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Nos Caminhos de Francisco

Seguir Jesus a exemplo de Francisco de Assis

mês

outubro 2016

Que história é esta de chamar a morte de irmã?

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No Cântico das Criaturas existe o famoso verso de Francisco de Assis: ”Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã nossa, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar”; ou como relata Tomás de Celano: “Convidava também todas as criaturas ao louvor de Deus e, por meio das palavras que outrora compusera, ele próprio exortava ao amor de Deus. Exortava ao louvor até a própria morte, terrível e odiosa para todos, indo alegre ao encontro dela, convidava-a a sua hospitalidade; disse: “Bem-vinda, minha irmã morte!”(2Cel 217,7). Francisco preparou ritualmente sua morte, fez da sua morte uma celebração, um rito de passagem. Por estar plenamente na vida e na totalidade da existência integrou a morte não como  um absurdo, mas como parte natural do ciclo da vida.

Francisco de Assis é uma afirmação da vida por isso pode encarar a morte como um processo da curva biológica que traça a linha do nascer, crescer, envelhecer, morrer no momento oportuno ou prematuramente. Francisco preocupou-se com a vida e não com a doença e morte. Morre cantando a vida e sua essência. Ao celebrar a morte, ele a encarou de frente como  aquela que lhe estendia a mão para concretizar  o grande sonho humano: a imortalidade! Ele sabe que não está perdendo nada da vida porque encontrou e ganhou a vida plena que estava dentro de si mesmo. Fez do Amor seu projeto de vida, amar a Deus, amar a humanidade, a fraternidade, amar todos os seres. Esta confraternização universal do Amor não conhece a morte e o morrer. Tudo fez parte de sua vida, inclusive a finitude. Ele pode dizer como Santa Terezinha: “Eu não morro… entro na vida!”. Ele pode dizer como Gabriel Marcel: “Amar é dizer: tu não morrerás jamais!”.

Francisco de Assis sente, pensa, sente e age com a certeza de que a morte não é um fim, mas a grande oferenda, a entrega, a restituição de si mesmo para Deus. Conquistou a esperança dos justos, que é imortalizar-se e andar para sempre no florido e fecundo caminho do Paraíso. A força vital que emana de Francisco de Assis o fez dar boas vindas a Irmã Morte.

Frei Vitório Mazzuco

http://carismafranciscano.blogspot.com.br/2016/10/que-historia-e-esta-de-chamar-morte-de_31.html

Itália: Papa manifesta solidariedade a populações atingidas por novo sismo

Foto: Lusa

Terremoto atingiu região central do território transalpino

Cidade do Vaticano, 30 out 2016 (Ecclesia) – O Papa manifestou hoje a sua solidariedade às populações que esta manhã foram atingidas por um novo sismo na região central da Itália.

“Manifesto a minha proximidade às populações da Itália central atingidas pelo terramoto. Ainda esta manhã, houve um forte abalo. Rezo pelos feridos e pelas famílias que sofreram maiores danos, bem como pelo pessoal empenhado nas operações de socorro e assistência”, declarou, sob uma salva de palmas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação da oração do ângelus.

A Proteção Civil italiana revelou não ter até ao momento qualquer registo de vítimas mortais, no terramoto que abalou o centro de Itália, sentido também em Roma, que provocou derrubamentos de casas e vários feridos.

“Que o Senhor ressuscitado lhes dê força e Nossa Senhora os guarde”, pediu o Papa, rezando pelas vítimas.

O terramoto destruiu a Basílica de São Bento, em Núrsia, revelaram os monges beneditinos que ali residem.

“A Basílica de São Bento, a histórica igreja construída sobre o local do nascimento de São Bento, foi destruída pelo mais recente sismo”, assinala a comunidade religiosa, em comunicado divulgado através da internet.

No final do encontro com os peregrinos na Praça de São Pedro, Francisco recordou os quatro sacerdotes beneditinos que este sábado foram beatificados na Espanha, reconhecendo assim o seu martírio durante “perseguição contra a Igreja”, nos anos 30 do século XX.

“Confiemos à sua intercessão os irmãos e irmãs que infelizmente, ainda hoje, em várias partes do mundo, são perseguidos por causa da fé em Cristo”, concluiu.

Ecumenismo: Papa pede orações para viagem à Suécia, na «comemoração da reforma» protestante

Encontro do Papa com peregrinos luteranos no Vaticano. Foto: Osservatore Romano

Cerimónias vão reunir católicos e luteranos para «caminho de fraternidade» conjunto

Cidade do Vaticano, 30 out 2016 (Ecclesia) – O Papa pediu hoje orações pela viagem que vai realizar à Suécia entre segunda e terça-feira, para participar em cerimónias ecuménicas que assinalam os 500 anos da “reforma” de Martinho Lutero.

“Vou realizar uma viagem apostólica à Suécia, por ocasião da comemoração da reforma, que vai reunir católicos e luteranos na recordação e na oração. Peço-vos a todos que rezeis para que esta viagem seja uma nova etapa no caminho de fraternidade rumo à plena comunhão”, declarou, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a recitação do ângelus.

Na sua tradicional catequese, Francisco convidou todos a superar os “preconceitos” e a ver as pessoas com “os olhos de Deus, que não para no mal passado, mas vislumbra o bem futuro”.

Já esta sexta-feira, numa entrevista divulgada por duas revistas ligadas aos Jesuítas, ‘La Civiltà Cattolica’ (Itália) e ‘Singum’ (Suécia), o pontífice argentino aludiu à separação entre Igrejas, promovida após o “gesto de reforma” de Martinho Lutero, no século XVI.

“Não se pode ser católicos e sectários. É preciso tender para estarmos juntos com os outros”, declarou.

O Papa vai passar por Lund e Malmo, entre 31 de outubro e 1 de novembro, para encontros com representantes da Federação Luterana Mundial.

Francisco afirma que Martinho Lutero quis, inicialmente, promover “um gesto de reforma num momento “difícil” para a Igreja.

“Depois, este gesto – também por causa de situações políticas, pensemos também no ‘cuius regio eius religio’ — tornou-se um ‘estado’ de separação e não um ‘processo’ de reforma de toda a Igreja”, explica.

