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Nos Caminhos de Francisco

Seguir Jesus a exemplo de Francisco de Assis

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fevereiro 2017

Algumas considerações sobre o Amor

 

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A universalidade do amor está no particular profundo do encontro entre duas almas, corpo, mente, alma e coração. A glória do amor passa do êxtase à dor, da calma ao desespero, da vida à morte, da chama à sombra. O jeito de amar dispara corações, enrubece faces, dá fogo aos olhos, ritmo nas palavras e delirantes conversas silenciosas.

O amor cria mil e-mails, pertinentes telefonemas, desperta a criança adormecida, cria exaustivas cobranças, adora defeitos e sublima virtudes. O amor condena e endeusa; gosta de deitar acordado para que o sonho venha antes de dormir. O amor brinca no céu e desce ao inferno. É uma química de energia, nó na garganta, aperto no peito, fôlego acelerado e escancarada porta dos desejos.

O amor é cantado por poetas, bardos e menestréis, seresteiros, romancistas, compositores e autores. Ele é drama e rito, cama e mito, sonhados passeios de mãos entrelaçadas. Tempestade interna e beleza simples de paisagem externa, píncaro e abismo, flor e espinho. Anima quando aparece e cresce quando se ausenta, é um comichão de saudade quando separa. Das Cantigas de Amor às Cantigas de Amigo, crime e castigo, louvor e prece, o amor e os amantes são bênçãos e marcas no chão da existência.

Adão e Eva jogaram a serpente no paraíso do amor. Orfeu e Eurídice mostraram que é preciso morrer com a amada. Tristão e Isolda conheceram a mais mortal tristeza. Heloísa e Abelardo estudaram nas noites e descobriram que o intelecto também desperta paixão intensa. Romeu e Julieta experimentam a tragédia de separar e unir famílias. Dante e Beatriz revelam o amor que é musa e inspiração, divina comédia humana. Léo e Bia, de Oswaldo Montenegro, dizem que qualquer maneira de amor varia, “como se faz com todo cuidado, a pipa que precisa voar; cuidar do amor exige mestria, e souberam amar”. Eduardo e Mônica, o amor em meio a toda Legião Urbana perguntam: “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”

E Francisco de Assis e Clara de Assis? Como dizer? Há o segredo e o silêncio das Fontes. Eles são a mais nítida evidência de que o Amor é Encarnado, é Pão e Cruz, prece e sintonia, mística e poesia, itinerário e sacrário, palavras e recolhimento… enfim mostraram que o Amor é Divino!

       Vitório Mazzuco OFM

28 de fevereiro de 2017

Sobre a Quarta feira de Cinzas

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Neste início da Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa, recordamos algumas coisas essenciais que todo católico precisa saber para poder viver intensamente este tempo.

1. O que é a Quarta-feira de Cinzas?

É o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a converter-se e a preparar-se verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa.

A Quarta-feira de Cinza é uma celebração que está no Missal Romano, o qual explica que no final da Missa, abençoam e impõem as cinzas obtidas da queima dos ramos usadas no Domingo de Ramos do ano anterior.

2. Como nasceu a tradição de impor as cinzas?

A tradição de impor a cinza é da Igreja primitiva. Naquela época, as pessoas colocavam as cinzas na cabeça e se apresentavam ante a comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa.

A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos quase 400 anos d.C. e, a partir do século XI, a Igreja de Roma impõe as cinzas no início deste tempo.

3. Por que impõem as cinzas?

A cinza é um símbolo. Sua função está descrita em um importante documento da Igreja, mais precisamente no artigo 125 do Diretório sobre a piedade popular e a liturgia:

“O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canônica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada batizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Devem ajudar aos fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal”.

4. O que simbolizam e o que recordam as cinzas?

A palavra cinza, que provém do latim “cinis”, representa o produto da combustão de algo pelo fogo. Esta adotou desde muito cedo um sentido simbólico de morte, expiração, mas também de humildade e penitência.

A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra” (Gn 2,7); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3,19).

5. Onde podemos conseguir as cinzas?

Para a cerimônia devem ser queimados os restos dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estes recebem água benta e logo são aromatizados com incenso.

6. Como se impõe as cinzas?

Este ato acontece durante a Missa, depois da homilia e está permitido que os leigos ajudem o sacerdote. As cinzas são impostas na fronte, em forma de cruz, enquanto o ministro pronuncia as palavras Bíblicas: “és pó e em pó te tornarás” ou “convertam-se e cream no Evangelho”.

7. O que devem fazer quando não há sacerdote?

Quando não há sacerdote, a imposição das cinzas pode ser realizada sem Missa, de forma extraordinária. Entretanto, é recomendável que antes do ato participem da liturgia da palavra.

É importante recordar que a bênção das cinzas, como todo sacramental, somente pode ser feita por um sacerdote ou um diácono.

8. Quem pode receber as cinzas?

Qualquer pessoa pode receber este sacramental, inclusive as não católicas. Como explica o Catecismo (1670 ss.) “sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela”.

