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Nos Caminhos de Francisco

Seguir Jesus a exemplo de Francisco de Assis

mês

maio 2017

Ser Franciscano Hoje

Quinta feira, 01 de junho​ de 2017

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Por Frei Neylor Tonin

Ser franciscano, hoje, é fazer a dupla experiência do Cristo pobre e crucificado e dos leprosos de todas as lepras, físicas, materiais e afetivas. É não voltar o rosto para o outro lado quando os pobres cruzam nossos caminhos. É descer do cavalo das nossas arrogâncias, para abraçá-los e para partilhar com eles nossos dinheiros. Este é o caminho franciscano de encontrar no leproso o rosto machucado de Jesus.

Ser franciscano, hoje, é fazer um ato absoluto de fé, sem ressalvas e sem suaves prestações, e viver na esfera do divino, gravitando em torno a Deus. Ele foi para São Francisco “o Bem, todo o Bem, o sumo Bem, o Bem universal”. Um franciscano, por isso, o ama com todo o coração e com toda alma. Deus é a sua aposta, pois Ele é a vida da sua vida.

Ser franciscano, hoje, é fazer a experiência radical da gratuidade, reconhecendo e crendo que somos amados pelo Deus de todos os amores, que provê o alimento para os pássaros do céu e cuida dos lírios dos campos. Ele é um Deus-providência que cuida até dos cabelos de nossas cabeças. Em nossas mesas, acreditamos, nunca faltarão pão e vinho, sempre que, generosamente, partilhamos com os necessitados o peixe de nossas redes. Ele é a nossa bênção que faz o sol nascer para a nossa alegria e faz sua chuva encher de flores os nossos jardins.

Ser franciscano, hoje, é ter como regra e ordem de vida o evangelho de Jesus. Esta sabedoria é um caminho e, como tal, é uma proposta e uma provocação que prometem uma vida de abundância e imortalidade. Os caminhos humanos podem ser bons e muitas vezes são muito bons, mas podem, ao mesmo tempo, ser relativos e caducos. O que um franciscano não pode é confiar, de forma absoluta, em seus celeiros e enterrar seu coração em arcas de tesouros materiais. Na mística franciscana, temos que abandonar as pompas do consumismo, porque os apetites humanos são limitados e inconsistentes.

Ser franciscano, hoje, é ser irmão, é ter sentimentos e práticas de fraternidade, de generosidade e solidariedade evangélicas. Ser irmão é o maior título das aspirações humanas. Todos somos irmãos. Somos companheiros de destino e ninguém é uma ilha. Vivemos todos numa mesma casa que é de Deus, que é Pai de todos. Tanto quanto de Deus, nossa vida pertence aos irmãos.

Ser franciscano, hoje, é desnudar-se e escolher a Deus como pai único e definitivo. Este despojamento presidiu a vida de Francisco, levando-o a renunciar a toda e qualquer riqueza para identificar-se com o Cristo pobre e crucificado. Assim desnudo, sentiu-se e tornou-se livre para desposar à Senhora e Dona Pobreza. Passou a amar a Pobreza em nome de Cristo e de todos os pobres da terra. Há uma pobreza bendita que é assumida por amor ao Reino dos Céus e uma pobreza maldita, fruto das injustiças humanas.

Ser franciscano, hoje, é amar a Irmã Clara e todas as Claras do mundo com um amor gratuito e com um coração encantado de trovador. Nenhuma mulher pode ser propriedade de nossos apetites e egoísmos, quando a amamos com sentimentos limpos. A mulher é linda porque Deus é a fonte da beleza. Ela é parceira de amor porque Deus a fez expressão de seu amor para o homem. Todo franciscano vê a mulher como se fosse clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima por suas qualidades e virtudes.

Ser franciscano, hoje, é dispor-se a romper o círculo infernal do individualismo em favor dos ideais da comunidade. Vivemos graças aos outros e temos que viver para os outros. Somos membros de um mesmo corpo social e o destino de uma pessoa está ligado ao destino da sociedade. Temos que lutar em favor da fraternidade humana, sem distinção de classe, nação, idade, pobreza ou fortuna, cor e religião.

Ser franciscano, hoje, é reconhecer que todos tem direito de participar da festa da vida, não apenas por caridade, mas por justiça. Hoje, infelizmente há pobres demais e ricos de menos. Os seguidores de São Francisco devem proporcionar a todos o direito à mesa da comida, atualizando o milagre da multiplicação dos pães.

Ser franciscano, hoje, é vivenciar uma profunda alegria espiritual, com o discernimento de que as pessoas não são alegres. Experimentam euforias, mas não gozam de paz. Suas bocas riem, mas seus rostos não são sorridentes. E, por isso, não tem a verdadeira alegria franciscana. Um franciscano deve ser alegre pelo caminho real do amor sem travas e do sacrifício sem relutância e parcimônia.

Ser franciscano, hoje, é viver para além das ofensas e estar pronto para o perdão, sabendo que é perdoando que se é perdoado. O perdão e a paz são presentes do Cristo Ressuscitado. Um franciscano tem que ser homem e mulher de comunhão, alimentando a rebeldia da esperança que rechaça todo tipo ódio, de derrota e desejo de vingança.