A Santa Sé apresentou esta semana a viagem do Papa à Suécia como um evento “inédito” por juntar católicos e luteranos nos 500 anos da reforma de Lutero.

O porta-voz do Vaticano, Greg Burke, disse em conferência de imprensa que o objetivo da visita de Francisco a Malmo e Lund é sublinhar o percurso de católicos e luteranos no diálogo ecuménico, em particular nos últimos 50 anos.

O Papa foi convidado pela Igreja Católica na Suécia, pelo governo local e pela Federação Luterana Mundial, numa viagem que tem como tema ‘Do conflito à comunhão: unidos na esperança’.

Francisco vai chegar a Malmo pelas 11h00 (menos uma em Lisboa) de segunda-feira, sendo recebido pelo primeiro-ministro sueco antes da visita à família real, no palácio de Lund.

O programa do primeiro dia na Suécia completa-se com uma oração na Catedral Luterana de Lund e um encontro ecuménico na Arena Malmo, perante 30 delegações luteranas.

Francisco vai ser acompanhado neste encontro pelo cardeal Kurt Kock, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos (Santa Sé), pelo presidente da Federação Luterana Mundial, Munib A. Younan, e o secretário-geral deste organismo, Martin Junge.

A viagem conclui-se a 1 de novembro, dia em que a Igreja Católica celebra a solenidade de Todos os Santos, com a Missa presidida pelo Papa no Swedbank Stadion, em Malmo.

O principal documento dos 50 anos de diálogo teológico católico-luterano é a declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação (31 de outubro de 1999).

Em 2013, a Comissão Internacional de Diálogo Católica-Luterana pela Unidade publicou um documento intitulado ‘Do conflito à Comunhão – Para uma comemoração comum da Reforma em 2017’.

A 23 de setembro de 2011, Bento XVI visitou o antigo convento dos Agostinhos em Erfurt, Alemanha, onde viveu Martinho Lutero (1483-1546), antes de promover a separação de Roma.

Sabendo um pouco mais sobre o Dia de Finados sob a Ótica Cristã

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O dia 2 de novembro é o Dia de Finados, quando recordamos com saudades a memória de nossos mortos. Visitamos respeitosamente nos cemitérios, os túmulos de nossos parentes e amigos já falecidos. O encontro da cultura cristã com a cultura celta deu origem à comemoração do Dia de Finados. Os celtas – povos que habitavam a região da atual Irlanda – tinham no seu calendário a festa conhecida como “Samhain”. Nesse dia os celtas acreditavam que os dois mundos – o dos vivos e dos mortos – ficavam muito próximos e eles celebravam essa comunhão. Desde o século l, os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, aqueles aos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. O abade do Mosteiro de Cluny, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. E os papas Silvestre ll (996) e João XVll (1012) convidaram a comunidade cristã a dedicar um dia cada ano aos mortos. No século Xl, o calendário litúrgico cristão incorporou o Dia de Finados, que deveria cair no dia 2 de novembro para não se sobrepor ao Dia de Todos os Santos, comemorado no dia 1º. naquela época. Este ano a Festa de Todos os Santos será celebrada no domingo dia 6 de novembro.

Nossa sociedade de consumo e tecnologicamente avançada faz tudo para que se esqueça da morte. Freqüentemente um amigo morto já é sepultado antes que as notícias de seu falecimento cheguem a nós. Para muitos, participar na Missa de 7º. Dia é uma mera formalidade social sem qualquer significado religioso. A morte não é o simples fato biológico da cessação do nosso existir. É o ponto culminante do viver e vem coroar as boas opções que fizemos durante a vida. Neste dia os fiéis católicos têm o secular e piedoso costume de rezar pelas almas que ainda podem estar num estado de purificação antes de gozar da Visão de Deus. Em nossos dias, em certos ambientes católicos se propagam dúvidas com relação à católica devoção pelas “almas no estado de purificação”. Obviamente nossa atitude neste assunto não pode e nem deve ser determinada pelo parecer do último livro de um teólogo. Em nossa vida cristã somos orientados por uma instância superior. No caso, esta autoridade é o próprio Concílio Vaticano ll. Na Constituição Dogmática “Lumen Gentium” (cf. Nos. 49-50) recorda o Concílio que a Igreja sempre venerou com grande piedade a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios por eles; cito o texto bíblico de 2 Mac 12, 46: “É um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam livres de seus pecados”. Depois, no No. 51, o mesmo Concílio Vaticano ll torna a referir-se à nossa “comunhão vital com os irmãos que ainda se purificam depois da morte”, e decide propor de novo os decretos dos Concílios de Florença e de Trento acerca desta doutrina.

É importante lembrar que depois da morte não há mais tempo nem espaço, e falar sobre a “duração” deste estado de purificação não faz sentido. Não há nenhuma doutrina da Igreja relação ao tipo de purificação dispensada depois da morte. Portanto, precisamos tomar muito cuidado com os exageros nas fantasias populares. O estado de purificação possível nada tem a ver com as imagens medievais de um lugar de castigo e de penas. Também falando sobre “tempo” no estado de purificação não faz sentido. Obviamente nem todos os falecidos devem passar por este estado de purificação antes de serem admitidos à Visão Beatífica. A recepção do sacramento da Unção dos Enfermos deve ter salvado inúmeras pessoas desta purificação. O Catecismo da Igreja Católica ensino: “Aqueles que morrem na graça e amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenha garantida a sua salvação eterna, passam, após a morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu” (No. 1.030). Para o católico, então, o Dia de Finados não é um dia de tristeza ou lamúrias, mas é um dia de saudosa recordação, confortada pela fé que nos garante que nosso relacionamento com os finados não está interrompido pela morte, mas é sempre vivo e atuante pela oração do sufrágio. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo e da graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir o seu destino último” (CIC, 1013). Quando tiver terminado “o único curso de nossa vida terrestre” (L.G. No. 48), não voltaremos mais a outras vidas terrestres. A Bíblia afirma: “Os homens devem morrer uma só vez” (cf. Hb 9, 27). Portanto, para os católicos não existe “reencarnação” depois da morte. Somos salvos pelos méritos de Cristo e não pelos nossos próprios méritos. Sem dúvida, a visão cristã da morte é expressa de forma privilegiada na liturgia da Igreja que reza: “Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”. O Dia de Finados deve ser para nós vivos, um eficaz ensejo para refletirmos sobre o sentido e a brevidade da vida presente, ajudando-nos assim a preparar-nos para o inevitável momento da morte.