9. A imposição das cinzas é obrigatória?

A Quarta-feira de Cinzas não é dia de preceito e, portanto, não é obrigatória. Não obstante, nesse dia muitas pessoas costumam participar da Santa Missa, algo que sempre é recomendável.

10. Quanto tempo é necessário permanecer com a cinza na fronte?

Quanto tempo a pessoa quiser. Não existe um tempo determinado.

11. O jejum e a abstinência são necessários?

O jejum e abstinência são obrigatórios durante a Quarta-feira de Cinzas, como também na Sexta-feira Santa, para as pessoas maiores de 18 e menores de 60 anos. Fora desses limites, é opcional. Nesse dia, os fiéis podem ter uma refeição “principal” uma vez durante o dia.

A abstinência de comer carne é obrigatória a partir dos 14 anos. Todas as sextas-feiras da Quaresma também são de abstinência obrigatória. Outras sextas-feiras do ano também, embora segundo o país pode ser substituído por outro tipo de mortificação ou oferecimento como a oração do terço.

27 de fevereiro de 2017

Eu, o Araguaia e tu

Poema de Dom Pedro Casaldáliga

 

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Eu, Araguaia e tu, um tempo só.

Abraamicamente numerosas,

nos garantem o sonho proibido

as estrelas, lá fora canceladas.

 

O ipê batiza ainda com ouros gratuitos

o Silêncio, o que nós, ó Araguaia,

conseguimos salvar dos invasores.

 

Sempre ainda encontramos — eu e tu —

a pergunta inquietante de uma garça, na beira,

provocando respostas, acordando o Mistério.

 

Tu estavas, no princípio,

de acordo com a Lua, sacerdotisa virgem,

alfombrando as cadências do Aruanã sagrado.

 

Os potes Karajá recolhiam teus olhos

e os peixes costuravam de prata teu banzeiro.

 

Ainda o Padim Ciço não mostrara

tua bandeira Verde aos retirantes.

 

Não havia Funai, Sudam, nem Incra.

Era Deus e as aldeias

 

26 de fevereiro de 2017

Quem anda agredindo Dom Odílio, não o conhece

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No desejo de defender a “honra” de Nossa Senhora por saber que uma escola de samba vai lembrar os 300 anos da aparição da Imagem de nossa Senhora Aparecida, muitas pessoas tem agredido a pessoa de Dom Odílio Scherer.

Fazem isso porque não o conhecem.

Odilo Pedro Scherer (Cerro Largo, 21 de setembro de 1949) é um cardeal brasileiro, décimo nono bispo de São Paulo, sendo seu sétimo arcebispo e quinto cardeal. Atualmente exerce também a função de Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Filho de Edwino Scherer e Francisca Wilma Steffens Scherer, é descendente de imigrantes alemães da região do Sarre (Saarland) radicados no Rio Grande do Sul, é o sexto filho do casal, em total de 13 irmãos. É parente distante do falecido Cardeal Dom Vicente Scherer.

Seus estudos primários foram realizados no Seminário São José, em Toledo no Paraná, onde o bispo Dom Armando Círio foi o idealizador e responsável. Os reitores, à época, foram o padre Santo Pelizer, depois padre Luís Vacaro. Foi então transferido para o Seminário Menor São José, em Curitiba, no mesmo estado do Paraná.

Realizou seus estudos preparatórios no Seminário Menor São José, em Curitiba. O curso de Filosofia foi cursado no Seminário Maior Rainha dos Apóstolos, também em Curitiba, e na Faculdade de Educação da Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul (1970-1975). Cursou Teologia no Studium Theologicum, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba.

É mestre em Filosofia e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (1994-1996).

Foi reitor e professor no Seminário Diocesano São José, em Cascavel (1977-1978); no Seminário Diocesano Maria Mãe da Igreja, em Toledo (1979-1982 e 1993); professor de Filosofia na Faculdade de Ciências Humanas Arnaldo Busatto, em Toledo (1980-1985); na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, em Toledo (1985-1994); professor de Teologia no Instituto Teológico Paulo VI, de Londrina (1985); vigário paroquial e cura da Catedral Cristo Rei, de Toledo (1985-1988); reitor do Seminário Teológico de Cascavel (1991-1992); diretor e professor do Centro Interdiocesano de Teologia de Cascavel (1991-1993); reitor do Seminário Diocesano Maria Mãe da Igreja (1993); membro da Comissão Nacional do Clero da CNBB (1985-1988); da Comissão Teológica do Regional Sul II (1992-1993); oficial da Congregação para os Bispos, na Cúria Romana (1994-2001).

Em 28 de novembro de 2001, o Papa João Paulo II, o designou bispo-titular de Novi e auxiliar de São Paulo, aos 52 anos.

Recebeu a ordenação episcopal, em 2 de fevereiro de 2002, sendo Ordenante principal o Cardeal Dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo, e consagrantes: Dom Armando Círio OSI, arcebispo emérito de Cascavel, e Dom Anuar Battisti, então bispo de Toledo.

No dia 9 de março de 2002, tomou posse como bispo auxiliar de São Paulo.

