Terça feira, 11 de abril de 2017

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De cada 20 canções de louvor cantadas nos templos católicos e evangélicos 19 falam e cantam o louvor!
A solidariedade e a compaixão e a família raramente são celebradas nos templos. Os casais, pais e filhos, noivos, pobres e enfermos e a justiça social nunca são cantadas.
Isto, quando 130 dos 150 salmos cantam a libertação dos pobres e de um povo oprimido.
Canta-se voltado para o altar e raramente para o mundo lá fora sobre o qual se ora.
Na hora de orar os cantores pensam no mundo pecador. Mas, na hora de cantar esquecem de cantar as cruzes que o povo carrega.
A música religiosa católica e evangélica enveredou pelo funil do louvor e esqueceu os grandes temas bíblicos que os profetas celebravam!
É como se Isaías, Amós, Jeremias, Oséias e os Salmos não tivessem existido e só tivessem  cantado os louvores a Javé.
De tal maneira, a nova mídia religiosa entrou na música católica e pentecostal e evangélica, que na maioria das paróquias e seminários, e até das congregações e ordens com mística próprias e cantos próprios, o que se ouve nas missas são as canções voltadas 97% para o louvor. Isto em todas as igrejas.
Os cristãos desistiram de cantar a solidariedade e a compaixão! Vão na direção oposta aos profetas libertadores.
Apenas abordam a libertação do coração pecador. Fome, violência, separações de famílias, crianças abandonadas, adolescentes sem educação, corrupção… não se canta e não se exorta! Os profetas não fugiam destes temas! Os cantores cristãos dos últimos 30 anos optaram por não tocar nestes temas!
Família, ecumenismo, solidariedade, temas sociais, violência contra as mães, pais e filhos, enfermos, libertação, ecologia, nada disso é cantado. Como se a Igreja só pudesse evangelizar com cantos de louvor!
Agem como se a compaixão pelos pobres, pelos enfermos e pelo diálogo em família  não fossem uma forma de louvor!
Alguém tem que passar aos compositores e cantores de agora textos de Mateus 25, 31-46; Mt 7, 15-22; Mt 5, 23 e os salmos políticos e sociais para que se inspirem neles!
Liturgia não é só louvor. Também é teologia, sociologia, catequese familiar e compaixão.
Bastaria ver as leituras do dia, os salmos e os responsórios!
Quem motivou  essa moçada a só cantar louvores esqueceu de ensinar o louvor que clama em favor do pobre e do coração ferido!
Louvor sem compaixão é cruz de um só poste. Não tem os braços estendidos para as dores do povo!
Será que alguém vai me rebater e provar que estou enganado? Ou o que eu digo merece uma séria reflexão?
Padre Zezinho scj
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