhecido Jesus no partir do pão. A ressurreição que tinha acontecido em Jesus, estava acontecendo com eles e acontece conosco quando nos reunimos em torno da Palavra de Deus.

Temas do Mês da Bíblia de 1971 a 2019

01) 1971 Bíblia, Jesus Cristo está aqui
02) 1972 Deus acredita em você
03) 1973 Deus continua acreditando em você
04) 1974 Bíblia, muito mais nova do que você pensa
05) 1975 Bíblia, palavra nossa de cada dia
06) 1976 Bíblia, Deus caminhando com a gente
07) 1977 Com a Bíblia em nosso lar, nossa vida vai mudar
08) 1978 Como encontrar justiça e paz? O livro de Amós
09) 1979 Bíblia, o livro da criação – Gn 1-11
10) 1980 Buscamos uma nova terra – História de José do Egito
11) 1981 Que todos tenham vida! – Carta aberta de Tiago
12) 1982 Que sabedoria é esta? – As Parábolas
13) 1983 Esperança de um povo que luta – O apocalipse de São João
14) 1984 O caminho pela Palavra – Os atos dos Apóstolos
15) 1985 Rute, uma história da Bíblia – Livro de Rute
16) 1986 Bíblia, livro da Aliança – Êxodo 19-24
17) 1987 Homem de Deus, homem do povo – profeta Elias
18) 1988 Salmos, a oração do povo que luta – O livro dos Salmos
19) 1989 Jesus: palavra e pão – Evangelho de João, cap 6
20) 1990 Mulheres celebrando a libertação
21) 1991 Paulo, trabalhador e evangelizador – Vida e viagens de Paulo
22) 1992 Jeremias, profeta desde jovem – Livro de Jeremias
23) 1993 A força do povo peregrino sem lar, sem terra – 1ª Carta de Pedro
24) 1994 Cântico: uma poesia de amor – Cântico dos Cânticos
25) 1995 Com Jesus na contramão – o Evangelho de Marcos
26) 1996 Jó, o povo sofredor – Livro de Jó
27) 1997 Curso Bíblico Popular – Evangelho de Marcos
28) 1998 Curso Bíblico Popular – Evangelho de Lucas
29) 1999 Curso Bíblico Popular – Evangelho de Mateus
30) 2000 Curso Bíblico Evangelho segundo João: luz para as Comunidades
31) 2001 Curso Bíblico Atos dos Apóstolos, capítulos de 1 a 15
32) 2002 Curso Bíblico Atos dos Apóstolos, capítulos 16 a 28
33) 2003 Curso Bíblico Popular – Cartas de Pedro
34) 2004 Curso Bíblico Popular – Oséias e Mateus
35) 2005 Curso Bíblico Popular – Uma releitura do II e III Isaías
36) 2006 Come teu pão com alegria – Eclesiastes
37) 2007 Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom – Gênesis
38) 2008 A Caridade sustenta a Comunidade – Primeira Carta aos Coríntios
39) 2009 A alegria de servir no amor e na gratuidade – Carta aos Filipenses
40) 2010 Levanta-te e vai à grande cidade – Introdução ao estudo do profeta Jonas
41) 2011 Travessia: passo a passo, o caminho se faz (Ex 15,22-18,27) com o lema “Aproximai-vos do Senhor” (Ex 16,9)
41) 2012 Discípulos missionários a partir do evangelho de Marcos
42) 2013 Discípulos missionários a partir do Evangelho de Lucas – Lema: Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido (Lc 15).
43) 2014 Discípulos missionários a partir do Evangelho de Mateus – Lema: Ide, ensinai e fazei discípulos (cf. Mt 28,18-19)
44) 2015 Discípulos e Missionários a partir do Evangelho de João. – Lema: Permanecei no meu amor para dar muitos frutos. (Cf. Jo 15,8-9)
45) 2016 Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Livro de Miquéias
46) 2017 Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Primeira carta aos Tessalonicenses
47) 2018 Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Livro da Sabedoria
48) 2019 Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Primeira Carta de João

Louvamos e agradecemos a Deus por estes anos de compreensão, vivência e anúncio da Palavra de Deus. Deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo para podermos cada vez mais amá-La (cf. Verbum Domini, 5).

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