Foi bispo auxiliar de São Paulo (2002-2007); secretário-geral da CNBB (2003-2007); secretário-geral adjunto da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina CELAM e do Caribe, em maio de 2007. Desde 2007 é membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB.

Em 20 de março de 2007, foi nomeado Arcebispo de São Paulo, a terceira maior arquidiocese católica romana do mundo, assumindo dessa forma também o cargo de Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)[3]. Recebeu o pálio das mãos do Papa Bento XVI, no dia 29 de junho de 2007.

No dia 8 de maio de 2011 foi eleito presidente do Regional Sul I da CNBB.

Em 24 de novembro de 2007, foi elevado ao cardinalato pelo Papa Bento XVI, no Consistório de 2007, na Basílica de São Pedro, recebendo o título de Cardeal-presbítero de Santo André no Quirinal, sendo um dos mais jovens membros do Colégio Cardinalício.

Em dicastérios vaticanos é membro da Congregação para o Clero, da Comissão Cardinalícia de Vigilância do Instituto para as Obras de Religiões, do XII Conselho Ordinário da Secretaria do Sínodo dos Bispos, do Pontifício Conselho para a Família, da Pontifícia Comissão para a América Latina e do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

Foi eleito como membro delegado pela CNBB para participar como Padre Sinodal da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos a se realizar no Vaticano de 7 a 28 de outubro de 2012.

Em novembro de 2012, como Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nomeou a terceira colocada na lista tríplice Anna Cintra. Embora o cargo de grão-chanceler lhe garanta o direito de optar por qualquer um dos três nomes, a escolha causou o descontentamento de alguns professores e alunos que esperavam a nomeação do primeiro nome da lista, como sói acontecer. O fato que também agravou foi o tempo para a nomeação, pois esperou por quase dois meses para nomear as vésperas do recesso acadêmico (férias) o que não teria sido bem visto pela comunidade acadêmica. Em 15 de fevereiro de 2013, o Vaticano confirmou a escolha do cardeal e oficializou Anna Cintra no cargo de reitora.

No dia 12 de março de 2013, adentrou o Conclave Papal, na Capela Sistina, na cidade do Vaticano, sendo citado pela mídia internacional como um dos possíveis papabiles, em substituição a Bento XVI, que renunciou, dias antes.

Estas são, até onde pude apurar, as referências do Cardeal Scherer. Não podemos esquecer que o mesmo foi um dos nomes cotados para Sumo Pontífice por ocasião das renúncia de Bento XVI. Uma vida dedicada a Igreja. De conduta indelével. Caráter inegável.

Neste sentido, penso que as questões apresentadas e críticas feitas a ele são no mínimo injustas. O Católico que não entendeu sua posição em relação às homenagens da escola de samba aos 300 anos do aparecimento da imagem, deve – pelo menos – respeitar o currículo inquestionável do Cardeal e sua história de dedicação à Igreja.

Só quem não conhece a História de Dom Odílio é que se deixa levar por opiniões moralistas e mal fundamentadas. Dom Odílio sabe o que faz. Tem meu amor, respeito e obediência.

Fr Abreu

 

24 de fevereiro de 2017.

Nossa Senhora no Carnaval, por Dom Odílio Scherer

Sou muito devoto da Mãe de Jesus, Nossa Senhora, invocada com carinho sob muitos títulos. Desde criança, aprendi a rezar o terço, a cantar à “Mãezinha do Céu” e a me consagrar a ela todos os dias. Com o povo católico, alegro-me pela comemoração dos 300 anos do achado da imagem sagrada da Mãe Aparecida e escrevi, recentemente, uma carta pastoral à Arquidiocese de São Paulo, com o título “Viva a Mãe de Deus e nossa”, sobre o lugar de Maria no coração de Deus, de Jesus Cristo e da Igreja, não podendo estar ausente do coração dos cristãos. E fico triste cada vez que se desrespeita a Mãe de Jesus; é como se fosse destratada minha própria mãe.

Nossa Senhora Aparecida no Carnaval

Desejo, pois, desfazer dúvidas e temores a respeito da “homenagem a Nossa Senhora Aparecida” que a escola de samba “Unidos de Vila Maria” vai fazer no carnaval de 2017, em São Paulo. No dia 25 de março de 2015, fui procurado pelos representantes da citada escola de samba. Em vista do 3º centenário do encontro da imagem sagrada nas águas do rio Paraíba do Sul, achavam que seria a ocasião propícia para apresentar o tema de Aparecida num enredo do carnaval de 2017, como um tributo a Nossa Senhora Aparecida. Indaguei sobre o formato da proposta que apresentavam e, desde logo, procurei verificar se era algo sério, que não desrespeitasse minimamente a Mãe de Jesus, ou debochasse da fé do povo católico. Obtive todas a explicações que desejava e lhes informei que era necessário refletir e que a “autorização” pedida não dependia apenas do arcebispo de São Paulo. Eles, desde logo, se dispuseram a aceitar todas as orientações de nossa parte. Mais ainda: pediram uma supervisão, da parte da Igreja, para os preparativos da homenagem.