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald
Redentorista e Assessor da CNBB

“Nas Igrejas de alguns países se vê que falta o frescor”

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Cidade do Vaticano  – O Papa Francisco concedeu uma entrevista sobre sua viagem apostólica à Suécia, que se realizará de 31 deste mês a 1° de novembro, ao sacerdote jesuíta Pe. Ulf Jonsson, diretor da revista jesuíta sueca “Signum”, junto com o diretor da revista jesuíta italiana “La Civiltà Cattolica”, Pe. Antonio Spadaro.

“Não se pode ser católico e sectários” disse o Pontífice na entrevista concedida na véspera da visita à Suécia para a comemoração ecumênica dos 500 anos da Reforma Luterana.

“Na entrevista, o Papa falou, entre vários assuntos, sobre sua amizade com os luteranos desde quando era garoto e depois nos tempos de seu ministério episcopal. Além de explicar as modalidades da visita e seu significado, Francisco falou sobre o desafio espiritual para as Igrejas “envelhecidas” e sobre a importância da inquietude na sociedade marcada pelo bem-estar. A propósito do diálogo ecumênico sublinhou a importância de “caminhar juntos” para não permanecer fechados em perspectivas rígidas, porque nelas não há possibilidade de reforma.

Introdução do Pe. Jonsson

“Durante um encontro dos diretores das revistas culturais europeias da Companhia de Jesus, na metade de junho, manifestei ao Pe. Antonio Spadaro, diretor de La Civiltà Cattolica, um desejo que eu tinha no coração há muito tempo: entrevistar o Papa Francisco na véspera de sua viagem apostólica à Suécia, 31 de outubro de 2016, para participar da comemoração ecumênica dos 500 anos da Reforma Luterana. Pensei que uma entrevista fosse a melhor maneira de preparar o país para a mensagem que o Pontífice teria endereçado às pessoas durante sua visita. Como diretor da revista cultural dos jesuítas suecos “Signum”, pensei que este objetivo entrasse plenamente em nossa missão.

O ecumenismo, assim como o diálogo entre as religiões e também com os não fiéis, está muito no coração do Papa. Ele fez entender isso de muitas maneiras. Ele é um homem de reconciliação. Francisco está profundamente convencido de que os homens devem superar barreiras e cercas de qualquer tipo. Acredita no que define “cultura do encontro”. Isso para que todos possam colaborar para o bem comum da humanidade. Queria que esta visão de Francisco pudesse tocar a mente e o coração de muitos antes de sua chegada à Suécia: a entrevista teria sido o meio melhor para alcançar tal objetivo. Disse isso ao Pe. Spadaro com o qual prossegui a reflexão até agosto, quando juntos chegamos à conclusão de que era realmente oportuno apresentar ao Pontífice este pedido a fim de que pudesse decidir se realizá-la ou não. O Papa tomou tempo para refletir sua oportunidade. No final, a resposta foi positiva e nos deu um encontro na Santa Marta na tarde do sábado, 24 de setembro passado.

Foi um dia realmente agradável por causa da temperatura e luminosidade do céu. Atravessando o trânsito de Roma de carro com Pe. Spadaro, estava ansioso, mas feliz. Chegamos a Santa Marta 15 minutos antes do previsto. Pensei que devíamos esperar e ao invés fomos logo convidados a subir ao andar onde o Papa tem o seus aposentos. Quando o elevador se abriu, vi um guarda-suíço que nos saudou com cortesia. Ouvi a voz do Papa falar cordialmente com outras pessoas em espanhol, mas não o vi. A um certo ponto ele apareceu com duas pessoas, conversando amigavelmente. Nos saudou com um sorriso indicando-nos de entrar em seus aposentos: ele voltaria logo.

Fiquei surpreso com esta simples e calorosa familiaridade e acolhimento. Foi-nos dito na portaria que o Papa teve um dia intenso, e eu pensei que estivesse cansado no final do dia. Ao invés disso, fiquei surpreso em vê-lo tão cheio de energia e relaxado.

O Papa entrou na sala e nos convidou a sentar onde preferíamos. Sentei-me numa poltrona e Pe. Spadaro diante de mim. O Papa se sentou no sofá no meio das duas poltronas. Apresentei-me no meu italiano pobre, mas suficiente para entender e dialogar com simplicidade. Depois de algumas brincadeiras do Papa acendemos os gravadores e iniciamos a conversa.

Pe. Spadaro traduziu do inglês algumas perguntas que eu queria fazer ao Papa e que eu tinha preparado, mas depois da conversa entre nós três fluiu naturalmente, numa atmosfera amigável e sem distâncias artificiais. Sobretudo porque foi claro e direto, sem rodeios e sem que a atmosfera típica dos encontros com os grandes líderes ou pessoas a respeito. Não tenho nenhuma dúvida de que o Papa Francisco ama conversar, comunicar com os outros. Às vezes toma tempo para refletir antes de responder, e suas respostas sempre transmitem uma sensação de envolvimento sério, mas não pesada ou triste. Na verdade, durante a nossa visita, ele deu várias vezes sinais de seu humorismo.


Entrevista

Santo Padre, em 31 de outubro o senhor visitará Lund e Malmö para participar da Comemoração Ecumênica dos 500 anos da Reforma, organizada pela Federação Luterana Mundial e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Quais são as suas esperanças e suas expectativas para este evento histórico?