Ser franciscano, hoje, é conviver com o lobo de Gubbio, é não poluir as águas, nem sujar as ruas, é reverenciar todas as criaturas e cantar o Irmão Sol e a Irmã Lua. É ter espírito ecológico, segundo o qual todos os seres são expressão do amor de Deus e formam conosco a grande sinfonia de louvor à vida e ao seu Criador.

Ser franciscano, hoje, é ser salmista da vida, rezando a Deus: Faz-me da vida bom pastor, ardente profeta, encantado poeta. Hoje e amanhã, ser franciscano será viver feliz pela graça de viver, dando as costas a queixas, broncas e condenações que nos distanciam da casa da fraternidade e da festa da Páscoa.

Ser franciscano, hoje, é, enfim, olhar a vida como graça e a morte como irmã. Se a vida comporta encontros e desencontros, a morte propiciará o grande encontro com o Deus de todas as graças. Se abraçarmos a vida com espírito franciscano, seremos abraçados na morte pelo Deus de todos os abraços. Por isso pode um franciscano rezar:

Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã Morte da qual homem algum pode fugir”. Dela não fugiremos porque será nossa última oração e o começo de nossa suprema ventura.

O Espírito Santo na Mística Franciscana

Quarta feira, 31 de maio de 2017

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Apresentação

Para São Francisco, a Ordem só tinha um Ministro Geral, que é o Espírito Santo, e deveria ser guiada pelo sopro do Espírito do Senhor. «Desejava que se recebessem na Ordem pobres e ignorantes, e não apenas ricos e sábios. ‘Deus -dizia ele- não tem em conta essas diferenças; o Espírito Santo, que é o Ministro Geral da Ordem, repousa tanto sobre os pobres e simples como sobre os outros’. Pretendia até que esta frase fosse incluída no texto da Regra – mas a bula da aprovação já tinha sido publicada (a 29 de novembro de 1223); era portanto tarde demais» (lC 123).

Neste Especial dedicado a Pentecostes, nossa intenção é fazer uma reflexão dentro da mística franciscana, oferecendo alguns textos de grandes mestres da espiritualidade.

O capuchinho Leon Robinot lembra que Francisco caminha para o Pai pelo Filho no Espírito: é a ‘auto-estrada’ que conduz à união com Deus, e que ele aprendeu pela prática da liturgia. “A sua experiência do seguimento de Jesus, aprendida durante uma vintena de anos, desabrocha na grande doxologia da Primeira Regra, capítulo 23. E essa ‘auto-estrada’ dum filho de Deus percorreu-a sob a conduta do Espírito. Tal é a profunda convicção que pretende transmitir aos irmãos ao dizer-lhes que «devem sobretudo desejar ter o Espírito do Senhor e deixar que esse Espírito atue neles» (2R 10,8).”

Frei Sinivaldo Tavares, teólogo, escreve sobre “A ousadia de se deixar conduzir pelo Espírito do Senhor”. E decreta: “Somos convocados a fazer memória do nosso passado, deixando Cristo irromper em nossa vida através do Seu Espírito Vivificante”.

O homem, quando se centra no sofrimento seu e do mundo, nas angústias e traumas de tantas pessoas, nas injustiças de uns e desvalia de outros, nos desvarios, descaminhos, hipocrisias e toda sorte de males, corre o risco de se afundar num desespero sem saída ou de  calejar-se desumanizando-se naquilo que lhe é mais próprio: a dimensão pentecostal do permanente milagre da vida.  Frei Neylor Tonin faz uma reflexão sobre a festa de Pentecostes a partir de dois pontos de vista e afirma que “o homem  pentecostal conhece a alegria do louvor, a força incontida do testemunho, a jovialidade da acolhida e a festa da comunhão”. Nele Cristo já venceu o demônio da tríplice tentação.

O jesuíta Albert Chapelle, num texto da revista “Grande Sinal”, escreve:  “O dom do Espírito nos antecede como uma graça, ele nos precede na história. Vida espiritual não se improvisa, não tem sua origem em si mesma, não pode haurir água viva em sua própria fonte. É recebida do Alto; brota como toda vida das gerações e dos partos da história”.

Outro texto escolhido é de Frei Celso Teixeira, da série “Cadernos Franciscanos”: “O Espírito do Senhor: Ensaio de uma leitura antropológica”. Como anuncia o subtítulo, o artigo é uma tentativa de esclarecimento sobre o modo de agir do Espírito do Senhor na pessoa humana. Sem identificar a expressão “Espírito do Senhor” com a terceira pessoa divina, o autor centraliza-se em descrever o modo de atuação deste espírito, tornando a pessoa “santa” e “espiritual”, à semelhança do próprio Deus, e, em habitando nossos corações, este espírito torna-se presença habitual. O autor também distingue com muita clareza as obras do “espírito da carne” (e “espírito do mundo”) e as obras do espírito do Senhor, fonte e origem de todo o bem.

Trazemos ainda textos do Dicionário Franciscano sobre o Espírito Santo e Pentecostes no Catecismo da Igreja Católica.

