Quinta feira, 06 de abril de 2017

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Frei Almir Guimarães

   O Papa Francisco tem insistido muito no tema da misericórdia. Em suas homilias e intervenções não cessa de voltar ao assunto. Quando falamos em misericórdia  pensamos nas posturas  delicadas, carinhosas de Jesus em seu modo de agir:  proximidade do que é frágil, um  voltar-se interior  para os que estão sem ânimo, jogados à beira do caminho, viúvos, órfãos, cegos, rejeitados, pecadores.  Contemplamos sempre a paisagem da cruz: o mais belo dos filhos dos homens tendo seu peito aberto, seu coração exposto, para dizer que não existe maior amor do que dar a vida pelos seus, que o sentido de nossa vida é dar vida, semear vida, ter um coração aberto para os outros, alimentar com a água do Coração de Jesus todos esses. Os que estão jogados à margem da vida necessitam do coração daqueles que são tocados pelo amor do Coração do Redentor.  O  Coração aberto de Jesus sobre a cruz pede que  nosso coração continue a manifestar amor.

São muitos os que estão jogados à beira da vida: crianças que não têm pai e mãe valentes, unidos, amorosos;  velhos jogados em  fétidos hospitais;  mulheres mal amadas por seus maridos e exploradas pela vida;  presidiários que  já deveriam estar em liberdade;  moços e moças homoafetivos que são rejeitados e mortos;   seres da era digital que são incapazes de fazer uma viagem à sua interioridade;  homens e mulheres  macerados pelo trabalho  sem sonhos, sem lazer, sem esperança.  O Coração de Jesus se volta para esses todos através de cada um de nós.

Agir com misericórdia e bondade!  Este o convite do Coração aberto de Jesus a cada um de nós.

Transcrevemos duas reflexões sobre a misericórdia que nos falam muito  do jeito de praticar a bondade para com os outros:

Senhor, se eu tivesse entranhas de misericórdia…
sairia de minha casa para encontrar-me com os necessitados;
de minha apatia para ajudar os que sofrem;
de minha ignorância para conhecer os ignorados;
de meus caprichos para socorrer os famintos;
de minha atitude crítica param compreender os que falham;
de minha suficiência para estar com os incapazes;
de minhas pressas para dar meu tempo aos abandonados;
de minha preguiça para ajudar os cansados de gritar;
de minha burguesia para compartilhar com os pobres.

Quero crer, Senhor,
que o grande é pequeno,
que o último é o primeiro;
que o pobre é o preferido,
que o insignificante é que conta para ti.
Quero crer isto, mas me custa,
porque eu mesmo não vejo
que importem tantas crianças sem hoje.
O mundo pode passar sem elas
e sem notar sua falta.
Senhor, dize-me que a ti te importam, por favor!

Nota:  As duas orações acima transcritas  são de  F. Ulibarri,  citadas por José A. Pagola em  Grupos de Jesus, Vozes, p.  184-185.

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