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Nos Caminhos de Francisco

Seguir Jesus a exemplo de Francisco de Assis

mês

setembro 2016

Frei Carlos Mesters fala sobre o Profeta Miquéias

Papa Francisco ora pela paz e afirma que ‘não existe um Deus da guerra’

Pontífice participará de ato pela paz em Assis, terra de São Francisco.

 

‘Acreditam que a guerra está longe daqui? Não, está perto’, disse ele.

 

O Papa Francisco chega a Assis, na Itália (Foto: Alessandra Tarantino/AP)
O Papa Francisco chega a Assis, na Itália (Foto: Alessandra Tarantino/AP)

 

O papa Francisco advertiu que “não existe um Deus da guerra” antes de partir nesta terça-feira (20) a Assis, centro da Itália, para pedir a paz para o mundo em um encontro com líderes de diferentes religiões.

“Não vamos a Assis para um espetáculo. Vamos para orar e para orar pela paz”, disse o Papa depois de lembrar durante sua homilia matutina que “o mundo está em guerra e sofre”.

“Nos assustamos com alguns atos terroristas, mas isso não é nada comparado com o que ocorre nestes países em que dia e noite caem bombas, assassinam crianças, idosos, homens e mulheres”, disse indignado.

“Acreditam que a guerra está longe daqui? Não, está perto, porque afeta todos nós”, afirmou o pontífice argentino, depois de prever que a viagem de Assis será um dia de oração, de penitência e, sobretudo, de “pranto pela paz”.

Ao término de sua homilia, Francisco partiu de helicóptero a Assis, a cidade de São Francisco, onde líderes de diferentes religiões o esperam para pedir em um ato conjunto o fim dos atentados, da violência e das guerras que atingem todo o planeta.

O Papa permanecerá apenas um dia na cidade do chamado santo dos pobres, durante o qual se reunirá separadamente com líderes da igreja ortodoxa e anglicana, assim como com representantes do Islã e do judaísmo.

A peregrinação a Assis, a 130 quilômetros de Roma, durará poucas horas e contará com a presença de hebreus, muçulmanos, budistas e cristãos de diferentes denominações.

Dia pela paz
O dia pela paz, organizado no âmbito do encontro internacional intitulado “sede de paz”, não pede apenas o fim das guerras, mas também que a fé não seja utilizada como arma para gerar conflitos.

“O Islã é o mais afetado pelo terrorismo”, comentou à AFP o imã Abdelfattah Mourou, vice-presidente do Parlamento tunisiano, entre os presentes.

“Estar unidos é a resposta ao terrorismo que quer dividir. Porque o terrorismo quer desestabilizar nossas vidas, quer levar violência a nossa sociedade”, explicou Marco Impagliazzo, presidente do grupo católico Comunidade de São Egídio, organizador do evento.

“Há muita sede de paz, pedem os pobres, as vítimas do terrorismo e das guerras em muitos países do mundo. Queremos ser sua voz”, afirmou.

Franciscanamente: De nada apropriar-se

 

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Foto: Chuck Hantis

Frei Almir Guimarães

Continuamos nossa reflexão sobre o tema da pobreza que o Pai Francisco assumiu como ponto fundamental de seu seguimento de Cristo.

“Seu amor por mim
humilhou sua grandeza.
Ele se fez semelhante a mim
para que eu possa revestir-me dele.
Ao vê-lo não tive medo
porque ele é misericórdia para mim.
Assumiu a minha natureza
para que eu o compreenda,
assumiu o meu rosto
para que eu não me afaste dele.”

Texto judeu de um cristão do Séc.II

Para o Poverello, o despojamento das coisas e dos bens significa, paralelamente, ter apego profundo ao Senhor, que é rico para todos que o invocam (cf. Rm 10,12). Na medida em que mais e mais nos ligamos ao Senhor vivo, ressuscitado, presente perto de nós, na mesma medida nos distanciamos do que não seja Ele. O despojamento dos bens acontece quando o homem encontra o tesouro, a pérola preciosa capaz de satisfazer seus desejos. É a pobreza constitutiva da vocação do peregrino que vive o êxodo pascal rumo aos bens do Reino. Trata-se de dimensão essencial da itinerância franciscana.

Aos pobres, o Evangelho reserva a herança da glória. Por isso, a pobreza de Francisco é alegre. Acolhe um inestimável tesouro que permite relativizar todos os bens, sem desprezá-los. A alguém que havia manifestado o desejo de viver com ele, Francisco responde: “Se queres juntar-te aos pobres de Deus, distribui antes teus bens aos pobres” (2Cel 81).

