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Hoje me perguntaram sobre o que penso acerca da Renovação Carismática Católica. Esta pessoa diz sentir que eu tenha uma resistência a ela.

Faço parte da gleba de teólogos. Empenho-me em sê-lo. Fazemos produção intelectual acerca da fé. Neste campo, devemos sempre estar entre aqueles que avaliam os prós e contras. O que é convergente e o que diverge. Neste método, sempre apontamos acertos e erros. Em todos os focos de pesquisa. Sejam eles afetos ou não de nossa opção.

Venho das CEBs. Movimento que se difundiu nos anos de 1950 no Brasil. Minhas origens religiosas estão na Arquidiocese de Mariana, MG. Em tempos de Dom Luciano, as CEBs eram o modelo de Igreja que por lá se difundiu. O povo se unia, estudava a Bíblia, rezava, partilhava seu saber e orar pelo método ver, julgar, agir e celebrar. O tempo passou e o chamado vocacional veio. Essa é minha história.

A renovação carismática me veio pelo convívio de irmãos. Nas comunidades paroquiais que conheci, sempre encontramos seus grupos. Não estive sempre muito presente nestes grupos por não estar em minhas origens. Fazer parte de minha identidade. Não uma questão de oposição, mas de afinidade. Minha espiritualidade se baseia nas CEBs. Porém, entendo que se há muitos jeitos de ser Igreja. Nas CEBs também vi alguns equívocos. Na renovação carismática também os vejo. Porém, isso é opinião particular. Não se perde algo bom por alguns senões, algumas ressalvas. No meu próprio jeito de ser Igreja, as CEBs, vejo senões. Por que não os ver na RCC? Penso que devemos, em todos os movimentos da Igreja, conter exageros. Entretanto, a todos devemos dar nosso reconhecimento de legitimidade.

Assim, respondendo publicamente à minha irmã em Cristo, não tenho problemas com a RCC. Sou teólogo e pela teologia, devo estar usando da Razão Crítica em minhas análises. Porém, minhas análises não são para destruir e sim construir. Não há nada na Igreja que esteja pronto. Somos Povo de Deus a caminho. Amadurecimento é um dever de todos. Deve a RCC amadurecer alguns de seus critérios, assim como todos as outras vertentes da Igreja.

Não, não sou contra a Renovação Carismática Católica. Tenho algumas ressalvas, sim. Outrossim, reconheço sua legitimidade e louvo Deus por sua existência.

Frei Abreu

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