Completamos este Especial com as Preces ao Divino Espírito Santo e uma celebração franciscana.

franciscanos.org.br

Leigos e Leigas no protagonismo da Evangelização

Segunda feira, 29 de maio de 2017

Dom Milton Kenan Júnior

A expressão não é nova, ela surge na Conferência de Santo Domingo (1992): “Que todos os leigos sejam protagonistas da Nova Evangelização, da promoção humana e da cultura cristã.” (n.97) (…) “Um laicato, bem-estruturado com formação permanente, maduro e comprometido, é o sinal de Igrejas Particulares que têm tomado muito a sério o compromisso da Nova Evangelização.” (n.103).

Hoje, talvez, precisássemos recuperar a intuição que o Episcopado Latino-americano assumiu, na Conferência de Santo Domingo, quando fala do “protagonismo dos leigos”; embora na Conferência de Aparecida essa expressão não apareça nenhuma vez. Falar de protagonismo, é falar do lugar de importância que os leigos têm na ação evangelizadora, é falar do seu papel insubstituível, imprescindível, na transformação da realidade que vivemos, marcada pela exclusão e pela violência.

Os leigos são protagonistas, afirmaram os bispos em Santo Domingo, ou seja, são os agentes principais no esforço da Igreja em dialogar com o mundo e apresentar os valores do Evangelho num tempo de tantos contra-valores.

Nesse sentido, o Documento de Aparecida e agora o das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, DGAE 2011-2015, ressaltam dois princípios de grande valor e importância.

O primeiro princípio é o da corresponsabilidade. Leigos e Leigas devem participar, como sujeitos, com vez e voz, na elaboração dos programas pastorais, nos centros de discussão e decisão nas Igrejas Particulares. Referindo-se ao projeto pastoral da Diocese, o Documento de Aparecida afirma: “Os leigos devem participar do discernimento, da tomada de decisões, do planejamento e da execução.” (n.371).  Não podem, portanto, verem reduzida a sua participação apenas ao momento de encaminhar e realizar os programas, mas sentirem-se participantes desde o início, por força da sua condição de cristão batizado, habilitado pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação, a participar plenamente da vida da Igreja.

É ainda o Documento de Aparecida que esclarece: “A evangelização do Continente, dizia-nos o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos. Hão de ser parte ativa e criativa na elaboração e execução de projetos pastorais a favor da comunidade. Isso exige, da parte dos pastores, maior abertura de mentalidade para que entendam e acolham o “ser” e o “fazer” do leigo na Igreja, que por seu batismo e sua confirmação é discípulo e missionário de Jesus Cristo.” (n.213).

As DGAE 2011-2015 ressaltam: “Os leigos, corresponsáveis com o ministério ordenado, atuando nessas assembleias, conselhos e comissões, tornam-se cada vez mais envolvidos no planejamento, na execução e na avaliação de tudo que a comunidade vive e faz.” (n.104.c).

O segundo princípio é o da missão. Os Documentos do Episcopado Latino-americano afirmam exaustivamente que o campo específico da ação dos leigos e leigas é o das realidades onde vivem e trabalham, ou seja, é o mundo da família, do trabalho, da cultura, da política, do lazer, da arte, da comunicação, da universidade etc.

Em função disso, “a formação dos leigos e leigas deve contribuir, antes de mais nada, para sua atuação como discípulos missionários no mundo, na perspectiva do diálogo e da transformação da sociedade. É urgente uma formação específica para que possam ter incidência significativa nos diferentes campos, sobretudo ‘no vasto mundo da política, da realidade social e da economia, como também da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação e de outras realidades abertas à evangelização’ (EN 70).” (DAp 283).

As DGAE 2011-2015 incentivam a participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos diversos níveis e instituições, nos Conselhos de Direitos, em campanhas e outras iniciativas que busquem efetivar a convivência pacífica, no fortalecimento da sociedade civil, e de controle social. Destaca também a participação na busca de políticas públicas que ofereçam as condições necessárias ao bem-estar de pessoas, famílias e povos; e a formação de pensadores e pessoas que estejam nos níveis de decisão evangelizando com especial atenção e empenho. (cf. n.115-117).

Entre os diversos espaços em que a presença dos leigos e leigas, hoje, é imprescindível destacam-se: o mundo universitário, o mundo da comunicação, e a presença pastoral junto dos políticos e formadores de opinião no mundo do trabalho, dirigentes sindicais e comunitários (n.117).

Há, portanto, no pensamento dos bispos latino-americanos e brasileiros uma condição e uma exigência para o protagonismo dos leigos. A condição é de que leigos e leigas possam ocupar o lugar que lhes cabe na vida das comunidades, sentindo-se, de fato, como sujeitos corresponsáveis na elaboração e realização de projetos e programas de evangelização. E a exigência é a sua atuação evangélica nas realidades onde vivem e atuam, para que à semelhança do fermento possam levedar toda realidade humana com a força do Evangelho.

Este é o grande desafio que hoje não só leigos e leigas enfrentam, mas todo o corpo eclesial: superar o conceito de leigo como inferior, subalterno e destinatário da ação evangelizadora; e formar leigos e leigas para que possam, nas realidades que lhe são específicas, agir como agentes eclesiais, discípulos missionários de Jesus Cristo.

Ao falar do protagonismo dos leigos é indispensável falar de verdadeira conversão pastoral, como é proposta pelo Documento de Aparecida, no espírito da comunhão e libertação (cf. n.368), ultrapassando uma pastoral de mera conversão para uma pastoral decididamente missionária (n.370).