“Digo somente uma palavra: aproximar-se. A minha esperança e expectativa são as de me aproximar mais de meus irmãos e irmãs. A proximidade faz bem a todos.  A distância, ao invés, nos faz adoecer. Quando nos distanciamos, nos fechamos dentro de nós mesmos e nos tornamos nômades, incapazes de nos encontrar. Nos deixamos levar pelo medo. É preciso aprender a se transcender para encontrar os outros. Se não o fazemos nós cristãos nos adoecemos de divisão. A minha expectativa é a de conseguir fazer um passo de proximidade, de estar próximo aos meus irmãos e irmãs que vivem na Suécia.”

Na Argentina, os luteranos formam uma comunidade restrita. O senhor teve modo de se encontrar com eles no passado?

“Sim, bastante. Lembro-me da primeira vez que fui a uma igreja luterana: foi precisamente em sua sede na Argentina, na Calle Esmeralda, Buenos Aires. Eu tinha 17 anos. Lembro-me bem daquele  dia. Casou-se um amigo meu de trabalho, Axel Bachmann. Ele era o tio da teóloga luterana Mercedes Garcia Bachmann. E a mãe da Mercedes, Ingrid, trabalhava no laboratório onde eu trabalhava. Esta foi a primeira vez que participei de uma celebração luterana. A segunda vez, foi uma experiência mais forte. Nós jesuítas temos a Faculdade de Teologia em San Miguel, onde ensinei. Ali perto, a menos de 10 km de distância, havia a Faculdade de Teologia Luterana. O reitor era um húngaro, Leskó Béla, realmente um bom homem. Com ele tinha contatos muito cordiais. Eu era professor e tinha a cátedra de Teologia espiritual. Convidei o professor de Teologia espiritual daquela Faculdade, um sueco, Anders Ruuth, para dar junto comigo aulas de espiritualidade. Lembro-me que aquele era um momento muito difícil para a minha alma. Eu tinha muita confiança nele e abri o meu coração. Ele me ajudou muito naquele momento. Depois foi enviado ao Brasil, conhecia bem também o português, e depois voltou para a Suécia. Ali publicou as suas teses de habilitação sobre “A Igreja universal do Reino de Deus”, que surgiu no Brasil no final dos anos setenta. Era uma tese crítica. Ele a escreveu em sueco, mas tinha um capítulo em inglês. Ele me enviou e eu li aquele capítulo em inglês: era uma pérola. Depois, passou o tempo. Enquanto isso, me tornei bispo auxiliar de Buenos Aires. Um dia foi me visitar na casa episcopal o então arcebispo primaz de Uppsala. O Cardeal Quarracino não estava. Ele me convidou para ir à missa deles na Calle Azopardo, na Iglesia Nórdica de Buenos Aires, que antes era chamada de «Igreja sueca». A ele eu falei sobre Anders Ruuth, que depois voltou mais uma vez a Argentina para celebrar um matrimônio. Naquela ocasião nos revimos, e foi a última: um de seus dois filhos, o músico, o outro era médico, um dia me telefonou para dizer que ele tinha morrido.

Outro capítulo da minha relação com os luteranos diz respeito à Igreja da Dinamarca. Tive um bom relacionamento com o pastor de então, Albert Andersen, que agora se encontra nos Estados Unidos. Ele me convidou duas vezes para fazer uma pregação. A primeira era num contexto litúrgico. Naquela ocasião foi muito delicado: para evitar recriar constrangimento acerca da participação na comunhão, naquele dia não celebrou a missa, mas um batizado. Sucessivamente, me convidou para fazer uma conferência para os jovens. Lembro-me que com ele tive uma discussão muito forte à distância, quando ele estava já nos Estados Unidos. O pastor me repreendeu muito por causa do que eu disse sobre uma lei relativa aos problemas religiosos na Argentina. Mas digo que me repreendeu com honestidade e sinceridade, como um amigo verdadeiro. Quando voltou a Buenos Aires, fui pedir-lhe desculpas porque de fato a maneira como eu me expressei naquele caso foi um pouco ofensiva. Depois, eu tive uma grande proximidade com o Pastor David Calvo, argentino, da Igreja Evangélica Luterana Unida. Ele também era uma pessoa boa.

Lembro-me também que para o “Dia da Bíblia” que em Buenos Aires se celebrava no final de setembro, voltei à primeira igreja em que fui quando jovem, na Calle Esmeralda. Ali eu encontrei Mercedes García Bachmann. Tivemos uma conversa. Aquele foi o último encontro institucional que tive com os luteranos quando era arcebispo de Buenos Aires. Depois, eu continuei a me relacionar com amigos luteranos no âmbito pessoal. Mas o homem que fez muito bem à minha vida foi Anders Ruuth: penso nele com muito afeto e reconhecimento. Quando veio me encontrar aqui a  Arcebispa primaz da Igreja da Suécia, falamos sobre aquela amizade entre nós dois. Recordo-me bem quando a Arcebispa Antje Jackelén veio aqui ao Vaticano, em maio de 2015, em visita oficial: fez um grande discurso. Eu a encontrei sucessivamente também por ocasião da canonização de Maria Elisabeth Hesselblad. Então eu pude saudar também o marido: são pessoas realmente amáveis. Depois, como Papa fui pregar na Igreja Luterana de Roma. Fiquei muito impressionado com as perguntas que me foram feitas então: a do menino e de uma senhora sobre a intercomunhão. Perguntas bonitas e profundas. O pastor daquela igreja é realmente bom!

Nos diálogos ecumênicos as diferentes comunidades deveriam tentar se enriquecer reciprocamente com o melhor de suas tradições. O que a Igreja Católica poderia aprender da tradição luterana?

Penso em duas palavras: «reforma» e «Escritura». Vou me explicar. A primeira é a palavra «reforma». No início, o de Lutero foi um gesto de reforma num momento difícil para a Igreja. Lutero queria curar uma situação complexa. Depois, este gesto, também por causa de situações políticas, pensemos também na cuius regio eius religio, se tornou um “estado” de separação, e não um processo de reforma de toda a Igreja, que era fundamental, porque a Igreja é semper reformanda. A segunda palavra é “Escritura”, a Palavra de Deus. Lutero fez um grande passo para colocar a Palavra de Deus nas mãos do povo. Reforma e Escritura são as duas coisas fundamentais que podemos aprofundar, olhando a tradição luterana. Penso nas Congregações Gerais antes do Conclave e quanto o pedido de uma reforma tenha sido vivo e presente em nossas discussões.”

Somente uma vez ante do senhor, um Papa visitou a Suécia, Joao Paulo II, em 1989. Aquele era um tempo de entusiasmo ecumênico e desejo profundo de unidade entre católicos e luteranos. Desde então, o movimento ecumênico parece ter perdido o vigor e novos obstáculos surgiram. Como deveria ser geridos estes obstáculos? Quais são, a seu ver, os meios melhores para promover a unidade dos cristãos?

Claramente cabe aos teólogos continuar a dialogar e estudar os problemas: sobre isso não tenho dúvidas. O diálogo teológico deve prosseguir, porque é um caminho a ser percorrido. Penso nos resultados que nesta estrada foram alcançados com o grande documento ecumênico sobre a justificação: foi um grande passo positivo. Certo, depois deste passo imagino que não será fácil ir adiante por causa das várias capacidades de compreender algumas questões teológicas. Perguntei ao Patriarca Bartolomeu se era verdade aquilo que se fala do Patriarca Atenágoras, ou seja, que teria dito a Paulo VI: “Nós vamos em frente e coloquemos os teólogos numa ilha para discutirem entre eles”. Me disse que é uma piada verdadeira. Mas sim, o diálogo teológico deve continuar, mesmo se não será fácil.

Pessoalmente, acredito que se deve mover o entusiasmo para a oração comum e as obras de misericórdia, ou seja, o trabalho feito em conjunto no sentido de ajudar os doentes, os pobres, os encarcerados. Fazer algo juntos é uma forma elevada e eficaz de diálogo. Penso também na educação. É importante trabalhar juntos e não de maneira sectária. Devemos ter claro um critério em qualquer caso: fazer proselitismo no campo eclesial é pecado. Bento XVI nos disse que a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração. O proselitismo é um comportamento pecaminoso. Seria como transformar a Igreja numa organização. Falar, rezar e trabalhar juntos: este é o caminho que devemos fazer. Veja, na unidade aquele que não erra nunca é o inimigo, o demônio. Quando os cristãos são perseguidos e mortos, são por serem cristãos e não porque são luteranos, calvinistas, anglicanos, católicos ou ortodoxos. Existe um ecumenismo de sangue.

Recordo-me de um episódio que vivi com o pároco da paróquia de Sankt Joseph em Wandsbek, Hamburgo. Ele levava adiante a causa dos mártires guilhotinados por Hitler, porque ensinavam o catecismo. Foram guilhotinados um atrás do outro. Depois dos dois primeiros, que eram católicos, foi morto um pastor luterano condenado pelo mesmo motivo. O sangue dos três se misturou. O pároco me disse que para ele era impossível continuar a causa de beatificação dos dois católicos sem inserir o luterano; o sangue deles foi misturado! Mas lembro-me também da homilia do Papa Paulo VI em Uganda, em 1964, que mencionava juntos, unidos, os mártires católicos e anglicanos.

Tive este pensamento quando eu também visitei Uganda. Isto acontece também em nossos dias: os ortodoxos, os mártires coptas mortos na Líbia. É o ecumenismo de sangue. Portanto, rezar juntos, trabalhar juntos e compreender o ecumenismo de sangue.

Uma das causas maiores de inquietude de nosso tempo é a difusão do terrorismo revestido de termos religiosos. O encontro de Assis acentuou também a importância do diálogo inter-religioso. Como o senhor viveu isso?

Havia todas as religiões que têm contato com Santo Egídio. Encontrei aqueles que Santo Egídio contatou: eu não escolhi quem encontrar. Mas eram muitos, e o encontro foi muito respeitoso e sem sincretismo. Todos juntos falamos de paz e pedimos a paz. Dissemos juntos palavras fortes para a paz que as religiões realmente querem. Não se pode fazer guerra em nome da religião, de Deus: é uma blasfêmia, é satânico. Hoje, recebi cerca de 400 pessoas que estavam em Nice e saudei as vítimas, os feridos, pessoas que perderam esposas ou maridos ou filhos. Aquele louco que cometeu a tragédia, a fez pensando de fazer em nome de Deus. Pobre homem! Era um desiquilibrado! Com caridade podemos dizer que era um desiquilibrado que procurou usar uma justificação em nome de Deus. Por isso, o encontro em Assis é muito importante”.

  Mas o senhor recentemente falou também de outra forma de terrorismo, o das fofocas. Em que sentido e como ele pode ser vencido?

Sim, existe o terrorismo interno e subterrâneo que é um vício difícil de extirpar. Descrevo o vício das murmurações e das fofocas como uma forma de terrorismo: é uma forma de violência profunda que todos temos à disposição na alma e que requer uma conversão profunda. O problema desse terrorismo é que todos podemos colocá-lo em prática. Toda pessoa é capaz de se tornar terrorista usando simplesmente a língua. Não falo de brigas que se fazem abertamente, como as guerras. Falo de um terrorismo furtivo, escondido, que se faz jogando as palavras como “bombas” e que faz muito mal. A raiz desse terrorismo está no pecado original, e é uma forma de crime. É uma forma de ganhar espaço para si destruindo o outro. É necessário, portanto, uma profunda conversão do coração para vencer esta tentação, e é preciso se examinar muito neste ponto de vista. A espada mata muitas pessoas, porém mata muito mais a língua, diz o apóstolo Tiago no terceiro capítulo de sua carta. A língua é um pequeno membro, mas pode desenvolver um fogo do mal e incendiar toda a nossa vida. A língua pode se encher de veneno mortal. Este terrorismo é difícil de domar.

A religião pode ser uma bênção, mas também uma maldição. Os meios de comunicação muitas vezes trazem notícias de conflitos entre grupos religiosos no mundo. Algumas afirmam que o mundo seria mais pacífico se não houvesse religião. O que responde a esta crítica?