A questão foi levada ao conhecimento do Conselho Pro-Santuário Nacional de Aparecida, encarregado de acompanhar, em nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a vida pastoral e administrativa do Santuário. Participam do Conselho, além do Arcebispo de Aparecida e do Presidente da CNBB, vários outros arcebispos do Brasil e também o Reitor da Basílica. O pedido da “Vila Maria” foi exposto na reunião de 27 de março de 2015. Levantaram-se várias questões e foram pedidos esclarecimentos, em vista de uma resposta à Escola Unidos de Vila Maria.

O Conselho, por unanimidade, deu parecer favorável à iniciativa, mas recomendou que fossem observados alguns critérios: 1. Respeito à imagem de Nossa Senhora Aparecida, à fé e à religiosidade do povo católico; 2. Fidelidade aos fatos históricos; 3. Apresentação da genuína piedade mariana católica, sem sincretismos; 4. Decoro no desfile da escola, sem exposição de nudez; 5. Supervisão dos preparativos pelo Santuário de Aparecida e pela Arquidiocese de São Paulo.

“Para alguns, a iniciativa pode parecer chocante, pois o carnaval e o sambódromo não seriam os locais mais adequados para homenagear Nossa Senhora”.

A agremiação aceitou sem reservas todos esses critérios. Os Diretores da “Unidos de Vila Maria” asseguraram que também eles são devotos de Nossa Senhora Aparecida e, longe de desrespeitarem a Mãe de Deus, eles lhe queriam tributar uma singela homenagem, em nome de todos os brasileiros. O Reitor do Santuário Nacional e representantes da Arquidiocese de São Paulo acompanharam a elaboração da proposta do desfile. Antes da confecção das alegorias, os projetos e a letra do samba-enredo foram mostrados e receberam sugestões. Por isso, até o presente, não há motivos para pensar que a imagem de Maria seja profanada, nem que seja desrespeitada a fé dos católicos. Na sede da “Unidos de Vila Maria” há um nicho com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, sempre com flores, e as pessoas rezam diante dela.

A apresentação consistirá numa série de alegorias, música e danças, narrando o encontro da imagem, o contexto histórico e social da época, as primeiras devoções e milagres, a relação da Princesa Isabel com Aparecida, oferecendo o manto e a coroa, a construção das duas basílicas, as romarias e o significado cultural da devoção a Nossa Senhora Aparecida. Trata-se de algo mais amplo do que uma homenagem religiosa.

“Mas será que Maria não gostaria de chegar lá, onde mais se faz necessária a sua presença?”

Para alguns, a iniciativa pode parecer chocante, pois o carnaval e o sambódromo não seriam os locais mais adequados para homenagear Nossa Senhora. Até pode ser, pois tudo depende da intenção e da forma como as coisas são feitas. No caso em questão, a intenção é boa e a forma também. O lugar seria impróprio para honrar a puríssima Virgem Maria? Mas será que Maria não gostaria de chegar lá, onde mais se faz necessária a sua presença?

Pensemos bem: não rezamos a Santa Missa em praças, estádios e ginásios de esporte, onde tantas coisas pouco decorosas acontecem e são ditas? Não levamos nós o Santíssimo Sacramento para as praças e avenidas, onde acontecem injustiças e violência e prostituição? Para as cracolândias e outros locais, onde se profana a dignidade humana e o santo nome de Deus? Não foi para os pecadores que Jesus veio ao mundo? E sua Mãe Santíssima não iria com Ele a esses locais? E Jesus não entrou na casa de publicanos e pecadores, escandalizando fariseus e mestres da Lei? E não permitiu que uma mulher, conhecida de todos como pecadora, banhasse seus pés com as lágrimas, os beijasse e ungisse com perfume? E os católicos não poderiam honrar o nome de Deus, professar sua fé e prestar homenagem a Nossa Senhora também no sambódromo?

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

24 de fevereiro de 2017.