Oxalá leigos e leigas possam exercer seu protagonismo na vida de nossas comunidades eclesiais e assumirem com renovado entusiasmo sua missão nas realidades onde, na sua maioria e na maior parte do seu tempo, estão. Isso exige coragem! O Espírito de Deus certamente não lhes faltará!

 

Falece o missionário Frei Márcio de Araújo Terra

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∗ 09.02.1949 † 29.05.2017

Aos 68 anos, faleceu nesta segunda-feira (29/05), às 5 horas, Frei Márcio de Araújo Terra (46 de vida religiosa franciscana, sendo 15 na missão de Angola). Frei Márcio estava internado no Rio de Janeiro desde o dia 20 de março, quando sofreu uma queda na laje da casa da Fraternidade da Rocinha. Com hemorragia cerebral, passou por cirurgia, mas sua recuperação alternou altos e baixos.

Como no boletim do dia 6 de maio, quando Frei Sandro informava que, nas últimas semanas, numa alternância de períodos de esperança, otimismo e preocupação, a situação de saúde de Frei Márcio foi aos poucos se deteriorando. Uma infecção era debelada, mas logo outra aparecia, e persistia. Uma cirurgia para desobstruir o intestino agravou mais o quadro. O pouco de interação que havia, aos poucos foi desaparecendo. O quadro passou de grave para muito grave. Houve a necessidade de hemodiálise, e a infecção avançava para uma septicemia. Vários de seus familiares, inclusive sua mãe, dona Procopinha, de 89 anos, estiveram na Rocinha, acompanhando de perto o desenrolar da situação. A comunidade paroquial acompanhava e rezava com muita fé.

Seu corpo está sendo velado na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, na Rocinha, até as 8 horas de amanhã (30/5), quando será celebrada a Missa de Exéquias. Em seguida, seu corpo será transladado para o Convento Santo Antônio, no Largo da Carioca, onde será sepultado.

O FRADE MENOR

Quando ainda era seminarista, iniciando sua caminhada como frade menor, Frei Márcio foi muito claro ao dizer que o impulso para a sua decisão “era o testemunho do Cristo, que se fez o menor de todos, levando a eles a Boa Nova da libertação”. Para ele, o desejo de estar a serviço do Reino de Deus na construção de uma sociedade mais justa e fraterna era o alimento de sua espiritualidade e a identificação com a causa dos explorados movia a sua via consagrada.

Foi com esse desejo, que sempre alimentou, que Frei Márcio ingressou no Seminário de Guaratinguetá para vocações adultas. “Desde criança mantinha o desejo de ser religioso. Um padre eme prometeu que assim que eu terminasse o grupo escular (ensino fundamental), eu poderia ir para o Seminário. Ele nunca mais voltou e foi no final da minha adolescência que o desejo voltou mais forte e eu pude ingressar no Seminário”, contou o mineiro de Alterosa, que se autodefinia como introvertido e calmo. Ele era o terceiro dos sete filhos (um irmão e seis irmãs) do casal Juarez e Procópia. Frei Márcio nasceu em Alterosa (MG), no dia 9 de fevereiro de 1949 e foi ordenado sacerdote no dia 18 de dezembro de 1976.

Para ele, a vida religiosa franciscana é vigorosa quando se funda na pobreza evangélica. Seu trabalho preferido era junto às Comunidades Eclesiais de Base (CEB), onde acreditava que uma ação verdadeiramente coletiva, acima de quaisquer interesses individuais e moldada pelos mais nobres sentimentos de humanidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo poderia mudar o mundo.
Nos quinze anos que passou na Missão Franciscana de Angola, Frei Márcio fundou o Projeto Nossos Miúdos, que acolhe meninos de rua na capital, Luanda, sendo a maioria vítimas da guerra de mais de 30 anos que destruiu o país. Para este franciscano, que ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 20 de janeiro de 1971, a sua experiência missionária foi muito marcante porque conheceu o país angolano destruído, no final da guerra, e participou de sua reconstrução.

Dizia que o grande desafio em Angola não foi a guerra, mas reconstruir o “homem angolano depois da guerra”. Essa, para ele, é a grande missão hoje da Fundação Imaculada Mãe de Deus e da Igreja local. “O governo constrói estradas, hospitais, escolas e nós construimos o homem. E é a tarefa mais difícil. Reconstruir ponte, com diamantes e petróleo angolanos, não é tão difícil assim, mas reconstruir a alma do ser humano, dilacerada durante 35 anos – contando a guerra civil e a guerra pós-independência -, é muito desafiador. Um jovem de 35 anos, que tem toda a sua força de trabalho, nasceu na guerra, cresceu e foi educado nela. Ele praticamente só conhece a linguagem da violência. Falar de fraternidade, solidariedade soa estranho para ele. Pode até ser que bata no coração dele: ‘É isso que eu quero, mas não foi isso que vivi ou experimentei durante toda a minha vida’! A religião tem um papel muito importante neste momento”, dizia em entrevista ao retornar ao Brasil nas férias de 2009.

