Ainda queremos saber

Quinta feira, 08 de junho de 2017

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Há alguns dias, um turbilhão de debates acerca de imagens de um suposto exorcismo acontecido na instituição Arautos do Evangelho circulou pela internet. Alguns afirmaram ser exorcismo, outros alegavam que o superior do supracitado instituto forçava uma jovem a professar seus votos. Entre as duas opções, as imagens no vídeo eram, no mínimo, chocantes.

Interessamo-nos pelo caso. Algo que pode – e certamente – abala a Imagem da Igreja, é sempre de nossa pertinência. Lamentavelmente, não podemos reproduzir este vídeo aqui pois, após o escândalo, o mesmo foi protegido pela lei de direitos autorais.

Soubemos que os fatos ocorreram dentro do Território da Igreja Particular (Diocese) de Bragança Paulista. Concomitantemente aos fatos, a Diocese em questão publicou uma nota na qual afirma que não houve autorização canônica para acontecer exorcismo em seu território. Podemos concluir então que os escandalosos atos de agressão ao rosto de uma adolescente não seria um exorcismo pois o mesmo não tinha autorização canônica para acontecer. Seriam os Arautos uma entidade religiosa que não presta obediência ao bispo local e seu presbitério? Estão acima de qualquer autoridade eclesiástica?

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Queremos ir mais longe em nossa reflexão:

Considerando que o exorcismo não foi autorizado, podemos também pensar que seria uma profissão de votos. Se o foi, o mesmo não teria menor valor canônico. Uma vez obrigada a professar seus votos, a moça em questão reluta em emitir seus juramentos.

Concluí-se então que não foi exorcismo pois não tinha autorização para acontecer. Não foi profissão de votos pois, não havendo voluntariedade, estes são nulos em sua natureza. O que aconteceu então? Um sacerdote agredindo uma moça. Crime contra o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), escândalo religioso pois tais fatos não condizem com a Igreja de Cristo.

Além deste vídeo sobre o suposto exorcismo ou Profissão Religiosa, há um outro em que Monsenhor Clá e seus afetos lêem diante de câmeras relatos de um exorcismo no qual o demônio diz que o Papa Francisco está a serviço dele, o demônio. Como assim? Isso difundido, publicado, para quem queira ver.

Não é preciso dizer que as roupas dos Arautos do Evangelho e os castelos onde vivem  não condizem com o caminhar da Igreja, uma vez que o nosso Papa Francisco disse que quer uma Igreja pobre e para os pobres.

Exorcismo ilegal, atos de violência à Mulher – no caso uma adolescente, ostentação de riqueza, embotamento público da imagem do papa por meio  Doutrina e Ritos questionáveis, a morte sem explicação de uma adolescente e muito mais. Afinal, que movimento é este? Não aceitam a comunhão com a Igreja, não vivem a dimensão da eclesialidade, estão alienados ao mundo. Quem são os Arautos do Evangelho? Por que continuam seu caminhar na Igreja mesmo com incongruências tangíveis? Ainda queremos saber.

H. Fernandes

 

 

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20 comentários em “Ainda queremos saber

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  1. Eu já sabia que que ‘armou’ essa arapuca para os Arautos foram membros egressos daquela entidade, dos quais a maioria nem sequer é mais católica. Provavelmente ansiosos por abafarem suas consciências, conseguiram que um ‘mordomo’ (assim como no vatileaks) vazou o material necessário. Um blogueiro argentino organizou a campanha difamatória, e pronto, está montado o circo.
    Só não sabia que essa campanha abraçada também por outros setores da Igreja – talvez por não saberem suficientemente sobre o ninho de cobras que armou esse cenário. Mas o tempo trará à tona a verdade.
    Por enquanto, para quem quer realmente saber o que ocorreu, aconselho a ler as 4 notas explicativas que já foram difundidas pelos Arautos. Exorcismo não tem como ser ‘fofinho’ – é sempre feio e desagradável mesmo. Não houve nenhuma agressão sob o ponto de vista jurídico. Os votos já vinham sendo pedidos pela menina há tempos. Ela renovou depois. As reuniões eram particulares e informativas, e quem divulgou foram os criminosos. Enfim, caso essa explicação não sirva, não se pode fazer nada. Os Arautos já estão dispostos a aguentar crucifixão.

