Aprendendo com Francisco de Assis

 

Às vezes me pego a pensar nos “fioreti”. Legendas acerca de um grande homem, Francisco de Assis. Não que seja afeito ao pensamento presente nesse Gênero Literário. Dotado de uma tendência de ver Francisco por uma ótica Poética e não histórica.

 

Fato é que a poesia presente em Francisco de Assis, pode nos ofuscar do efeito histórico. Mais que um Trovador, sua revolução na sociedade e na Igreja, está para nossos tempos como uma releitura do Evangelho. Em tempos medievais, a Igreja estava perdida em seu teocratismo. Acreditavam que a Igreja era o centro da estrutura da sociedade. Assim, os ministros de Deus deveriam ser revestidos de um principado. Autoridades religiosas revestidas de veneração quase que divinatória. Onde está o Jesus, Servo Sofredor neste pensamento?

 

No filme de Franco Zefirelli – “Irmão Sol, Irmã Lua” – que é bem poético, já se percebe como a Igreja era apegada ao luxo, ostentação e poder.

 

Enquanto, as pessoas estavam ofuscadas pelo desejo de ser nobres ou pelo menos galgar um lugar ao Sol entre a burguesia nascente, Francisco abraça a minoridade e desposa a Senhora Pobreza.

 

Enquanto muitos viviam a política da Vassalagem, fazendo dos menos favorecidos meros servos, em uma política feudal, Francisco nos apresenta a alegria de Servir.

 

Enquanto a Igreja se encerrava nas Catedrais e Mosteiros, Francisco foi um dos primeiros pregadores errantes, inaugurando um novo modelo de vida religiosa, chamado Ordens Mendicantes.

 

Nestes e em muitos outros sentidos, Francisco se fez revolucionário. A revolução Franciscana não pode ser encerrada em poesia e utopismo, meramente. Devemos nós, herdeiros de seu legado, entender que nossa vida é reflexo do testemunho de Francisco. Neste sentido, devemos ser Ternos, Fraternos, Menores. Com a alegria da poesia e da música. Com a coragem profética do anúncio do Reino que denuncia as injustiças, as incoerências… É ser Sinal de esperança. Não de uma esperança conformista. Que espera a solução vinda do alto de forma taumaturga. Devemos nos revestir de uma esperança inquieta que clama, espera, enquanto luta.

 

A Perfeita Alegria dos Fioretti não é uma exortação para se resignar face ao sofrimento e à  injustiça. É de se conservar a Paz, imitando Jesus. Imitar Jesus Servo e Libertador.

 

Francisco de Assis, exemplo de viver o Evangelho. Carne em nossa própria carne. Evangelho Esperança, Modelo de Vida, Revolução.

 

Frei Abreu

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