DEPOIMENTOS

O pároco e vigário da Fraternidade São Francisco de Luanda, Frei Angelo José Luiz, está em férias no Brasil e deu o seguinte depoimento sobre Frei Márcio:

“Tive oportunidade de conviver com Frei Márcio em Luanda, no bairro de Palanka, onde está o Projeto Nossos Miúdos, e onde ele residiu desde o início da sua missão. Assim, ele se radicou na Paróquia São Lucas, como pároco durante um tempo e, aos poucos, identificando-se com um projeto voltado para crianças abandonadas no pós-guerra. Com sua caminhonete, ele percorria as ruas levando comida e roupas. Aos poucos, ele foi vendo a necessidade de ter um espaço para atender essas crianças. Foi assim nasceu o Projeto Nossos Miúdos que hoje nós, os frades, estamos dando continuidade.  Esse projeto tem uma padaria, que mantém esse serviço, e uma creche que foi inaugurada antes de ele retornar ao Brasil no final do ano passado.

Ele sempre foi um frade bastante dedicado no trabalho, na evangelização, na convivência com os leigos e os frades. Ele também sempre foi muito participativo, buscando sempre estar presente, embora até morando e dormindo fora da fraternidade. Mas não deixava de participar da comunidade dos frades.

Aos poucos, ele também se identificou muito com o Projeto Missionário do Kimbo São Francisco, um santuário que acolhe milhares de fiéis semanalmente. Desde o início, quando a Fundação assumiu este trabalho, ele esteve à frente da animação, da programação e das celebrações do Kimbo. Hoje, as pessoas são muito gratas a ele.

Outro trabalho com o qual ele se identificou muito foi com o programa ‘Gotas de Luz’ na Rádio Eclessia, emissora da Conferência dos Bispos de Angola. Duas vezes por semana, durante uma hora, ele interagia muito com os ouvintes. O bispo Dom Zeferino o chamava de a “Voz de Ouro”.

Devemos muito ao Frei Márcio pelo seu trabalho missionário, pelo seu esforço, pela sua dedicação, pela sua presença, pelo seu espírito crítico com relação a todo o nosso trabalho de evangelização – ele sempre teve uma visão muito crítica -, mas construtivo. Ele colaborou bastante com a Missão”, completou Frei Angelo, que retorna nesta quarta-feira, 31 de maio, a Luanda.

Para o frade angolano Frei Crisóstomo Pinto Ñgala, Frei Márcio deixa saudades. “Foi grande companheiro. Homem desapegado, homem de Deus. Mais um Santo intercessor dos miúdos abandonados”, disse.

Dados Pessoais:

Nascimento: 09.02.1949 – Alterosa (MG)
20.01.1971 – Admissão ao Noviciado
20.01.1972 – Professa temporariamente na Ordem dos Frades Menores
04.10.1975 – Professa solenemente na Ordem dos Frades Menores
18.12.1976 – Ordenação presbiteral

Atividades evangelizadoras

09.12.1977 – Vigário paroquial em Vila Velha – Paróquia
06.02.1982 – Coordenador da fraternidade e vigário paroquial em Vila Velha, na paróquia do Rosário (ES)
15.12.1982 – Vigário paroquial em Cabo Frio (RJ)
18.01.1989 – Vigário paroquial em Ipanema (RJ)
18.01.1992 – Vigário paroquial em Vila Velha (RJ)
10.12.1998 – A serviço da Fundação Mãe de Deus de Angola
15.03.1999 – Viagem para a Missão de Angola
22.01.2000 – Funda o Projeto Nossos Miúdos em Angola
30.04.2000 – 1º pároco da Paróquia de São Lucas de Angola
22.11.2000 – Vigário Paroquial da Paróquia São Lucas, em Luanda, Angola
12.09.2001 – Eleito conselheiro da Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola
20.12.2006 – Reeleito conselheiro da Fundação Imaculada Mãe de Deus
15.03.2008 – Vigário da Fraternidade S. Francisco de Assis, em Palanka, Angola
01.12.2016 – Vigário Paroquial na Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com a Ascensão de Jesus somos chamados à Transcendência

Domingo, 28 de maio de 2017

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A ascensão de Jesus nos remete à condição humana. Como Cristãos somos partícipes do Mistério de Cristo. Uma vez Ele ressuscitado e hoje transcendente, nos possibilita à transcendência.

Em nossas fraquezas e misérias Humanas, nas opressões às quais somos sujeitos, à Verdade que se nos é negada… Com a ascensão do Senhor, somos transcendidos à grandeza d’Ele. Em Cristo somos fortes pois “o Senhor dos que combatem é conosco e está com agente, Ele é nossa Fortaleza, é o Deus que nos defende.” (Sl 46/45)

Com a Solenidade da Ascensão do Senhor, possamos transcender para um mundo mais fraterno e humano.

Feliz Domingo do Senhor! Paz e Bem!

 

H. Fernandes

 

 

A Imanência e a Transcendência de Deus

Domingo, 28 de maio de 2017

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Por: Eduardo Feldberg 

INTRODUÇÃO:

Este artigo propõe-se, de forma tímida, refletir sobre a Transcendência e Imanência de Deus numa perspectiva atual. A questão é que não se pode dissociar tal temática as manifestações inerentes à religiosidade que é a base do que costumamos chamar de religião. Afinal, o que é religião?

