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Sou um sacerdote religioso, tenho 50 anos de vida religiosa, 70 anos de idade, 45 de sacerdócio católico. Penso que não posso se acusado de falta de convicção religiosa nem de ser anti-ecumênico. Gosto de ser sacerdote católico, respeito e admiro os sacerdotes das outras religiões, e creio ter um bom dialogo com pregadores de outras igrejas.
Mas, no meio de tudo isso, preocupa-me uma coisa: o excesso! Ponderação e moderação sempre foram sinal de sabedoria. Por mais que se queira louvar os radicais que fizeram a História, expressivo número deles deixou rastros de sangue ao seu passar… Há radicalismo e radicalismos…
Alguém pode achar que não está cometendo excessos, mas se a maioria do lado de lá assim o entende, é preciso ouvir a maioria do lado de lá e os não religiosos. Agnósticos e ateus estão se queixando do avanço antiético de muitas igrejas. Segundo eles, os crentes estão ocupando um espaço excessivo que não corresponde ao número de seus fieis. Seu avanço desrespeita o direito dos outros.
O dial do meu rádio é uma dessas provas. Quando o ligo na FM-TV na cidade onde eu moro, consigo pegar apenas uma das TVs. Depois, todos os outros pontos do dial são invadidos por uma mesma emissora religiosa, que pode ser sintonizada em 34 pontos. Alguém que a programou para invadir todos os espaços que por lei certamente não lhe pertencem.

Imagino que uma pessoa de outra fé ou descrente se sentirá incomodado. Eu me senti. Para onde quer que gire o dial, encontrarei aquele pregador onipresente e aquela emissora, gritando as mesmas palavras de ordem.
Acontece muito que igrejas invadem o espaço da outra, pregadores transgridem a lei criando rádios piratas, invadem a mídia, impõe sua pregação e, a pretexto de anunciar Jesus, acabam impondo Jesus, não só na mídia, como nas ruas, em altos brados através de auto-falantes, ou em templos que obrigam todos os que moram ao redor a escutar aquelas pregações. Perto da casa de minha sobrinha há uma nova igreja cujo som é tão alto que a rua inteira é obrigada a ouvi-la…
É desse tipo de invasão que os ateus e as outras igrejas se queixam. Vai contra a constituição brasileira, contra a cidadania e gera mal estar. Não imagino que Jesus quisesse isso. Baixar os alto-falantes pode ser um bom começo de diálogo. Nos nossos templos e nos deles. Ninguém deve ser obrigado a nos ouvir. Quem faz isso trai Jesus que nunca impôs sua pregação.

Pe. Zezinho scj

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