Francisco de Assis, Caminhos da Interioridade

 

Indico uma obra muito boa: “Caminhos de interioridade com São Francisco de Assis”, de Michel Hubault, Editorial Franciscana, Braga, 2008. Michel Hubault é um religioso franciscano da Ordem dos Frades Menores, pregador, escritor, conferencista, publicou muitas obras sobre São Francisco. Na introdução da obra, ele faz uma pergunta: Que pode a espiritualidade franciscana oferecer ao nosso tempo? E compara os séculos XII e XIII aos tempos de hoje. O alvoroço constante e as mudanças aceleradas na sociedade. Em meio a tudo o rigor e as intuições de São Francisco em sua época e que servem de inspiração para a nossa época. O seu singular carisma, com efeito, foi o de ter conseguido conciliar as aspirações dos homens e mulheres do seu tempo com a Boa Nova do Evangelho.

Quando Francisco atinge a maioridade, a sociedade feudal está desmoronando e aparece o mercado. Do rural para a sociedade urbana. Há transformações dos modos de vida tradicionais. Riqueza muda de mãos: sai das mãos do senhor feudal e passa a ser dinheiro móvel, na compra e venda de bens. Tudo pode ser comprado: da mercadoria mais comum até um título de nobreza, uma esposa nobre e um benefício eclesiástico. Há lutas para se libertar da tutela dos nobres. Francisco de Assis participa desta luta. Os grupos começam a se organizar. Um ideal de fraternitas está no ar. Francisco abraça este ideal e o sublima, sabe que pode dar um sentido mais forte a toda transformação pessoal e social. Encontra-se com  o Cristo de São Damião e começa a ter consciência e prática de que a única revolução duradoura e proveitosa para a humanidade teria de se basear no Evangelho, pois só ele é capaz de inventar uma nova forma de viver. Francisco de Assis nunca deixará de apreciar o respeito pela liberdade e de mostrar simpatia pela audácia, pela novidade, pela fraternidade e pela mobilidade.

Francisco de Assis restaura a si mesmo, os valores, o modo de estar no mundo e inspira uma mudança na Igreja. A eclesiologia do século XIII é paradoxal: continua prisioneira de velhas estruturas feudais, está defasada, alheia à cultura emergente. Perde o contato com o povo, e os modelos de vida cristã que propõe não se adaptam às aspirações dos homens e mulheres deste tempo. Fervilham os movimentos penitenciais, grupos evangélicos e novas comunidades. Todos manifestam um sincero desejo de retorno ao Evangelho, relações mais fraternas, mais cordiais, menos hierárquicas. O século XIII foi o século do laicato. Não rompe com a Igreja, mas mostra um caminho de interioridade fundamentado na Boa Nova. Com isto permaneceu!

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