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  2. A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada está preparando uma visita apostólica à Associação Internacional de Fiéis Arautos do Evangelho, segundo revelou o correspondente do Vaticano Marco Tosatti em um artigo na Nuova Bussola quotidiana. Fontes da Congregação que foram consultadas por Tosatti disseram que está se formando uma comissão composta de um bispo, uma religiosa e um canonista, afim de analisar a situação dos Arautos do Evangelho. Esse ano a Associação esteve envolvida em polêmicas em torno de alguns exorcismos feitos em diversos de seus membros. A forma de conduzir o ritual por parte do Monsenhor Clá causou estranheza a muitos fiéis que viram os vídeos em redes sociais, estes que mais tarde foram removidos do YouTube sob alegação de direitos autorais. Além do próprio exorcismo, foi feito um vídeo de mais de 1 hora em que o Monsenhor expunha coisas ditas pelo demônio sobre os Arautos, o mundo, a Igreja, o Papa e profeciais sobre os tempos vindouros. Embora oficialmente a razão para a visita apostólica seja desconhecida, recentemente o prefeito desta Congregação, o Cardeal João Braz de Aviz, observou em uma entrevista a necessidade de prestar especial atenção às “novas famílias religiosas”. Arautos do Evangelho é a primeira Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício erigida pela Santa Sé no terceiro milênio, em 22 de Fevereiro de 2001. Fundada por Mons. João Dias Clá formado principalmente por jovens e presente em 78 países. Conforme definido nos estatutos dos Arautos, a espiritualidade tem como diretrizes “adoração a Jesus Eucarístico, Marian piety filial e devoção ao papado, fundamento visível da unidade da fé”. Seu carisma leva os membros desta associação “buscar ato perfeição em busca de pulchritude em todos os atos da vida diária”, seguindo a ordem de Cristo “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito.” Fonte: InfoVaticana / [Conteúdo extraído do site https://padreaugustobezerra.com – Facebook: @padreaugustobezerra/ Pe. Augusto Bezerra; Twitter: @padreabezerra]

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    1. Caro irmão, mesmo com alguns comentários irados neste texto, pessoas que se magoaram com nossas críticas, gostaria que o senhor entendesse que nossas palavras visam o bem estar da Igreja. Não nos sentimos no direito de dizer que o senhor deve parar de colaborar. Penso que deva esperar a elucidação dos fatos. Há já uma iniciativa da Congregação para os institutos de vida consagrada para apurar os fatos. Caso queira, aguarde a conclusão da comissão e tome o senhor mesmo a decisão de continuar apoiando financeiramente este movimento ou não.

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  3. Infeliz aquele q torce pelo mal do outro. O q existe de errado é quem deveria esta levando as pessoas ao céu estão preocupados em destruir uma instituição magnifica dessa, q é os Arautos, q só sabe fazer bem para as almas, eu desafio a qualquer pessoa a procura eles é não ser atendo em qualquer sacramento, em qualquer hora. Ao passo q nas paróquias os padres nunca podem, negam todos os sacramentos, sem a menor dor de consciência

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      1. Pois o nosso caro amigo disse que “Não é preciso dizer que as roupas dos Arautos do Evangelho e os castelos onde vivem não condizem com o caminhar da Igreja, uma vez que o nosso Papa Francisco disse que quer uma Igreja pobre e para os pobres”. Então porque inseriu no texto todo esse parágrafo se não é relevante? Depois sobre o “escândalo”, “imagens chocantes”, “violência” dos exorcismos dá para pensar na tristeza de São Francisco do céu ao ouvir isso pois ele teve que enfrentar duramente em sua vida o demônio e fazer ele mesmo exorcismos nos quais o demônio “gritava horrendamente” e após a oração Celano comenta que “saiu dela o demónio com tal celeridade, fúria e estrondo” (Cap. 25 da Vida Primeira de Tomás de Celano). O humilde Poverello certamente não ia ficar cantando para o demônio como ele fazia à natureza criada pelo bom Deus… Pena que o exorcismo dele não foi filmado…

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      2. Meu Caro irmão, não podemos negar o anacronismo em suas analogias. Comparar Conventos Medievais Franciscanos com os Castelos dos Arautos e suas vestes é ignorar princípios básicos de hermenêutica histórica. Os conventos franciscanos na Itália estão inseridos em um contexto histórico e eclesial. Ao contrário, os Arautos transportam a contemporaneidade à medievalidade. Há que se pensar também nos objetivos. As comunidades religiosas medievais tinham como praxis tais moradias. As atuais diretrizes da Igreja hoje não tem essa mentalidade. O Papa Francisco pede pela simplicidade. Quanto ao suposto exorcismo, o mesmo não teve autorização para acontecer, conforme declaração do bispo local. Assim sendo, não há defesa que caiba neste ato.

        O senhor Citou Tomás de Celano, penso que deva ir à mesma fonte e ver como São Francisco prezava pela simplicidade e humildade. Algo bem ausente nas posturas e modus vivendi dos Arautos. Em suma, melhor seria se os Arautos não existissem. Seria melhor para uma juventude que está sendo alienada de sua real missão, conforme diretrizes da CNBB e do atual papado. Você diria que os Arautos do Evangelho ensinam aos seus jovens ter renovado ardor missionário? Viver à luz da Evangélica Opção Preferencial pelos pobres? Estão os Arautos anunciando o Reino de Deus e sua justiça? Nem a Bíblia e nem o magistério da Igreja referenciam a existência dos arautos. São anacrônicos​ e destoantes com o caminhar da Igreja.

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  4. Em primeiro lugar, não vejo porque denominar algumas poucas casas dos Arautos de castelos. Mas, enfim, pouco importa. Se deixo de chamar a flor de flor ela não deixa de ser flor, já dizia Shakespeare. Anteriormente, o nosso caro frei afirmava que não está em jogo questões arquitetônicas, mas pelo contrário, invoca agora o anacronismo de tal tipo de construção. Se se invoca o princípio de anacronismo, é melhor que os franciscanos deixem de usar o hábito medieval, os padres deixem de usar a casula nas missas de origem romana, ou os bispos deixem de usar a mitra porque também é “medieval”. Aliás, é o que tem acontecido a despeito das normas… Seja como for, cada um prefere um estilo. Se alguém prefere a nova catedral de Belo Horizonte que custará 100 milhões de reais, fique à vontade. Mas não é porque ela é “moderna”, que seria mais ou menos própria para ser catedral. Aliás, o povo belo-horizontino em geral abomina este projeto. Se a simplicidade consiste na economia não diremos que é um projeto barato… Em particular, sinto muito mais paz de espírito numa Catedral gótica do que nos templo ultramodernos. Mas cada um tem a sua sintonia com o sobrenatural.
    Quanto à questão dos exorcismos, pelo que entendi, e espero que o nosso caro franciscano também compreenda sem animosidade, eles realizaram um exorcismo “menor”, aberto a qualquer batizado, idealmente sacerdote claro (lembre-se que existia antigamente a ordem menor do exorcistado). O exorcismo “maior” segundo o ritual seria feito conforme a prescrição do bispo que deve nomear ao menos um sacerdote exorcista para a diocese como se explicou. Daí que santos tão diferentes como Santo Antão e Santa Catarina de Siena (leigos) realizaram exorcismos (menores). Ou ainda os nossos caros São Francisco e São Pio de Pietrelcina, sem qualquer autorização. Enfim, quem sabe este não foi perseguido também por causa disso?
    Em segundo lugar, quanto ao hábito deles, pelo que conheço, não tem nada de contraditório em relação ao espírito de pobreza. O tecido aparentemente é de lã como muitos outros hábitos, como o franciscano aliás. O terço é de madeira como os dominicanos. O escapulário como os carmelitas. Ah e a corrente? Não me parece que é de prata. Se fosse aí sim pareceria ostentação! E as botas? E daí que usem botas? E daí que os franciscanos usem sandálias e que os dominicanos usem sapatos (aliás Santo Alberto Magno usava botas)?
    Admiro muito a São Francisco e em particular o seu espírito de concórdia e pregação da paz e do amor. Sem falar na sua estima pela natureza. Embora de carisma diverso da Ordem dos pregadores, até do ponto de vista doutrinário, isso não impediu o respeito que se deve ter por um carisma diferente. Ninguém, com um pouco de “hermenêutica histórica”, desconhece as discussões (por vezes ferrenhas) entre as duas ordens nesse campo. Às vezes como um sinal de contradição como o foi o Francisco para a época em que viveu. Seria ele anacrônico? Claro que não. Contudo, não imagino que sairia de dos lábios de dele algo como “os dominicanos não deveriam existir”! Tanto São Francisco como São Domingos são comemorados como festas solenes por ambas as ordens. No jardim da Igreja há espaço para todos. Até para reis como São Luis IX e S. Fernando de Castela. Embora aquele construíra uma magnífica Sainte Chapelle, não deixou de ser santo, humilde e ambos terciários franciscanos.
    E se a Santa Sé aprovou os Arautos tanto como leigos quanto como religiosos não vejo porque achar que eles não devam existir. Afinal, não podemos “desdenhar” a Santa Sé. Mas se esta a sua opinião, respeito.
    Por último, gostaria de saber qual é o critério de simplicidade. É o estilo? Onde está dito que não se pode utilizar o gótico segundo as “novas diretrizes”? Ah mas é anacrônico. Na Idade Média os estilos românico e gótico continuaram a conviver sem problemas após o advento deste. E o neogótico? Não acho que a Catedral de SP ou de BH foram ou são anacrônicas. É o custo? Quantas construções são caríssimas e despojadas de beleza… E o modus vivendi deles? E o espírito missionário? A bíblia não os endossa… Aí não sei, porque aí seria uma acusação um pouco forte. Parece-me. Afinal, para seguir o nosso caro Papa Francisco, quem sou eu para julgar?
    Que São Francisco nos ilumine e proteja a Igreja hoje como o fez em seu tempo de modo tão exemplar.
    Com os meus respeitos cumprimentos
    Augusto

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    1. Penso que o senhor possa ter se magoado com nosso texto. Antes de ler o escrito, cabe o subscrito. Cabe louvar sua elegância e ternura em seu último comentário. Fico feliz que, mesmo em opiniões diversas, a caridade fraterna possa prevalecer. Neste sentido, entendo sua árdua defesa aos Arautos. Peço que também respeite minha oposição. Mantenho meu texto, posição e idéias. Outrossim, não posso deixar de louvar seu último comentário. Pela elegância e respeito, mesmo em oposição de idéias. Termino com meu fraterno abraço e recomendo-me às suas orações.

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