Deus onde estás? Resumo e crítica do texto de Carlos Mesters

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Resumo

O autor compara a bíblia a um álbum de família com fotos de acontecimentos importantes e de outros menos importantes. A lente que usamos na confecção e observação dessas fotos pode modificar a forma de ver a foto.

Os cristãos tomam a bíblia como instrumento de ajuda na busca pelas respostas às perguntas que a vida oferece. O povo bíblico é um modelo de ação que, tendo dado certo, tem a garantia de Deus. Efetivamente, conhecer os fatos do passado ajudam a entender o presente e o futuro.

Dependendo do tipo de pergunta feito ao texto bíblico, teremos acertos ou defeitos. O defeito são as perguntas que são feitas ao texto bíblico. O defeito se dá quando a conhecimento da Bíblia está desconectado da vida e se preocupa basicamente com o que aconteceu no passado, sem se observar o que acontece hoje.

O autor não tem a intenção de escrever sobre o paraíso da forma como o vemos. Ele não se preocupa em ver o passado como passado, mas está preocupado na situação em que está no presente, pois o futuro é que corre riscos.

O mal é apontado, de forma que o leitor descubra o origem desse mal. Além disse, o autor tentar mostrar aos seus irmãos a respeito da culpa que eles possam ter, despertando-os para que enfrentem o mal pela raiz, transformando mal-estar em bem-estar. O autor também mostra que a ação transformadora é possível pois a força que a garante é maior que aforça que mantem o mal-estar. Por vez, ao olharmos o passado, evitamos os erros no futuro.

Quando Caim mata Abel, inaugura-se um momento de redução da fé. A humanidade começa então seu processo de deterioração.

A solução que o autor propõe contra o mal não é revoltar-se contra o mal, mas lutar para que ele desapareça. O mal não determina o fim do paraíso. Ele existe, guardado, de modo que o mal existente na natureza humana não o invada.

Deus estabelece homens a partir de Abraão que serão fundamentais para que que seja estabelecido o paraíso e construída a paz total, sendo um povo que vie com Deus, condena magias e ritualismo vazio, não domina, seve. É para este povo que o autor escreve na tentativa que esse povo saiba o que significa pertencer ao povo de Deus. Deve ser um povo que resiste e transforma, mantem a esperança pela vontade de Deus que quer o bem. Jesus, o “novo Adão concretiza finalmente o projeto de Deus a respeito do paraíso.

Se o paraíso é um mito ou uma realidade, depende de qual lente usaremos para reconhece-lo como lugar. Se a lente for histórica, perderemos a melhor parte da mensagem de fé descrita na narrativa do paraíso. O paraíso é uma realidade a partir da harmonia descrita e garantida pelo poder de Deus

Ao descrever o personagem Abraão, Mesters mostra o plano de Deus para uma redenção universal. A caminhada de Abraão nos mostra que é preciso caminhar e encaminhar a vida em direção a Deus. Na história de Abraão, o reator do texto bíblico pretende ensinar um aforma de se encontrar Deus.

No lugar entender o relato do Êxodo com uma lente cientifica, é mais lógico entende-lo com uma lente de fé, que percebe Deus como libertador, como alguém que se interessa em resgatar os desvalidos e oprimidos pela religiosidade. Muito mais que descrever, o relato do Êxodo interpreta o fato vivido.

Crítica.

A longo da minha existência fui levado apensar que o texto bíblico relatava todas as verdades possíveis. Este posicionamento é abandonado a partir do momento que, ao se deparar com a ciência, percebemos as tensões entre o texto e o que se conhece a cerca da história da humanidade.

Mesters resgata a importância do texto bíblico, não como narrativa histórica, mas como uma narrativa de fé. Essa abordagem é necessária porque nos faz entender o texto em seu contexto, não o classificando como relato histórico, e por conta disso, não o colocando numa perspectiva acima do qual ele foi escrito.

O texto é claro, e utiliza-se de elementos do cotidiano para explicar a formação de todas as coisa. Mesmo sendo um texto de fácil leitura, o texto é rico em argumentação de modo a deixar claro de que forma a narrativa bíblica deve ser entendida.

É muito claro em reforçar a ideia de que a narrativa bíblica não deve ser vista como conteúdo histórico, mas como conteúdo de fé. Se visto pelas lentes da história, a narrativa tem seu valor diminuído, pois o propósito do autor é sobretudo falar dos tempos distantes, diferentes dos tempos em que ele está escrevendo o texto.

O autor de forma bem clara e fácil mostra que todas as outras narrativas e não só a narrativa da criação, não estão preocupados com o fato histórico. A preocupação é mostrar o cuidado e ação de Deus na história da humanidade.

É fácil perceber que o texto de Carlos Mesters é bem elucidador no sentido de que ele não foca a fé para falar da história e não foca o fato histórico quando precisa falar da fé.

Um dos momentos em que ele deixa claro este fato, é quando escreve que o paraíso não é a descrição de como era o mundo, mas a descrição de como deveria ser. Sendo assim, o paraíso é muito mais que um lugar geograficamente estabelecido, mas sobretudo, é a expressão como Deus é justo e verdadeiro, pois sua pré-ciência não impede que ele crie um lugar de primeira qualidade, para uma humanidade que preferiu não ser de primeira. No paraíso não há diferenças de sexo, a terra produz abundantemente e o trabalho não e fadigante. Há um total equilíbrio na natureza e em todas as coisas criadas. O autor denuncia então que algo fora mudado e tenta denunciar os responsáveis pela mudança.

A abordagem clara e direta do texto, faz com que sua leitura, além de fácil, o que não é muito comum em textos de Teologia, seja rica, possuindo nomenclatura de fácil entendimento, sem contudo se tornar um texto pobre de conteúdo.

A forma como Mesters descreve sobre a dúvida sobre o paraíso como mito ou realidade é muito interessante. Muito mais que provar a existência de um lugar, ele mostra a harmonia existente nesse lugar. É interessante o modo como ele mostra que muito mais do que privar o homem do acesso ao paraíso, Deus dá ao homem a chance de viver no paraíso hoje, mostrando que o paraíso existirá de fato quando nós quisermos que ele exista e trabalharmos para que ele exista.

Mesters também enriquece o seu texto quando fala que a figura da criação do homem a partir do barro, significa que o homem nas mãos de Deus é como uma peça que pode ser moldada e refeita, sendo o homem, em si, dependente do criador e fraco em sua estrutura.

 

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