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Por ocasião do último dia 14 de dezembro, aniversário de Leonardo Boff, o grande confrade Frei Neylor José Tonin, homem de grande sabedoria e ternura Franciscana, postou em seu perfil de Facebook uma homenagem a Leonardo Boff.

Duas pessoas vieram em comentários ofender a imagem de Leonardo Boff, chamando-o de teólogo excomungado, herege e etc. Desrespeito a Leonardo Boff que não se presta a ofender ninguém e a Frei Neylor que, na pureza se seu coração, só desejava congratular seu companheiro de estudos e amigo.

Neste sentido, venho elucidar alguns pontos a repeito de Leonardo Boff:

1) Leonardo Boff nunca foi excomungado. Aliás, há algum tempo que a Igreja Católica não excomunga ninguém por entender que o melhor caminho é o Diálogo e a Integração. Muito ao contrário, a Igreja cancelou decisão de excomunhão de alguns casos e reintegrou pessoas a Igreja. Por exemplo, os ultraconservadores que se afastaram da Igreja por não aceitar as mudanças do Vaticano II.

2) O que houve com o Boff foi divergências sobre o conteúdo de dois livros dele. “Jesus Cristo Libertador” e “Igreja: Carisma e Poder”. Porém, Leonardo escreveu quase uma centena de livros, e nenhum “senão” foi pronunciado pela Santa Sé, além dos supracitados. Neste sentido não podemos dizer que Leonardo Boff foi condenado pela Igreja e sim dois de seus livros.

3) O momento em que Boff sofreu seu processo era um pouco impróprio para seu pensamento. Digamos que não era a semente que era ruim e sim o solo que não era dócil. A Teologia da Liberação era e é profundamente pertinente mas arrojada demais para aqueles tempos.

4) O Vaticano não condenou Boff. Só pediu que o mesmo se adequasse àquele momento da Igreja. Por isso o silêncio obsequioso. Muitos entendem o silêncio obsequioso como uma condenação criminal. Não o é. Boff nunca foi criminoso, nem herege, nem excomungado. Ele só foi e é, um pensador além de seu tempo. Boff é um destes homens que não foi compreendido em seu tempo. Porém, o Tempo mostrará que Boff foi o precursor de uma Teologia comprometida com o humano. Aproximando o Jesus Sagrado do “Vale de lágrimas humano”.

Neste sentido, às pessoas que sempre se dirigem a Leonardo Boff como satanista, herege, excomungado, gostaria de dizer que a Caridade Cristã pode ser mais importante que a teologia. Que o teólogo incompreendido de hoje, pode ser a fonte de pesquisa de amanhã. Exemplo é Santo Anselmo de Cantuária que foi considerado racional demais para seu tempo e hoje está como pensador fundamental da transição entre a Patrística e a Escolástica, referência em teologia.

Uma última palavra: nosso Papa pede respeito, amor, tolerância, fraternidade. As pessoas que agridem Leonardo Boff estão fazendo exatamente o contrário do que o Papa pede. Assim estão em desobediência a ele. E desobedecendo ao Papa, desobedecem a Igreja. Assim, esses que agridem Leonardo e outros que pensam diferente, estão mais fora da Igreja do que os que eles acusam.

Frei Abreu

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