Atentado a Frei Gilberto

 
No último dia 19 de fevereiro, domingo, o nosso querido Frei Gilberto Teixeira, Administrador Paroquial da Paróquia de Santo Antônio, em Belisário, distrito de Muriaé, sofreu um atentado por ameaça de morte, com a exibição de arma de fogo. Foi abordado quando, encerrada a missa dominical com sua comunidade, entrou, sozinho, na casa paroquial. O bandido fez questão de lhe informar que o acompanha em todos os seus atos e movimentos, nos últimos tempos. Impôs-lhe que se calasse em todos os pronunciamentos sobre os direitos dos seus paroquianos, para não ser morto. E que era o último aviso.
Frei Gilberto, em sua função missionária, como deve ser, vem prestando  assistência e apoio aos pequenos agricultores de sua comunidade, na luta contra a espoliação de suas terras e a degradação das áreas de lavouras familiares. Em nosso País, como temos assistido com muita dor, os ditos “grandes empreendimentos” não suportam argumentação que contrarie seus planos, sabedores de que sempre sairão vitoriosos. Pelo que, ignoram qualquer bem-estar ou direito dos fracos. Se entender necessário, desprezam até mesmo a vida humana dos contraditores.  Irmã Dorothy é uma das nossas mais recentes e dolorosas memórias…Diante deste monstruoso atentado, a Diocese de Leopoldina não pode nem vai se calar, enquanto a questão for a segurança, o direito e o bem-estar de nosso Clero e das nossas comunidades. Frei Gilberto fazia o que toda a nossa Diocese faz e fará sempre. Temos compromisso com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua milenar opção pelos mais sem-voz e sem-vez e, nestes últimos tempos, acompanhando o Santo Padre, o Papa Francisco, no “Cuidado com a Casa Comum”, na recomendável leitura de sua Carta “Laudato SÌ”. A vida de nosso povo e o meio-ambiente saudável não são questão secundária para a nossa Igreja. “Que todos tenham vida e a tenham em abundância” – como o Senhor Jesus proclamou.
Tornamos público que todas as medidas necessárias à segurança pessoal de Frei Gilberto estão sendo tomadas e que as autoridades foram devidamente acionadas para que se investigue e que o autor, e o mandante se for o caso, sejam criminalmente responsabilizados.

Assim, esperamos que o mandante retire suas sentenças e que as autoridades constituídas venham em socorro imediato daquelas comunidades, para que se assegurem os sagrados direitos às suas pequenas propriedades, à proteção aos saudáveis e ricos mananciais de água potável de extraordinária qualidade que ali nascem. E, por fim, que os serviços de evangelização e expressões religiosas não venham  jamais  ser amordaçados. E que nunca o valor econômico-financeiro se sobreponha ao sagrado valor da vida humana!

Leopoldina,23 de fevereiro de 2017

Dom José Eudes Campos do Nascimento  – Bispo Diocesano

Pedro Lopes  Lima – Chanceler  do Bispado

Publicado em 24 de fevereiro de 2017.

Roma: Igreja das freiras da Congregação de São João Batista acolhem moradores de rua todas as noites

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Roma – As religiosas da Congregação das Irmãs de São João Batista decidiram colocar à disposição a cripta da igreja, que fica dentro de uma clínica privada de atendimentos médicos em Roma, para hospedar, todas as noites, cerca de 20 moradores de rua. A iniciativa partiu depois do apelo do Papa Francisco para ajudar essas pessoas nos dias de frio mais intenso no inverno.

A Villa Benedetta no bairro Boccea é uma estrutura sanitária das freiras, que vivem ali em 37, mas administrada por médicos e profissionais da saúde. Para receber os novos hóspedes, a cripta foi preparada pelos voluntários da histórica associação romana La.Va. (Lavoro Vagabondo), coordenados pelo Pe. Raffaele Buono. Eles distribuíram as camas, com cobertas, travesseiros e cadeiras.

Segundo o sacerdote, “sem pensar muito, as irmãs ofereceram espontaneamente o lugar muito amado, onde celebram as principais festividades e liturgias. Querem responder ao apelo do Papa e colocar na prática o carisma do fundador Santo Antônio Maria Fusco”.

A ideia é continuar oferecendo abrigo aos moradores de rua até o final de abril, para depois ser novamente avaliada a situação. Atualmente a cripta recebe italianos, romenos, bengaleses, iraquianos e alguns rapazes africanos que desembarcaram na Sicília meses atrás, todos acomodados temporariamente depois de solicitação formal à Cruz Vermelha.

Ao chegarem às 20h, os hóspedes recebem sanduíches vegetarianos e pedaços de pizza, para respeitar as tradições muçulmanas, mas também doces típicos romanos. Ao acordar, às 6h, são agraciados com croissants e chá quente que as irmãs levam pessoalmente todos os dias.

O Pe. Raffaele Buono confirma que, nos últimos anos, a situação tem piorado na capital: “a gente recebe cada vez mais italianos”, diz ele. “Muitos são idosos que, se não têm casa própria, não conseguem viver com a pensão social. Muitos jantam aqui, um sanduíche e uma fruta. Como associação, nós distribuímos caixas de alimentos e ajudamos a pagar as contas”.

E o sacerdote que leva não somente no sobrenome a benevolência, finaliza: “existe muita generosidade e disponibilidade. O próprio Papa Francisco, gota a gota, está incidindo nas consciências, inclusive naquelas dos párocos menos sensíveis ao tema. A mudança de mentalidade não é fácil, mas com constância e coragem se consegue mudar o sentir coletivo”.

