O Prazer em uma visão teológica

fb_img_1481458284865
Ribamar Portela (teólogo e assessor do CEBI)

 

O prazer é fundamental para o ser humano embora muitas vezes não seja bem visto por algumas pessoas. Estas o têm como um grande mal que deve ser repudiado e combatido ferozmente. Ele é rotulado como o inimigo mortal do homem. Segundo a concepção delas, este é um empecilho para alcançar a verdadeira felicidade. Esta teoria é passada a outras pessoas e assim muitos são os que vivem lutando para evitá-lo ao máximo. Encontramos essa conjectura em alguns segmentos religiosos, sejam eles, Católicos ou Protestantes.
Quando um seguidor desse pensamento não consegue esquivar-se dele, sente-se fracassado, culpado e cheio de remorso.
Será mesmo o prazer esse bicho de sete cabeças? Deverá o homem e a mulher a todo custo evitá-lo?
Existem também aquelas pessoas que buscam o prazer excessivamente. Tudo o que faz é voltado para este fim. Este se torna o seu centro, ou seja, sua vida gira em torno dele.
Diante dessa exposição qual deve ser a atitude do homem, da mulher diante do prazer: refugá-lo ou viver exclusivamente em função dele? Aristóteles (filósofo) dizia “nada em excesso” (COTRIM, 2006, p.96) .
Penso que seu pensamento é basilar para todo aquele que se encontra às portas do prazer, visto ser este inerente ao ser humano: “ao comer, beber ou fazer algum serviço fisiológico, inevitavelmente sente deleite”.
O prazer deve ser encarado como algo de positivo, como aquilo que faz parte do dia-a-dia do ser humano. Não deve ser amputado, mas vivido intensamente com responsabilidade.
Perante o prazer a mulher e o homem têm algumas opções:
• Fugir dele como se foge da AIDS;
• Abraçá-lo de modo tal a tornar-se seu escravo;
• Acolhê-lo, dominando-o no sentido do pensamento de Aristóteles.
Na primeira opção tanto ela quanto ele enganar-se-ão pensando ser felizes, todavia não o serão, pois, ninguém vive sem ter prazer, e mesmo que consiga evitá-lo por exemplo: por não beber cerveja, ainda assim sentirá um gozo interior.
Na segunda opção ela ou ele, vivendo totalmente para o prazer, algumas conseqüências sobrevirão.
Na terceira alternativa, tanto a mulher quanto o homem não terão receio e nem serão dominados pelo prazer, mas terão o controle sendo a senhora e o senhor da situação.
Verdade é que o deleite não deve ser sentenciado como nocivo à raça humana. Todo mundo necessita dessa energia para ser feliz, para espairecer, para superar as dificuldades do cotidiano. Contudo, isto não deve ser visto como fuga da realidade, ou seja, como alienação, e sim como autêntica motivação para se viver plenamente a vida servindo-se de tudo (esse tudo diz respeito somente àquilo que promove à vida) o que ela oferece, cabendo perfeitamente aqui o que diz São Paulo:
“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma” (1Cor 6,12) .
Assim, impondo medidas o ser humano pode e deve se quiser, pois é livre para tomar, por exemplo, num final de semana uma ou duas cervejas, pois o mal está em extrapolar, está no abuso, no perder o controle e ser controlado, em ser movido.
Diante do prazer cada pessoa deve ser aquilo que é: um “ser emocional e racional”.
Como ser emocional precisa e deve viver o prazer de cantar, de beber, de contar piadas, de ter amigos, etc. Como ser racional precisa e deve usufruir todos esses prazeres, porém impondo limites: não deve, por exemplo, se entregar à bebedeira sem fim, não deve ser possessivo na amizade.
Como ser racional deve estar no comando: saber quando é hora de acelerar e quando é hora de frear.
O prazer é para estar ao alcance de todos: “ter prazer da moradia, ter prazer de ter emprego, de ter saúde, de ter educação, etc. Nem todos, porém, têm. Isso devido a alguns que extrapolam do prazer ao dinheiro, assim não fazem política eficiente para combater o desemprego, a falta de moradia, não investem na educação como deveria, muito menos se preocupam com a saúde da massa carente.
A grande pergunta a ser feita é “eu sei usufrui o prazer?” Isso porque o deleite deve ser buscado e vivido por todos, todavia, essa busca e vivência não podem de forma alguma ser causa de sofrimento para outras pessoas. O (a) jovem, que vive intensamente o prazer de sair nos fins de semanas com os amigos, deve dar satisfação aos pais: dizer aonde vai com quem vai e a que hora está previsto a sua volta. Caso isso não aconteça, ele (ela) estará se deleitando, enquanto seus pais estarão aflitos. A satisfação dada não diminuirá em nada o prazer que virá a sentir.
O ser humano deve sim aspirar e viver o prazer sem medo de que este seja algo ruim, aliás, necessita sentir esse bem estar que o envolve e o toma totalmente levando-o a senti-se bem consigo mesmo, com o outro e com o cosmo. Assim ele conquista a felicidade, pois nasceu para isso e felicidade nunca foi não é nem nunca será ausência de prazer.
Existem inumeráveis tipos de prazeres acessíveis ao ser humano, por exemplo, a política, o conhecimento, a religião, a amizade, o casamento e a liberdade.

Referências Bibliográficas:
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia história e grandes temas. 16.ed. reform. E amp. São Paulo: Saraiva, 2006.
A BIBLIA de Jerusalém. In._____ Coríntios. São Paulo: Edições Paulinas. 1973.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: