23 de junho de 2017

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Mais uma semana se passou. Muito ainda se comenta. É inegável que os Arautos do Evangelho chocaram a Comunidade Católica  – e não Católica – do Brasil e, até mesmo, do mundo.

Os debates na sociedade civil e, sobretudo nas redes sociais, estão acirrados. Os partidários defendem os Arautos acirradamente. Os não partidários acusam, questionam, pedem resposta. Uma coisa nos impressiona: o silêncio das instâncias oficiais da Igreja.

Que a Santa Sé tenha a prudência em elucidar os fatos de forma discreta, entendemos. Que a CNBB esteja refletindo em suas comissões de forma prudente, também. Devemos sempre apurar fatos e não boatos. Ir aos pontos críticos sem afãs ou aforismos. Não que as notícias sobre os Arautos sejam boatos. O que pensamos é, dada a complexidade do problema, deve-se toda cautela. Outrossim, fica a dúvida: e a Academia? E as Universidades Católicas? Percebemos que o debate é evitado.

Já na Idade média, no nascimento da escolástica, as Universidades eram o locus sapientiae. Local onde se cultivava a sabedoria. É de entendimento que o saber nasce da reflexão. Do debate. O que se vê sobre o caso dos Arautos? Silêncio.

Em consequência, as pessoas que estão na base da Igreja se deixam levar por mitos, lendas urbanas. Recentemente, o ministro geral dos Arautos renunciou. Monsenhor Clá não é mais ministro geral dos Arautos do Evangelho. Alguns dos fiéis, sabendo do acontecido, alegaram que Monsenhor Clá estava prestes a se tornar bispo. Que sua nomeação é eminente. Ora, iria a Santa Sé nomear bispo um clérigo envolvido em escândalos? Além de se esquecer que Monsenhor Clá não é candidato ao episcopado por razões de idade e saúde. Boato. Defesa infantil e irracional da pessoa do fundador dos Arautos. Sua renúncia não pode ser por outro motivo, senão, os escândalos em que a instituição está envolvida.

E, enquanto nada de oficial se ouve da Santa Sé, pérolas do pensamento comum são difundidas como o absurdo acima.

Esperamos uma palavra de sabedoria da Santa Sé. Uma posição da CNBB. Uma reflexão dos departamentos de Teologia​ e Ciências da Religião de nossas universidades.

Enquanto​ isso, mais e mais fatos estranhos e destoantes com o caminhar da Igreja são difundidos. Os Arautos do Evangelho se tornaram tema de notícias de muitos e sérios veículos de comunicação. Não se pode mais defender esta instituição por estar sofrendo calúnia. São fatos. Baseados em vídeos, relatos. Não é calúnia. É o povo de Deus que espera uma Palavra de luz para almas atribuladas por questões tão obscuras. Os católicos querem uma palavra do magistério da Igreja. A sociedade civil quer uma satisfação. O que escandaliza não vem de Deus.

O que pensar sobre os Arautos do Evangelho? Queremos saber.

Hermes Fernandes

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