Fonte: Rádio Vaticano

O Pensamento Franciscano como objeto de Pesquisa no contexto da Idade Média

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José D’Assunção Barros

 

Quem se propõe a discorrer sobre o movimento franciscano, não é raro que se pense imediatamente em certos aspectos que parecem conferir uma unidade bastante singular a esta ordem que surge no século XIII como um dos mais impactantes fenômenos religiosos de sua época. A partir da figura máxima de seu fundador – São Francisco de Assis – pensar-se-á provavelmente na intrigante questão da ‘pobreza voluntária’, na extrema ‘simplicidade’ alçada à categoria de ideal religioso irredutível, na intensa ‘dedicação aos pobres e necessitados’ a partir de um novo ponto de vista que não é mais o do abastado homem caridoso que se coloca em posição de generosa superioridade. Pensar-se-á, enfim, em um movimento religioso que pela primeira vez se relaciona com os pobres de maneira horizontal, e não mais de forma vertical, assumindo através de seus próprios praticantes uma pobreza evangélica que os levaria a incorporarem humildemente rótulos como o de “mendicantes” e o de “frades menores”.

 

Contudo, a verdade é que o Franciscanismo apresenta uma diversidade interna que precisa ser compreendida. Depois de surgir da incontestável liderança de Francisco de Assis – um mercador italiano que, ao despojar-se radicalmente de seus bens materiais, acabava de inventar uma forma de dedicação religiosa inteiramente nova – e após ser reconhecida em 1209 como ‘ordem menor’ por Inocêncio III, a verdade é que a ordem dos ‘frades menores’ não teria sua unidade assegurada para além da morte de seu carismático fundador. Ainda mesmo no decorrer daquele atribulado século XIII em que a Igreja do ocidente se veria às voltas com uma verdadeira explosão de novas propostas de religiosidades e de comportamentos heréticos, logo surgiria no próprio seio do Franciscanismo uma primeira divisão entre os “espirituais” e uma maioria mais convencional, esta que depois ainda se desdobraria em um grupo mais tolerante de “conventuais” e um grupo de “cumpridores” que pretendiam retornar ao rigor da vida do próprio São Francisco. Para mais além, no século XVI, já em pleno século humanista, surgiria a ordem dos capuchinhos, para não falar em correntes franciscanas como a dos fraticelli, que passaram a ser considerados seguidores de um desvio herético que tivera a sua origem no próprio âmbito do movimento franciscano.

 

Estes exemplos podem dar uma idéia inicial da significativa variedade que vai se desenvolvendo historicamente no próprio âmbito do Franciscanismo. Ao mesmo tempo, seria possível ressaltar outros aspectos da singular variedade presente na ordem fundada por São Francisco de Assis. Esta variedade impõe-se quando começamos a nos aproximar das trajetórias individuais dos próprios atores sociais que integravam o movimento franciscano. Muitos deles dedicaram-se a uma abnegada atividade apostólica que não afrontava necessariamente os poderes públicos, e em alguns casos até se tornaram confessores ou conselheiros de príncipes e reis, como o faria Gilberto de Tournai em relação a São Luís. Outros – como o pregador popular Geraldo de Módena, que ajudara a inflamar em 1235 o movimento da “grande devoção” em Parma – teriam desempenhado um papel mais marcante e contestador em um mundo urbano suscetível a turbulentas transformações. Outros franciscanos, por fim – como São Boaventura, Roger Bacon ou João Duns Escoto – viriam ocupar um lugar destacado no seio do movimento da Escolástica e das Universidades, em contraste com irmãos menores que não tinham as mesmas preocupações culturais, ou mesmo em contraste com a posição do próprio São Francisco, que depois de iniciar o movimento costumava manifestar nas suas mensagens, com relação ao trabalho intelectual, “uma certa desconfiança, quando não uma hostilidade” (LE GOFF, 2001, p.216).

 

De qualquer modo, se existe um primeiro e incontestável traço de unidade a ser destacado, é o de que o Franciscanismo, como um todo, impactou profundamente a sua época, surgindo no seio de uma grande vaga de propostas de novas formas de religiosidade, algumas no âmbito da própria Reforma da Igreja Medieval, outras no âmbito de um movimento laico que ansiava por viver uma vida realmente apostólica, e outras ainda dentro de um quadro de movimentos que seriam logo classificados como heréticos. A proposta do Franciscanismo – uma das duas ordens mendicantes surgidas no século XIII – conseguiu simultaneamente materializar uma prática social singular a partir de uma nova forma de religiosidade, e ocupar um lugar bastante especial na Igreja Medieval. Seus primeiros contemporâneos reconhecem explicitamente a sua importância e originalidade, e é bastante sintomático que Jacques de Vitry, cônego regular que escreveu por volta de 1220 uma Historia Occidentalis, atribua-lhe um lugar especial à parte, ao lado dos eremitas, monges e cônegos. Da mesma forma, Burchard d’Urspreg (m.1230), reconhece no Franciscanismo – e também na ordem dos pregadores dominicanos – este sopro de originalidade:

 

 

“O mundo já ia envelhecendo, [quando] nasceram duas instituições religiosas na Igreja, [com] as quais, à semelhança das águias, a juventude se renova” LEMMENS, Testimonia Minora, (apud LE GOFF, 2001, p.194).