Sabe ele que somente aquele que tiver um coração de pobre, livre de tudo e de si mesmo, pode conseguir as riquezas de Deus. Um coração que se apega a bens corre risco de viver um fechamento interior. O homem do Evangelho deseja ter sempre desimpedidas as portas do interior para poder receber o Senhor. Ele e seus irmãos almejam que o desejo de Deus não venha a se extinguir por apegos. A pobreza sociológica não é a primeira em seus escritos, mas aquela que se define como desapropriação, pobreza espiritual.

A desapropriação de si, o despojamento do ego, é a forma de pobreza que volta sempre de novo em seus escritos. De nada se apropriar. Nada atribuir a si. Isto não apenas no plano material, mas no nível de capacidades intelectuais, morais e em termos de apostolado. Nada temos de próprio, a não ser nossos vícios e pecados. Tudo nos é dado para servir à glória de Deus e ao bem dos outros. Somos seres que acolhemos riquezas que precisam ser distribuídas. Nada de acumulações estéreis e esterelizantes.

A desapropriação é o primeiro critério, para saber, se o homem é, na verdade, animado pelo Espírito: “Assim se pode conhecer se o servo de Deus tem o espírito do Senhor: se seu eu não se exaltar quando realizar por meio dele algum bem – mas antes se considerar o mais desprezível e se avaliar como menor que todos os outros homens” (Adm XII). Reencontramos eco de São Paulo para quem o pecado essencialmente do homem carnal, voltado sobre si mesmo, que reivindica autonomia absoluta, quando na verdade não pode gloriar-se de nada, tanto na ordem natural quanto no plano da salvação. Tudo é graça.

Francisco não tira os olhos do exemplo de Cristo. Não pode conceber Jesus, o Filho único, rico de outra coisa que de seu Pai, seu bem, sua riqueza, sua alegria. O Pai está sempre nas palavras, nos gestos, nas preocupações, na oração do Filho. A pobreza/desapropriação é a atitude evangélica fundamental, a atitude do Filho diante do Pai.

Frei Almir Guimarães

Inspirado em Michel Hubaut,OFM
Chemins d’intériorité avec Saint Fraçois d’Assise
Éditions Franciscaines, Paris, 2012, p. 189-195

 

http://www.franciscanos.org.br/?p=117102

 

São Francisco de Assis, um pobre que canta

 

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Frei Almir Guimarães

Senhor,
quando tivermos a tentação
de sermos donos e senhores de nós mesmos,
quando pensarmos sermos proprietários da verdade,
ensina-nos que somos pobres,
profundamente pobres,
mas pobres que cantam
porque tudo recebemos de tuas mãos:
a vida, o pão e o leite,
os companheiros de viagem, a coragem de viver,
o Evangelho de teu Filho.
Somos pobres: cantamos de alegria. Amém.

Num de seus livros, Michel Hubaut, OFM, no momento em que escreve sobre a pobreza de Francisco, intitula o capítulo com estas belas palavras: Um pobre que canta. O pobre é alguém livre que pode abrir os braços e cantar, que vive nas mãos de Deus, desse Deus que cuida da veste dos lírios e da roupagem sedosa dos pássaros. Nunca é demais refletir sobre esta característica tão importante da vida segundo o Evangelho que Francisco escolheu, a dama pobreza.

O Poverello não é um teórico. Desde que o Cristo de São Damião como que incendiou seu coração passou ele a ter uma compreensão profunda da Encarnação. Jesus é um peregrino, não tem pedra para reclinar a cabeça. Morre como um pobre, desprezado, crucificado, abandonado. Deus escolhe o não-poder, não hesita em tomar a condição de servo para enriquecer o homem. Nunca haver-se-á de banalizar a encarnação. “Esta é a fonte fundamental de seu amor pela pobreza e a maneira como concebe sua missão e a de seus irmãos. Anunciar o Evangelho não é em primeiro lugar pregar uma doutrina, mas participar de um movimento permanente do Amor que se encarna para libertar os homens, que se faz “pequeno” para fazer com que o homem cresça. Ele se humaniza para divinizar o homem” (Chemins d’intériorité avec saint François, Ed. Franciscaines, p. 183-184).

Ser pobre é, antes de tudo, reconhecer que não somos proprietários de nada, que tudo nos é oferecido liberalmente, tudo nos é dado para o uso no tempo da peregrinação e não para um usufruir definitivo. Agora somos andarilhos. O que vive pobremente tem a certeza da Presença de Deus como seu sustento. Tudo nos é dado de empréstimo e para ser partilhado.

Uma reflexão de Bernard Forthomme aponta na direção de afirmar que ser pobre é reencontrar a raiz paradisíaca, o principio do júbilo, a proximidade e intimidade com Deus. O homem estava nu antes e com o passar do tempo cobre-se de hábitos, vestes, ações, de bens e de ações. Palavras literais de Bernard: “A nudez significa esta simplicidade que nos torna objeto de uma visita de Deus em pessoa, inclusive na forma de Cristo na nudez de uma criança que nasce e de um supliciado a morrer no alto da cruz. Nudez, pobreza. Francisco, o pobre, vai querer morrer nu na terra nua. A nudez nas mãos de Deus não provoca vergonha. Os que estão “nus” diante de Deus são os pobres que não necessitam se esconder quando o Senhor passeia pelo paraíso no fim da tarde.