As idolatrias que estão na base de uma religião, não a religião! Existem idolatrias ligadas à religião: a idolatria do dinheiro, das inimizades, do espaço superior ao tempo, da concupiscência da territorialidade do espaço. Existe uma idolatria da conquista do espaço, do domínio, que ataca as religiões como um vírus maligno. A idolatria é uma religião falsa, é uma religiosidade errada. Eu a chamo “uma transcendência imanente”, ou seja, uma contradição. Ao invés, as religiões verdadeiras são o desenvolvimento da capacidade que tem um homem de se transcender rumo ao absoluto. O fenômeno religioso é transcendente e tem a ver com a verdade, a beleza, a bondade e a unidade. Se não há esta abertura, não há transcendência, não há religião verdadeira, existe idolatria. A abertura à transcendência não pode absolutamente ser causa de terrorismo, porque esta abertura está sempre unida à busca da verdade, da beleza, da bondade e da unidade.

O senhor muitas vezes falou em termos muito claros sobre situação terrível dos cristãos em algumas áreas do Oriente Médio. Existe ainda esperança por um desenvolvimento mais pacífico e humano para os cristãos naquela área?

Acredito que o Senhor não deixará o seu povo a si mesmo, não o abandonará. Quando lemos sobres as provações duras do povo de Israel na Bíblia fazemos memória as provações dos mártires, constatamos como o Senhor sempre veio em auxílio ao seu povo. Recordamos no Antigo Testamento a morte dos sete filhos com a sua mãe no Livro dos Macabeus ou o martírio de Eleazar. Certamente, o martírio é uma das formas da vida cristã. Recordamos São Policarpo e a carta à Igreja de Esmirna que nos fala sobre as circunstâncias de sua prisão e sua morte. Sim, neste momento o Oriente Médio é a terra dos mártires. Podemos sem dúvida falar de uma Síria mártir e martirizada. Quero citar uma recordação pessoa que ficou no coração: em Lesbos encontrei um pai com duas crianças. Ele me disse que era muito apaixonado por sua esposa. Ele era muçulmano e ela cristã. Quando chegaram os terroristas, quiseram que ela tirasse a cruz, mas ela não quis e eles a degolaram diante de seu marido e seus filhos. Ele me continuou dizendo: “Eu a amo tanto, a amo tanto”. Sim, ela é uma mártir, mas o cristão sabe que existe esperança. O sangue dos mártires é a semente dos cristãos: sabemos desde sempre.

O senhor é o primeiro Papa não europeu há mais de 1.200 anos, e muitas vezes salientou a vida da Igreja em regiões consideradas “periféricas” do mundo. Onde, segundo o senhor, a Igreja católica terá as suas comunidades mais vivas nos próximos 20 anos? E de que modo as Igrejas na Europa poderão contribuir para o catolicismo do futuro?

Esta é uma pergunta ligada ao espaço, à geografia. Eu tenho alergia de falar de espaços, mas digo sempre que das periferias se veem melhor as coisas do que do centro. A vivacidade das comunidades eclesiais não depende do espaço, da geografia, mas do espírito. É verdade que as Igrejas jovens têm um espírito mais fresco, e do outro lado, existem as Igrejas envelhecidas, Igrejas um pouco adormecidas, que parecem ser interessadas somente em conservar o seu espaço. Nestes casos, não digo que falta o espírito: existe sim, mas está fechado numa estrutura, numa maneira rígida, temorosa de perder o espaço. Nas Igrejas de alguns países se vê próprio que falta o frescor. Neste sentido, o frescor das periferias dá mais espaço ao espírito. É preciso evitar os efeitos de um mal envelhecimento das Igrejas. Faz bem reler o capítulo terceiro do Profeta Joel, ali onde diz que os idosos terão sonhos e que os jovens terão visões. Nos sonhos dos idosos existe a possibilidade de que os nossos jovens tenham novas visões, tenham novamente um futuro. Ao invés, as Igrejas às vezes são fechadas em programas, em programações. Eu admito: sei que são necessários, mas eu faço muita fadiga a colocar muita esperança nos organogramas. O espírito está pronto a impulsionar, a ir adiante. E o espírito se encontra na capacidade de sonhar e na capacidade de profetizar. Isto para mim é um desafio para toda a Igreja. E a união entre idosos e jovens é para mim o desafio do momento para a Igreja, o desafio para a sua capacidade de frescor. Por isso, em Cracóvia durante a Jornada Mundial da Juventude, recomendei aos jovens de conversar com os avós. A Igreja jovem rejuvenesce mais quando os jovens conversam com os idosos e quando os idosos sabem sonhar coisas grandes, porque isso faz com que os jovens profetizem. Se os jovens não profetizam falta respiro para a Igreja.

A sua visita à Suécia tocará um dos países mais secularizados no mundo. Boa parte de sua população não acredita em Deus, e a religião tem um papel um pouco modesto na vida pública e na sociedade. Segundo o Senhor, o que perde uma pessoa que não acredita em Deus?

“Não se trata de perder alguma coisa. Trata-se de não desenvolver adequadamente uma capacidade de transcendência. O caminho da transcendência dá lugar a Deus, e nisto são importantes também os pequenos passos, até mesmo o do ateu a ser agnóstico. O problema para mim é quando se fecha e se considera a própria vida perfeita em si mesma, portanto, fechada em si mesma, sem necessidade de uma transcendência radical. Mas para abrir aos outros a transcendência não é necessário fazer muitos discursos e palavras. Quem vive a transcendência é visível: é um testemunho vivo. No almoço que tive em Cracóvia com alguns jovens, um deles me perguntou: “O que deve dizer a um  amigo meu que não acredita em Deus? Como faço para convertê-lo? Eu lhe respondi: “A última coisa que deve fazer é dizer alguma coisa. Aja! Viva! Depois, vendo a sua vida, o seu testemunho, talvez o outro irá perguntar por que você vive assim. Estou convencido de que quem não crer ou não procurar Deus talvez não sentiu a inquietude de um testemunho. Isso está muito ligado ao bem-estar. A inquietude se encontra dificilmente no bem-estar. Por isso, acredito que contra o ateísmo, ou seja, contra o fechamento à transcendência, valem realmente, somente a oração e o testemunho.”