 

Se nos reportarmos ao passado, descobriremos como a religião com suas expressões estavam ligadas aos costumes, ao estilo de vida e a rotina, marcando o despertar, as refeições e o repousar do povo. Deus era o centro. Era Aquele que gerenciava a existência de todos, o Senhor Supremo e infinito que no alto do céu anotava no livro da vida os acontecimentos dos seus súditos. Era o Provedor e Condenador. Nesta atmosfera de fé e piedade, os descrentes, sem amor a Deus e sem religião, eram raros.

O tempo passou e trouxe consigo os novos ares da modernidade, da secularização onde reconhecer-se religioso equivale a confessar-se habitante do mundo encantado e mágico do passado. Onde está  Deus? Onde fica Deus em tudo isso? Continua Deus a sobrevoar o mundo com Sua túnica alva de barba comprida com feição de descaso e desdém para com o mundo que criou? Ou, manifesta-se em tudo e em todos, preso a natureza, a simplicidade das coisas e ao homem?

Ora, mas os recursos que emanam da modernidade se extirpam. E o que acontecerá quando a tecnologia não mais aliviar a dor e nem resolver problemas? Prostraremos-nos com a cara ao chão na busca por Deus… Mas, onde estará Deus? Talvez pensando nisso, Rubem Alves tenha escrito:

“E é quando a dor bate à porta e se esgotam os recurso da técnica que nas pessoas acordam os videntes, os exorcistas, os mágicos, os curadores, os benzedores, os sacerdotes, os profetas e poetas, aquele que reza e suplica, sem saber direito a quem… E surgem então as perguntas sobre o sentido da vida e o sentido da morte, perguntas das horas de insônia e diante do espelho…” (Rubem Alves. O que é religião? – 2008 p 12)

Se for a religião uma convivência com Deus, esteja Ele longe ou perto, ausente ou presente, silencioso ou participante, transcendente ou imanente, então, mesmo no apogeu da modernidade estamos mais próximos duma experiência pessoal com o Divino do que desejamos admitir.

A FILOSOFIA

No transcorrer da história duas visões filosóficas vêm travando uma celeuma entre a relação de Deus com o Cosmo. Uma das visões é o deísmo, que aparta Deus do Universo. A outra é o panteísmo, que mescla Deus com o Universo. A primeira reconhece que Deus é o criador de tudo e todos, mas por está farto deste laçou-o no vazio do espaço para se auto-reger-se elaborando suas próprias diretrizes. Constitui-se então, o que nos habituamos a chamar de transcendência. Já o último apregoa um Deus que se confunde com o Universo, que se manifesta nas criaturas, ou seja, postula uma crença num Deus imanente ao mundo. Na obra que leva o nome Monismo Teista, J. Evans escreve:

“Ao invés de existirem dois seres – Deus e o universo – há apenas um sistema de energia que é, ao mesmo tempo, Deus e o universo.” (Ob. Cit., p 329.)

COMO ESTÁ DEUS PRESENTE NO UNIVERSO QUE ELE MESMO CRIOU?

No livro do Gênese encontramos um Deus em uma explosão criadora. Supostamente cansado de viver sozinho, espalha por suas obras fagulhas de sua divindade, pois viu que tudo o que fizera era muito bom (Gn 1, 31). Neste caso, poderíamos afirmar que as criaturas têm na sua essência um caráter transcendental, visto que, sua origem é transcendente por excelência, pois nada e nem ninguém é mais transcendental que Deus (Seu criador).

“Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança…”(Gn 1, 26). Se temos a condição de criaturas advindas de Deus, poderíamos dizer que estamos Nele assim, como Ele está em nós? Obviamente que sim, uma vez que a expiração para a nossa criação vem de Deus, somente dele. A questão é que nem todas as criaturas (homens e mulheres) reconhecem Deus por seu nascedouro. Os seus atos demonstram uma desarmonia com os propósitos Divinos. Alguns estão confusos com os apelos da modernidade que exige imediatismo, cientificismo e desembocam no ceticismo se distanciando de uma espiritualidade ideal. É chagada a hora de observarmos o que Leonardo Boff referenda:

“É a espiritualidade que une, que liga e re-liga e integra. Ela e não a religião ajuda a compor as alternativas de um novo paradigma civilizatório.” (Leonardo Boff. Saber cuidar: Ética do humano – compaixão pela terra. 1999 p 21).

Mas, afinal qual a relação instaurada entre a obra e o seu Mentor? Que relação há entre o compositor e sua canção, os progenitores com sua criança, o poeta com sua escrita, o oleiro com sua cerâmica? Seria uma afinidade, uma consanguinidade, uma irmandade, um amor que cuida? Ou seria uma repulsa, um divórcio? Bem, todos os artistas deixam um pouco de si em todo que faz e se isso for verdade, nutrirá por elas uma carinhosa responsabilidade. Então, terá o Artista Divino se tornado presente em Sua obra de maneira tão imanente? Deixemos com Leonardo Boff a resposta:

“Deus, porém, jamais abandonou esse ser humano encurvado sobre si mesmo. Socorreu-o sempre, abrindo espaços para uma humanização que devolve, embora de forma frágil, a estatura originária do ser humano. (…) Chamam de graça: é a presença graciosa humanizante e divinizante de Deus.” (Leonardo Boff. Ética e eco-espiritualidade. 2003 p 86).

