fb_img_1482725815112

 

Ribamar Portela (teólogo e assessor do CEBI)

Aproximam-se o Natal e o ano novo. Algumas pessoas estão preocupadas em comprar presentes, outros com a ceia. Pouquíssimos lembram o porquê do natal.

Comemora-se no dia 25 de dezembro o nascimento de Jesus (é claro que ele não nasceu neste dia), mas o importante é que se festeje o nascimento daquele que “veio para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (cf. Jo 10,10), daquele que rompeu com todo o sistema de exploração que existia em sua época, bem como a religião do puro e do impuro que marginalizava o doente, a mulher, o estrangeiro. Por isso foi perseguido e crucificado, mas Deus o ressuscitou segundo as Escrituras.
Seu modo de viver, suas palavras incomodou os grandes. Na verdade desde os primeiros segundos de existência já causa medo naqueles que massacram o próximo conforme o evangelho de Mateus que afirma que Herodes e toda a cidade de Jerusalém ficaram alarmados ao saber do seu nascimento (cf. Mt 2,1-3).
Natal é tempo de reflexão. É tempo em que se deve olhar para esse menino que crescerá e ensinará às pessoas a importância do amor ao próximo. Ensinará a partilha.
O mundo está precisando de mais pessoas que amem não que julguem e condenem o próximo. O amor mais do que palavras revela a presença do Transcendente no meio do seu povo. Presença salvadora como o próprio nome de Jesus que significa “Deus salva”.
O mundo precisa de mais pessoas que saibam partilhar. Grande parte da humanidade passa fome e sofre na pele outras necessidades por causa da ganância de poucos que tem acumulado um enorme patrimônio. Esse menino Jesus ao crescer ensinou que a solução desse problema é a partilha (Mc 6, 34-44; Mc 8, 1-9) onde no primeiro caso ele alimenta cerca de cinco mil homens tendo apenas cinco pães e dois peixes. No segundo mais ou menos quatro mil com sete pães e alguns peixinhos.
Muitas pessoas proclamam que Jesus realizou o milagre da multiplicação dos pães. Todavia ambos os textos bíblicos não afirmam isso. Mc 8, 14-21 (precisamente os versículos 17-21) deixam evidente que o milagre feito foi justamente a divisão dos alimentos:
(…) “Por que vocês discutem sobre a falta de pães? Vocês ainda não entendem e nem compreendem? Estão com o coração endurecido: Vocês têm olhos e não vêem, têm ouvidos e não ouvem? Não se lembram de quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas? Quantos cestos vocês recolheram cheios de pedaços?” Eles responderam: “Doze”. Jesus perguntou: “E quando reparti sete pães quatro mil pessoas, quantos cestos vocês recolheram cheios de pedaços?” Eles responderam: “Sete”. Jesus disse: “E vocês ainda não compreendem?”
Jesus fala “Não se lembram de quando reparti cinco pães…? “E quando reparti sete pães…? E não “Não se lembra de quando multipliquei cinco pães…? “E quando multipliquei sete pães…? Quando uma pessoa partilha acontece um milagre que é romper com o egoísmo, com a ambição e o desejo de possuir. Se alguém reparte esse alguém deixou de pensar só em si para pensar no próximo. Deixou de se colocar no centro para colocar o irmão, a irmã.
Natal é amar como Jesus amor e isso acontece em gesto concreto que é dividir o que se tem com o próximo que nada tem. Que cada pessoa possa acolher Jesus em seu coração e junto com ele fazer com que o ano de 2017 seja o ano do amor e da partilha.
Feliz Natal e Feliz Ano Novo!

Anúncios