Os católicos na Suécia são uma pequena minoria, e na maior parte composta por imigrantes de várias nações do mundo. O senhor se encontrará com alguns deles celebrando a Missa em Malmö em 1° de Novembro. Como vê o papel dos católicos numa cultura como a sueca?

“Vejo uma convivência saudável, onde cada um pode viver sua fé e expressar o seu testemunho, vivendo num espírito aberto e ecumênico. Não se pode ser católicos e sectários. Devemos nos esforçar para estar com os outros. “Católico” e “sectário” são duas palavras que se contradizem. É por isso que no início eu não previa celebrar uma missa para os católicos nesta viagem: Eu queria insistir num testemunho ecumênico. Depois eu refleti bem sobre o meu papel de pastor de um rebanho católico que chegará também dos países vizinhos, como a Noruega e a Dinamarca. Então, respondendo ao pedido fervoroso da comunidade católica, decidi celebrar uma missa, aumentando a viagem de um dia. Na verdade eu queria que a missa não fosse celebrada no mesmo dia e não no mesmo lugar do encontro ecumênico para evitar confundir os planos. O encontro ecumênico deve ser preservado em seu profundo significado, segundo um espírito de unidade, que é o meu. Isto criou problemas de organização, eu sei, porque eu estarei na Suécia também no Dia de Todos os Santos, que aqui em Roma é importante. Mas, a fim de evitar mal-entendidos, eu quis que fosse assim.”

O senhor é um jesuíta. Desde 1879, os jesuítas desempenharam suas atividades na Suécia nas paróquias, com exercícios espirituais, com a revista «Signum», e nos últimos 15 anos, graças ao Instituto universitário «Newman». Quais compromissos e quais valores deveria caracterizar o apostolado dos jesuítas hoje neste país?

Acredito que a primeira tarefa dos jesuítas na Suécia seja a de favorecer de toda forma o diálogo com aqueles que vivem na sociedade secularizada e com os não crentes: falar, partilhar, compreender e estar próximo. Depois, claramente é preciso favorecer o diálogo ecumênico. O modelo para os jesuítas suecos deve ser São Pedro Favre, que estava sempre a caminho e que foi guiado por um espírito bom, aberto. Os jesuítas não têm uma estrutura quieta. É preciso ter o coração inquieto e ter estruturas, sim, mas inquietas.

Quem é Jesus para Jorge Mario Bergoglio?

Jesus para mim é Aquele que me olhou com misericórdia e me salvou. A minha relação com Ele tem sempre este princípio e fundamento. Jesus deu sentido à minha vida aqui na terra, e esperança por uma vida futura. Com a misericórdia me olhou, me pegou, me colocou no caminho… E me deu uma graça importante: a vergonha. A minha vida espiritual está toda contida no capítulo 16 de Ezequiel. Especialmente nos versículos finais, quando o Senhor revela que iria estabelecer a sua aliança com Israel dizendo-lhe: “Saberás que eu sou o Senhor, a fim de que te lembres e te cubras de vergonha, e na tua humilhação já não tenhas disposição de falar, quando eu tiver perdoado tudo quanto fizeste”. A vergonha é positiva: nos faz agir, mas nos faz entender qual é o nosso lugar, quem somos, impedindo todo orgulho e vaidade.

Uma palavra final, Santo Padre, sobre esta viagem à Suécia

O que me vem naturalmente para acrescentar agora é simples: ir, caminhar juntos! Não permanecer fechados em perspectivas rígidas, porque nelas não há possibilidade de reforma.

* * *

O Papa, Pe. Spadaro e eu passamos juntos cerca de uma hora e meia. No final, Francisco nos acompanhou até o elevador. Ele nos recomendou de rezar por ele. As portas se fecharam enquanto ele nos saudava com a mão e com um sorriso radiante que nunca me esquecerei.

Do lado de fora já estava escuro. A cúpula de São Pedro, iluminada, revelava o seu esplendor enquanto entrávamos no carro para voltar em tempo para o jantar na comunidade de La Civiltà Cattolica.

Novos Definidores são eleitos para a Província São Francisco de Assis (RS)

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Em eleição capitular, foram eleitos dois novos Definidores e dois foram reeleitos para o triênio

Imigrante (RS) – na manhã de quarta-feira, dia 19, reunidos em assembleia capitular, os religiosos franciscanos elegeram quatro frades para compor o Governo provincial. Foram eleitos; Frei Gastão Carlos Zart, Frei Nestor Inácio Schwerz, Frei Rodrigo André Cichowicz, e Frei Carlos Laurêncio Schaefer.

A sala foi fechada, o Secretário provincial, Frei Arno Frelich, dava as últimas informações aos frades, a partir daquele momento ninguém mais poderia sair ou entrar da Sala capitular. O Presidente do Capítulo, Frei Inácio Dellazari, leu as indicações prescritas nos Estatutos gerais dos Frades Menores. Começava a votação, na qual se elege separadamente cada um dos quatro membros do Definitório provincial. Para que o frade fosse eleito canonicamente era necessário atingir cinquenta por cento mais um dos votos.

Na primeira votação, com 31 votos, Frei Gastão Carlos Zart foi reeleito para o segundo mandato. Frei Gastão é natural de Estrela, nasceu no dia 14 de outubro de 1956. Entrou na Ordem em 31 de janeiro de 1977. Professou perpetuamente em 30 de maio de 1982. Foi ordenado sacerdote em 27 de dezembro de 1986.

Na segunda votação, Frei Nestor Inácio Schwerz, foi eleito com 29 votos. Frei Nestor é natural de Santa Cruz de Sul, nasceu no dia 04 de setembro de 1949. Entrou na Ordem em 03 de fevereiro de 1970. Professou os votos perpétuos em 04 de outubro de 1975, sendo ordenado sacerdote em 18 de dezembro de 1976.