CONLUSÃO: A CONTEMPORANEIDADE – UM MUNDO DESSACRALIZADO

Dispensam-se as documentações, afinal é só paramos um instante e perceberemos o caos em que vivemos e escutaremos as queixas nervosas. O homem lançou-se na lua como comprovação de sua superioridade e para revelar que o céu não é o seu limite. Rejeitou sua religiosidade. Calou, apagou, matou Deus. Em que ainda iremos encontrar apoio nos dias de hoje? Na razão como muitos disseram e ainda dizem? Hans Küng no seu livro titulado Por que ainda ser cristão hoje? Comenta:

“(…) Não pode simplesmente ser fundamentada de forma racional, unicamente com a razão, como o desejava Sigmund Freud.” (Hans Küng. Por que ainda ser cristão hoje? – 2004. p 13)

A consequência da racionalidade cega é a grave crise de orientação. Pois, já não existe o sagrado, a sociedade moderna experimenta conflitos que ela mesma não consegue superar, avaliar e nem mesurar. É o que Rubem Alves denuncia:

“É altamente duvidoso que qualquer industrial, convencido de que a natureza é criação de Deus, e portanto sagrada, tenha perdido o sono por causa dos males da poluição.” (Rubem Alves. O que é religião? – 2008. p 10)

Deus é transcendental a nós. Sua benevolência, Sua realeza é real. Somos frutos que brotam alimentados pela seiva que vem de Deus. Deus está acima de nós e nós dentro Dele. Pensar em um Deus alheio ao mundo é um risco demasiado, de modo que, podemos dizer que Deus também é imanente. Assim sendo, concluímos convencidos de que cabe o bom senso, pois ambas as posições filosóficas apresentam um aspecto da verdade.

REFERÊNCIAS

  • ALVES, Rubem. O que é religião? – 9ª ed. São Paulo: Loyola. 2008.
  • BOFF, Leonardo. Ética e eco-espiritualidade. Campinas, SP: Verus Editora. 2003.
  • BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Petrópolis, RJ: Vozes. 1999
  • KÜNG, Hans. Por que ainda ser cristão hoje? / Tradução Carlos Almeida Pereira. Campinas, SP: Verus Editora. 2004.
  • SHEEN, Fulton J. Filosofia da Religião. Rio de Janeiro: Agir. 1960.

Autor: ANTÔNIO SOUZA

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A ascensão do Senhor: Continuar a Missão!

Domingo, 28 de maio de 2017

Solenidade da Ascensão do Senhor

Certamente esse modo novo do Senhor de se manifestar entre os homens passa pela Comunidade, por suas atitudes que dão continuidade à missão do Senhor e que asseguram a continuidade da construção do Reino de Justiça e de Paz.

O Livro dos Atos dos Apóstolos, do qual é tirada a primeira leitura da solenidade de hoje, nos mostra Jesus dizendo aos seus discípulos que eles receberão o Espirito Santo e que Este os tornará suas testemunhas no mundo inteiro.

O Espírito que os discípulos receberão é o mesmo que esteve presente em Jesus. Os anjos que aparecem após a “subida” de Jesus ao Céu dizem aos discípulos para não ficar de braços cruzados, mas agir, isto é, continuar a missão do Senhor. Os anjos dizem aos discípulos que Jesus vai voltar. Isso nos recorda a parábola contada pelo Senhor em que o patrão quando volta de viagem quer saber de seus servos o que fizeram, qual o produto do trabalho. Os anjos nos recordam a necessidade de deixar de ficar olhando para o céu e colocar mãos à obra, trabalhar!

O Evangelho de Mateus nos fala que o poder que Jesus recebeu do Pai e foi plenificado após sua ressurreição, é dado à Comunidade para que “ Vá e faça discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que lhes ordenei!”

Batismo e catequese! Batismo é a consagração, a configuração a Jesus Cristo, o Ungido e a Catequese é a implementação da Justiça. Logo, deveremos levar as pessoas a se configurarem ao Homem Novo, de acordo com o desejo do Pai e, depois, após conscientizá-los, levá-los a praticar a justiça e as bem-aventuranças. E Mateus termina citando a certeza da presença eterna de Jesus ao nosso lado: “ Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo!”

A Ascensão de Jesus é a transformação da presença do Emanuel, do Deus Conosco. Sua presença é manifestada não através de uma figura visível, a de Jesus, mas através da ação libertadora praticada pelos membros da Comunidade.

Quando chegar o final dos tempos, a Parusia, veremos a “re-velação” do Senhor. Veremos que atrás de cada atitude cristã estava o Redentor – Cristo, o Autor de todo ato de bondade – o Pai, e nos inspirando, o Espírito de Amor».

(Reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos para a Solenidade da Ascensão do Senhor)

Ainda sobre o Terço dos Homens

Sábado, 27 de maio de 2017

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Há pouco estava vendo os comentários aos textos em nosso blog. Nas configurações, devo avaliá-los para só depois os mesmos se tornarem públicos.

