Por Frei Vanildo Trevisan

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Em que consiste a perfeita alegria? A vida de Francisco de Assis é uma lição permanente de sabedoria e de amor. Certa ocasião, retornando com Frei Leão de uma viagem missionária, andava silencioso e imerso em seus pensamentos. Francisco chama Frei Leão e lhe diz: mesmo que o frade desse grande exemplo de santidade, não estaria ali a perfeita alegria.

Mais adiante, diz novamente: mesmo que curasse paralíticos, expulsasse demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem os coxos, falarem os mudos e ressuscitasse mortos, não estaria ali a perfeita alegria. Mesmo que soubesse todas as línguas, todas as ciências e soubesse profetizar e revelar as coisas futuras, os segredos da consciência e dos espíritos, os mistérios da vida, não estaria ali a perfeita alegria.

Mesmo que falasse a língua dos anjos, soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas, dos pássaros, dos peixes, dos animais, dos homens, das arvores, das pedras, das raízes e das águas, não estaria ali a perfeita alegria. Mesmo que pregasse tão bem que convertesse todos os infiéis, não estaria ali a perfeita alegria.

Frei Leão ouviu tudo. Após o silêncio, perguntou: Pai Francisco, peço-te, que me digas: onde está a perfeita alegria? Ao que Francisco responde: quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva, cheios de lama, tremendo de frio, aflitos e com fome e batermos à porta do convento e o porteiro irritado nos expulsar por não querer nos reconhecer e não ser importunado nessa hora da noite e fechar a porta em nossa frente, se tudo aceitarmos com humildade, nisso estará a perfeita alegria.

E se, devido a fome e o frio, continuarmos a bater e o porteiro sair furioso com um bastão e bater em nós mandando-nos para longe e dizendo: “Fora daqui ladrões, vão para a hospedaria, porque aqui ninguém lhes dará comida e pouso”. Se suportarmos isso pacientemente, com humildade e bom coração, nisso estará a perfeita alegria.

Esse relato foi tirado do livro Fioretti de São Francisco, cap.8. Nele é que descobrimos que a verdadeira alegria não está nas conquistas e nas vitórias. Não está no sucesso e nos títulos. Está no coração de quem com toda a simplicidade e humildade aceitar as contrariedades, o desprezo e a calúnia sem revidar.

Essa alegria é celebrada por aquelas pessoas que generosamente repartem seus bens, seus dons com os mais necessitados. Essa alegria é vivida por aquelas pessoas que fazem daquilo que possuem a felicidade de quem pouco ou nada possui. Essa é uma alegria que produz paz no coração, serenidade no olhar e a certeza de uma consciência feliz.

Por ocasião do Natal acontecem muitos gestos de generosidade, muitos corações caridosos, muita assistência aos pobres. Mas esses pobres não são pobres só no Natal. Estão em nosso caminho todos os dias.

O amor deverá iluminar as mentes e aquecer os corações para uma generosidade permanente. Assim haverá um Natal perene.

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