 

 

É preciso compreender junto a isto que o Franciscanismo surge como um inquietante sopro renovador frente à Igreja de seu tempo, e também diante de outros movimentos que começavam a expressar novas formas de religiosidade ou fortes interesses em reformar antigas práticas religiosas. Para boa parte do monaquismo tradicional do século XII, por exemplo, a vita apostolica que ansiavam por viver era pouco mais do que uma vida comum de pobreza individual e orações, não apresentando um programa de trabalho pastoral e de ação no mundo junto às populações mais humildes. Contudo, no próprio seio do movimento monástico, e também entre os cônegos, foi se desenvolvendo a idéia de que uma verdadeira vita apostólica deveria passar a incluir algum tipo de atividade pastoral. É este ideal que iria se materializar nas primeiras décadas do século XIII com a proposta dos mendicantes. Desta maneira, o Franciscanismo deverá ser visto dentro de um quadro geral onde se desenvolve uma nova forma religiosa de se situar no mundo, ao mesmo tempo em que se apresenta como uma forma de responder aos desafios de seu tempo.

 

Esta proposição nos leva à identificação de um segundo traço geral, mais complexo, que recobre toda a proposta do movimento franciscano e do qual também se aperceberam os seus contemporâneos. Diante de um quadro que fizera emergir uma série de movimentos religiosos dissidentes que se alicerçavam de um lado em uma referência exclusiva ao Evangelho, e de outro em uma aspiração religiosa puramente interior – muitas vezes utilizando o próprio Evangelho contra a Igreja tradicional e abordando esta aspiração a uma religiosidade interior como uma crítica à mediação eclesiástica – o Franciscanismo traria, ao contrário, uma resposta surpreendente à possibilidade de “viver de acordo com o Evangelho, no seio da Igreja e no Coração do Mundo” (VAUCHEZ, 1995, p.126). Ou seja, o movimento franciscano conciliava muitos dos anseios religiosos mais radicais com a possibilidade de atuação dentro da Igreja tradicional, e, mais ainda, rejeitando a solução monástica de “fuga do mundo”.

 

Neste sentido, uma via importante para a compreensão do Franciscanismo é situá-lo simultaneamente frente a outros movimentos religiosos de seu tempo, e frente à Igreja tradicional, comandada pela Santa Sé. Relações do Franciscanismo com outros movimentos têm sido pesquisadas e aventadas com bastante interesse pelos historiadores, e, mesmo os contemporâneos, a seu tempo, pensaram nestas ligações. É assim que Burchard de Ursperg – cônego premostratense que escreveu entre 1210 e 1216 – comparou os franciscanos a grupos valdenses de Católicos Pobres, que de fato tinham como um dos pontos principais de seu programa religioso o ideal da imitatio Christi, tão característico do Franciscanismo. Outras relações, por sua vez, poderiam ser feitas com os Humiliati, ou mesmo com os cistercienses. De qualquer modo, um fato de máxima relevância foi a hábil absorção do movimento franciscano pela Santa Sé, o que contrapõe os destinos do Franciscanismo ao de movimentos que a Igreja considerou necessário reprimir, notadamente sob a designação de serem heresias que precisavam ser combatidas por vezes de maneira violenta.

 

A assimilação à Igreja através do reconhecimento papal, aliás, permite que se compare ainda o Franciscanismo ao segundo movimento mendicante que se afirmou na mesma época: o dos Frades Pregadores ou Dominicanos, também este assimilado pela Igreja e, mais do que isto, reapropriado pelo próprio Papado como instrumento eficaz no combate às heresias, sendo depois conferidas aos frades dominicanos as funções repressivas que se manifestaram na oficialização da instituição da Inquisição. À parte este destino bastante diferenciado no seio da Igreja comandada pela Santa Sé, a comparação dos franciscanos com os dominicanos permite de um lado identificar um substrato de anseios em comum – ancorados no ideal original de uma vida baseada na pobreza evangélica, no amor caritativo e no proselitismo itinerante do mundo – e por outro lado opô-los no interior de outros movimentos, como a Escolástica e o movimento das Universidades, onde franciscanos e dominicanos freqüentemente se situaram em campos opostos.

 

Com vistas a este aspecto, aliás, será oportuno lembrar a profunda relação dos franciscanos com a vida urbana. Tal como observa Michel Mollat em Os Pobres na Idade Média, os mendicantes não se estabeleceram logo de início nas cidades, mas com o tempo foram se aproximando – a princípio se instalando nos subúrbios precariamente urbanizados – para finalmente se instalarem no coração das cidades (MOLLAT, 1989, p.120). Foi nas cidades que eles encontraram o ambiente mais propício para o seu trabalho pastoral, para o seu apostolado junto aos mais necessitados, e para o ideal que perseguiam de viver na pobreza material. Ao mesmo tempo, uma interessante simbiose se estabelecia entre franciscanos e a população mais pobre das cidades. Nestas – “onde a pobreza fermentava sob o império do dinheiro”– os franciscanos vislumbravam um território privilegiado para o seu apostolado; enquanto isso, muitos dos citadinos simpatizavam com os mendicantes porque neles viam uma resposta às suas inquietações morais (MOLLAT, 1989, p.120).