O texto publicado​ ontem sobre o Terço dos Homens de autoria de Solange do Carmo, provocou a ira de muitas pessoas. A maioria dos comentários nem pude aprovar pois estavam cheios de palavras agressivas. Reflexo de um Contra-testemunho cristão. Os dois que pude aprovar até agora, não por elogiar o texto mas por ser menos agressivos​, me atacavam​ de forma radical. Os mesmos me atribuíam os créditos do texto. Responsabilizando-me pelo que ele entende ser pura heresia.

Ficou claro que eles não leram o texto. Não com o devido filtro hermenêutico. Senão, teriam percebido que o mesmo é assinado por Solange do Carmo e não por mim. Os comentaristas também não entenderam que o texto critica não a oração do terço em si mas o direcionamento de todo um caminhar na Igreja meramente devocional. Ela, a autora do texto, ainda vai além, questionando o porquê de ser este movimento exclusivamente masculino. Com isso se perde a vivência cristã católica em família. Uma espécie de “clube do bolinha”. Algo que vai contra as reflexões do Papa Francisco em “Amoris Laetitia” que valoriza a vivência cristã e o amor em família.

Por fim, chama-me a atenção o radicalismo dos comentários. Em um comentário que não aprovei, a pessoa dizia que o texto era inspirado pelo demônio. Que este desejava afastar as pessoas do terço, arma poderosa contra o maligno. Aí cabe mais uma reflexão: Como o pensar de alguns de nossos irmãos se resume em uma possível batalha espiritual entre Deus, sua Igreja e o demônio! Isto é de um fundamentalismo gritante. Tal pensamento é uma aculturação de alguma pseudoteologia ausente de qualquer hermenêutica, exegese ou algo que a sustente.

Radicalismo, Intolerância, proselitismo: não condizem com Cristo e seu Evangelho. O método “ou a cruz ou a espada” foi adotado nas cruzadas medievais e este é um dos episódios mais desastrosos da história da Igreja.

Fica-nos a certeza de que mais do que a legitimidade deste ou daquele movimento, está o imperativo de Jesus: “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua Justiça.”

H. Fernandes

A mística de São Francisco de Assis

Sábado, 27 de maio de 2017.


Cada um esteja lá, no seu CENTRO, no seu NÚCLEO INTERIOR… e de lá VENHA!

Estamos vivendo um grande momento de visualização da proclamação da sede do divino. Seria uma reação contra o esvaziamento religioso-espiritual da passagem dos tempos modernos? Uma revanche do sagrado sobre a cultura profana? O certo é que estamos vivendo um forte momento de um movimento psico-místico-paracientífico-espiritual-terapêutico. Alguns falam da necessidade de uma cura interior. Outros sonham com a volta da garantia aos filhos da terra, de um lugar privilegiado sob o olhar misterioso da Divindade.

Estamos vivendo também um tempo de uma onda mística que reflete forte dose compensatória de carência existencial. Mas a mística não é uma experiência espiritual que pertence a uma elite espiritual, mas é uma experiência aplicável à toda humanidade no seu dia a dia.

A MÍSTICA É A UNIÃO AMOROSA COM O MISTÉRIO ATRAVÉS DA CONTEMPLAÇÃO DO MISTÉRIO.

1– O mistério como objeto da mística
2- A contemplação como método da mística
3– A união amorosa como finalidade da mística

A questão tem como tema A MÍSTICA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS (1181/1182-1226), uma testemunha eloquente que viveu uma PROFUNDA MÍSTICA DE DEUS. Sem dúvida, o Santos de Assis, é um dos grandes místicos da história do cristianismo. Contudo, não deixou nenhum escrito sistemático sobre a sua experiência mística, a sua visão sobre a mística e contemplação, ou o conteúdo e método da sua experiência. Mas isto não impede a possibilidade de buscar a identidade de tal experiência. Cada experiência originária do mistério divino não depende da reflexão verbalizada. São Francisco deixou uma rica fonte de escritos, e a maior parte destes escritos sugiram desta experiência originária do mistério divino.

O Santo de Assis no século XII e nós, hoje no século XXI, precisamos nos encontrar na força iniciática; na busca incessante do mistério divino em todos os detalhes da existência. Há no ar uma convocação para fechar a boca num silêncio que fala; a atitude de recolhimento para colher o essencial; o nascivo do contexto religioso extremo bem ligado ao mistério; a experiência mais interna; a realidade mais transcendente; a vivência de uma causa pela qual vale a pena entregar a própria vida. Uma escuta da voz interior; um ser totalmente envolvido por um projeto; um fenômeno interno do espírito; uma comunhão com o mundo do divino.

O sagrado atrai a criatura
A criatura deixa-se atrair
“Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir!” (Jr 20,7)

Mística… não vamos nos preocupar se temos ou não temos, mas desde já, abrir o nosso coração para encontrar-se com ela. Que o caminho deste Curso seja de entusiasmo, isto é, daqueles que tem um Deus dentro. Sempre quando somos entusiasmados, somos divinos.

Esta é a força contagiante de São Francisco de Assis: ele é naturalmente uma mística fontal em sua natureza mais íntima; e aqui está a sua eterna magia e seu poder de atração.

É preciso ter o faro místico espiritual para sentir o cheiro de Deus que passa. Ter mais perfume na vida.

 

Frei Vitório Mazzuco

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