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Cidade do Vaticano – As obras de misericórdia são o melhor antídoto ao vírus da indiferença: foi o que disse o Papa Francisco aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira (12/10).

O Pontífice anunciou que nas próximas semanas dedicará suas catequeses a essas 14 obras – sete corporais e sete espirituais – que a Igreja nos apresenta como o modo concreto de viver a misericórdia.

Não se trata de realizar grandes esforços ou gestos sobre-humanos, explicou o Papa. Jesus nos indica uma estrada muito mais simples, feita de gestos pequenos, mas de tão grande valor aos Seus olhos, sobre os quais seremos julgados.

As que socorrem as pessoas nas suas necessidades materiais são chamadas obras corporais: dar de comer, dar de beber, vestir os nus, abrigar os peregrinos, assistir aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos.

Mas há também as sete obras de misericórdia espirituais: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo, rezar a Deus por vivos e defuntos.

Obras simples, mas urgentes

“Num mundo infelizmente ferido pelo vírus da indiferença, as obras de misericórdia são o melhor antídoto. De fato, nos educam à atenção para as exigências mais elementares dos nossos irmãos mais fracos, nos quais Jesus está presente. É sempre Jesus que está presente no necessitado. Reconhecer a sua face em quem está na necessidade é um verdadeiro desafio contra a indiferença.”

Com frequência, acrescentou o Papa, estamos distraídos, indiferentes, e quando o Senhor passa perto de nós, perdemos a ocasião de encontrá-Lo. Por isso, as obras de misericórdia despertam em nós a exigência e capacidade de tornar viva e operosa a fé com a caridade.

“Estou convencido de que com esses simples gestos cotidianos podemos realizar uma verdadeira revolução cultural. Se cada um de nós fizer pelo menos uma obra de misericórdia por dia, teremos uma revolução!”

Francisco citou o exemplo de Santa Teresa de Calcutá, que não é lembrada pelas muitas casas que abriu no mundo, mas porque se inclinava sobre cada pessoa que encontrava abandonada no meio da estrada para lhe devolver a dignidade.

“Que o Espírito Santo acenda em nós o desejo de viver com este estilo de vida. Pelo menos uma obra por dia. Aprendamos novamente de cor as obras corporais e espirituais de misericórdia e peçamos ao Senhor que nos ajude a colocá-las em prática todos os dias. É o momento em que vemos Jesus numa pessoa que está necessitada.”

PEDIDO URGENTE PELO CESSAR-FOGO NA SÍRIA

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A Audiência Geral desta quarta-feira (12/10) foi a ocasião para o Papa Francisco fazer o enésimo apelo em prol da paz na Síria. “Quero destacar e reiterar a minha proximidade a todas as vítimas do conflito desumano na Síria. É com sentido de urgência que renovo o meu apelo, implorando aos responsáveis, com toda a minha força, para que se favoreça um cessar-fogo imediato, que seja imposto e respeitado pelo menos durante o tempo necessário para permitir a evacuação dos civis, sobretudo das crianças, que ainda estão presas sob sangrentos bombardeios.”

No último domingo, ao anunciar a convocação de um Consistório, entre os novos cardeais Francisco incluiu o Núncio Apostólico na Síria, Dom Mario Zenari, como mais um sinal de proximidade para com a população local.

O último apelo do Pontífice foi feito duas semanas atrás, sempre na Audiência Geral, para recordar que os responsáveis pelos bombardeios deverão prestar contas diante de Deus.

Desastres naturais
O Papa recordou ainda que na quinta-feira, 13 de outubro, se celebra o Dia Internacional para a redução dos desastres naturais, que este ano propõe o tema: “Reduzir a mortalidade.”

“De fato, os desastres naturais poderiam ser evitados ou, pelo menos, limitados, já que os efeitos são com frequência devidos à falta de cuidado do homem pelo meio ambiente. Encorajo, portanto, a unir os esforços de modo previdente na proteção da nossa comum, promovendo uma cultura da prevenção, com a ajuda também dos novos conhecimentos, reduzindo os riscos para as populações mais vulneráveis.”

 

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