 

É extremamente significativo, aliás, o fato de que através do estudo dos mendicantes torna-se possível estudar mais sistematicamente as próprias cidades medievais, tal como propôs Jacques Le Goff em seu célebre estudo sobre O Apogeu da Cidade Medieval (LE GOFF, 1998). Enfim, para os medievalistas interessados no estudo das cidades medievais, será possível situar os franciscanos no âmbito de um revelador mosaico de correntes eclesiásticas urbanas que, ao lado do clero secular, do clero dos cônegos regulares saídos do movimento canônico do século XII, e do clero regular ainda ligado ao velho monaquismo beneditino, reservará um lugar verdadeiramente especial ao novo clero regular ligado às ordens mendicantes.

 

Por fim, uma última relação significativa, e talvez a mais importante, refere-se às relações dos franciscanos com a Pobreza – não com a idéia de “pobreza voluntária”, assumida como princípio fundador da própria Ordem dos Minores – mas com a Pobreza gerada pelo mundo, aquela que encontra nas cidades medievais um extraordinário ponto de concentração e sujeita os seres humanos aos mais inquietantes contrastes. Neste particular, teriam sido os franciscanos os responsáveis pela introdução de uma nova visão sobre o pobre: um pobre que passa a ser valorizado em si mesmo, e não mais como mero instrumento para a salvação do rico (MOLLAT, 1989, p.117). Esta mudança no conjunto de práticas e representações religiosas que se estabelecem sobre os pobres tornar-se-ia particularmente importante para o último período da Idade Média e para a transição para o mundo moderno, pois ela também será contraposta na passagem para o período Moderno a um novo circuito de representações que procurava impingir ao pobre desempregado ou desenraizado o anátema de “marginal” ou “vagabundo” que deve ser perseguido e enquadrado em sistema econômico e social que começa rapidamente a se transformar.

 

A proposta deste texto, a seguir, será a de verificar as relações do Franciscanismo com as grandes questões do seu tempo – desde as décadas fundadoras no início do século XIII e particularmente no decorrer dos séculos XIV e XV quando, passado o século inicial de fundação do movimento e já vivenciando a profunda crise que se desenvolve na cristandade e no ocidente medieval, o Franciscanismo extrairá se sua inserção no mundo uma prática de vida que se nutre das necessidades e dos desafios de dar uma resposta às angústias humanas destes novos tempos.

 

 

Referências:

LE GOFF, Jacques. “Franciscanismo e modelos culturais do século XIII” in São Francisco de Assis. São Paulo: 2001.

MOLLAT, Michel. O Pobre na Idade Média. Rio de Janeiro: Campus, 1989.

 

23 de fevereiro de 2017.

Carta Aberta ao Prof. Felipe Aquino

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Caro Prof. Felipe Aquino,

Paz e Bem!

Tendo sido questionado sobre o vídeo, o qual anexamos a esta missiva e analisando o trabalho da pessoa a qual o senhor tece críticas totalmente ausentes de Caridade cristã, venho por meio desta, manifestar meu parecer.

Em seu vídeo, o senhor faz críticas teológicas a um padre da Arquidiocese de Mariana. Isto em rede nacional. Sua postura, primeiramente, desrespeita o arcebispo da supracitada Arquidiocese. Se o senhor estivesse em plena comunhão com a Igreja, saberia que antes de fazer críticas públicas a um sacerdote, deveria notificar seu superior local e informá-lo dos fatos. Ao contrário, o senhor – mesmo não citando o nome do padre – lê fragmentos do texto dele e cita a fonte. Qualquer pessoa poderia ir ao site e saber de quem o senhor falava. Com  isso, o senhor agiu como semeador de conflitos e embotador da imagem de um padre Católico.

O senhor critica o texto do padre, colocando-o sob a alcunha de herege. Porém, desconheço qualquer nomeação do senhor para uma cadeira na Comissão para a Doutrina da Fé. Nem mesmo conheço qualquer Universidade Católica que lhe dê o título de mestre ou doutor em teologia. O senhor é doutor em Engenharia Mecânica e isto não lhe faz teólogo. Assim, o senhor não está revestido de autoridade eclesial, nem mesmo acadêmica, para analisar e criticar a teologia ou mesmo a pastoral de um sacerdote devidamente ordenado e provisionado em uma Arquidiocese. Cabe a Dom Geraldo, Arcebispo de Mariana, avaliar a teologia do padre e não ao senhor.

Outra questão é que o senhor cita alguns fragmentos do texto de forma descontextualizada. De certa forma, o senhor desvirtua o texto, manipulando-o para justificar a tese que o senhor defende.

No mais, gostaria de lhe convidar a entender que na teologia existe uma disciplina chamada antropologia teológica, na qual, somos convidados a ver o crer e o pensar do outro com seus olhos, respeitando as diferentes culturas. Não é porque alguém discorda da ótica de fé da Canção Nova que ela se torna herege. Ao contrário. Jesus acolhe a todos. Com suas particularidades.  Ele é Amor. O amor acolhe, não exclui.

Fraternalmente,

Frei H. Fernandes

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