Na terceira votação, seguindo o que dizem os Estatutos gerais, fizeram-se dois escrutínios ineficazes, pois não se atingiu o número de votos necessários. Procedeu-se ao terceiro escrutínio entre os dois candidatos mais votados no segundo: entre Frei Rodrigo André Cichowicz e Frei Carlos Laurêncio Schaefer. Frei Rodrigo André Cichowicz foi eleito com 36 votos. Frei Rodrigo Cichowicz é natural de Alegria, nasceu no dia 03 de dezembro de 1982. Entrou na Ordem em 05 de janeiro de 2002. Professou os votos perpétuos em 17 de agosto de 2008, sendo ordenado sacerdote em 18 de agosto de 2014.

Na última votação, Frei Carlos Laurêncio Schaefer foi reeleito para seu segundo mandato, com 29 votos. Frei Carlos é natural de Bom Princípio, nasceu no dia 13 de outubro de 1965. Entrou na Ordem em 06 de janeiro de 1989. Professou os votos perpétuos em 27 de abril de 1996. Foi ordenado sacerdote em 28 de agosto de 1999.

Os frades tomaram posse na missa celebrada na Capela do Convento São Boaventura. O Ministro Provincial, Frei Inácio Dellazari, agradeceu a Frei Olávio José Dotto e Frei Aldir Matei pelos trabalhos prestados no triênio passado. Logo após foram acolhidos os novos Definidores. Os frades se ajoelharam e receberam a bênção de Frei Inácio. Logo após a Celebração, os frades seguiram para o jantar.

O amor que não é amado…

“O Senhor me deu, a mim Irmão Francisco, começar com vida em penitência. Quando estava em pecado, parecia-me insuportável a presença dos leprosos. O próprio Senhor me levou ao meio deles e mostrei misericórdia para com eles… “

Caros irmãos e irmãs,
Paz e Bem!

Nesta terça feira, venho convidar à reflexão destas palavras de nosso Seráfico Pai, São Francisco. Quem são para nós hoje os leprosos? O que nos gera repulsa? A quem nosso olhar se afasta pela simples presença?

Ao exemplo de São Francisco, devemos romper as barreiras que nos afastam de nossos irmãos excluídos. Muitas vezes desviamos o olhar dos sofredores. São moradores de rua, drogados, meretrizes, entre tantos que achamos estar indignos de nosso convívio.

O carisma e a mensagem de Francisco nos impele ao amor incondicional àqueles que são desvalidos. os Cristos crucificados na sociedade.

Viver segundo o Evangelho significa viver pautado pelo amor incondicional e, segundo o próprio Francisco, “O amor não é amado”…

Frei Abreu

 

Francisco de Assis e a minoridade

 
Neste mundo tão competitivo, como falar de Minoridade? Anda meio esquecido este tema, podemos até parodiar o samba do Raça Negra: “Que é que eu vou fazer com esta tal Minoridade…” Aliás, Minoridade não é apenas um termo, mas uma herança da forma de vida franciscana. Está nos escritos, na virtuosidade franciscana e na sigla da Ordem. Minoridade não está ligada a minoria, e não tem aqui a conotação de grupo étnico minoritário na sociedade.

Na verdade, Francisco nunca usou a expressão Minoridade, mas sim Menor, não no sentido daquele que ainda não atingiu a maioridade, mas sim como o mais humilde, o mais simples, o mais pequeno. Diz na Regra Não Bulada: “Do mesmo modo, nenhum dos irmãos tenha qualquer poder ou domínio, sobretudo entre si. Porquanto, como diz o Senhor no Evangelho, os príncipes das nações têm domínio sobre elas, e os que são maiores entre as gentes têm poder sobre elas. Entre os irmãos, porém, não há de ser assim; mas aquele que quiser ser o maior entre eles, seja deles o ministro e servo, e aquele que é o maior faça-se entre eles o menor” (RnB 5,9-12). Minoridade é uma conversão de mentalidade: estar em todas as relações como aquele que serve. Não se pode separar Minoridade e Serviço. É princípio da Boa Nova, prática de Jesus.

Tomás de Celano coloca a Minoridade como fundamento de todas as virtudes: “Foi ele, com efeito, quem fundou a Ordem dos Irmãos Menores e lhe conferiu esse nome nas circunstâncias que seguidamente se referem. Estavam para serem escritas na Regra as palavras “e sejam menores”, mas ao proferir estas palavras, naquela mesma hora, disse: “Quero que a nossa fraternidade se chame ‘dos irmãos menores’”.

E eram realmente menores, porque se submetiam a todos, buscando sempre o último lugar e os ofícios a que estivesse ligada alguma humilhação, afim de merecerem, fundamentados em verdadeira humildade, erguer sobre ela o edifício espiritual de todas as virtudes” (1Cel 38).

Autoridade não é poder, mas é expressão do serviço fraterno. O modo de servir é na humildade e na simplicidade. O modo de servir é abaixar-se até a pessoa e lavar seus pés, como o Senhor fez: “Eu não vim para ser servido, mas para servir, diz o Senhor. Os que foram incumbidos acima dos outros, no ofício de prelado, tanto se gloriem desse ofício, quanto se gloriariam se fossem encarregados de lavar os pés aos irmãos” (Adm 4).

Minoridade é um modo forte de amar, é ajoelhar-se diante das criaturas como fez um Deus encarnado. É inverter o status, a hierarquia, o poder. A grandiosidade da pessoa não está nos seus títulos, mas na sua capacidade de servir. Minoridade é uma identidade crística. Servir como o Senhor serviu.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

http://carismafranciscano.blogspot.com.br/

 

Eleito Novo Governo da Custódia Franciscana São Benedito da Amazônia

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No último dia 21 de outubro a Custódia São Benedito da Amazônia elegeu seu novo Conselho. Queira o Espírito Santo de Deus pairar sobre estes frades que servirão neste intento. Sendo eles:

Ministro Custodial: Frei Francisco Paixão

Vigário Custodial: Frei Élder de Souza

Conselheiros:

Frei Manoel Lima

Frei Rômulo Canto

Frei Edilson Rocha

Frei Gregório

Oremos por nossos irmãos para que o “Sol de Assis possa continuar brilhando nas Terras Amazônicas.

Paz e Bem!

 

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