Poema de Dom Pedro Casaldáliga

 

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Eu, Araguaia e tu, um tempo só.

Abraamicamente numerosas,

nos garantem o sonho proibido

as estrelas, lá fora canceladas.

 

O ipê batiza ainda com ouros gratuitos

o Silêncio, o que nós, ó Araguaia,

conseguimos salvar dos invasores.

 

Sempre ainda encontramos — eu e tu —

a pergunta inquietante de uma garça, na beira,

provocando respostas, acordando o Mistério.

 

Tu estavas, no princípio,

de acordo com a Lua, sacerdotisa virgem,

alfombrando as cadências do Aruanã sagrado.

 

Os potes Karajá recolhiam teus olhos

e os peixes costuravam de prata teu banzeiro.

 

Ainda o Padim Ciço não mostrara

tua bandeira Verde aos retirantes.

 

Não havia Funai, Sudam, nem Incra.

Era Deus e as aldeias

 

26 de fevereiro de 2017

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