Ser pobre é reconhecer em todas as partes a marca do Criador e do Salvador, sem viver na angústia da falta e da perda. A própria morte não é uma inimiga, mas como uma irmã, porque nem a própria vida é propriedade minha. Trata-se de insigne bem que experimento como sendo uma benção, sem ser proprietário. Não terei inveja dos que parecem gozar de melhor saúde, ter mais cultura, inteligência mais arguta. O tempo de viver é sempre tempo de louvar aquele que me dispensa tais dons. Esta experiência paradisíaca faz a alegria, o canto de Francisco. Forthomme literalmente escreve que assim se explica “a importância da poesia, do canto e da teologia musical em Francisco”.

O pobre não recebe herança alguma a não ser os elementos do cosmos (a luz da lua e do sol, o fogo, a chuva, os ventos, a pedra, a terra) e os dons da graça. Não há garantia para o futuro e por isso é preciso trabalhar e trabalhar com as próprias mãos como fazia Francisco. Bernardo de Claraval já havia insistido no trabalho. Os pobres da era dos medicantes não dispunham da segurança dos mosteiros, mas do trabalho de suas mãos para viver e não com o propósito de acumular dinheiro e bens. Quando não há o que comer o frade menor se torna pedinte, como os frades pediam a comida para as irmãs pobres de São Damião. Os que não têm o que comer recorrem à mesa do Senhor.

Obs.: Os textos de Bernard Forthomme que inspiraram estavam em cópias sem indicação da fonte.

Francisco de Assis e este jeito de viver e pregar o Evangelho

 

São Francisco de Assis andou pelo mundo e enviou seus irmãos para o mundo para que vivessem, levassem e pregassem o Evangelho. A evangelização é simplesmente isto: ser, viver, levar a Boa Nova. Teve o seu modo próprio de evangelizar: a partir da fraternidade e da minoridade. A fraternidade é a família dos que estão na mesma consanguinidade espiritual, na mesma escolha, no mesmo projeto. Que projeto é este? Pegar a Palavra do Evangelho e colocar ali corpo, alma, mente, coração, sentimento, emoção, e mãos calejadas de obras. A minoridade é a renúncia do poder de quem tem saber, de quem tem poder, de quem tem muitas posses que ampliam o ter. É desapropriar-se de amarras para ser livre pelo caminho. Pregar o Evangelho não é para poderosos, mas para irmãos menores. Na fraternidade e na minoridade nada ter para tudo partilhar.

Para pregar o Evangelho é preciso sair pelo mundo, recolher-se em eremitérios, sair de novo, escrever cartas, ultrapassar fronteiras, contar apenas com a força da Palavra, sem precisar nem de bastão, nem  alforge. Levar a paz e comer do que é oferecido pelo caminho. Pregar o Evangelho não é fazer exigência, mas oferecer serviço. Pregar o Evangelho é estar em prece e no modelo vivo de tantos exemplos. É ser a Boa Nova de Jesus Cristo, anunciada com firmeza, segurança, abraçando o momento com seus desafios, sem se desconcertar em situações contrárias.

Para levar o Evangelho é preciso ter a postura de Jesus: anunciar uma mudança, aproximar o Reino das pessoas e as pessoas do Reino. É expulsar o que faz mal, integrar o que está excluído, curar o que está adoecido, preparar bem um pequeno grupo de multiplicadores de um poderoso anúncio com uma capacidade ilimitada de amar e mostrar que a Boa Nova é querer bem a todos sem distinção. Ter esta grande reverência pela pessoa humana, de modo especial os pequeninos, a quem a verdade é revelada de um modo tão evidente. Pregar o Evangelho é fazer a Palavra carne da própria carne, sangue do próprio sangue, pulsar do próprio coração.

Imagem do “Francesco”, filme italiano com Mickey Rourke no papel de Francisco.

FREI VITÓRIO MAZZUC

http://carismafranciscano.blogspot.com.br/

 

 

“Antes de falar de paz, coloca teu coração em paz”

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Cidade do Vaticano – Pedir a Deus a “sabedoria” para promover a paz nas coisas quotidianas porque é a partir dos pequenos gestos que nasce a possibilidade da paz em escala global.

Com este pensamento, o Papa retomou as homilias na Casa Santa Marta nesta quinta-feira (08), após a pausa de verão.

A paz não se constrói por meio de grandes consensos internacionais. A paz é um dom de Deus que nasce em lugares pequenos. Em um coração, por exemplo.

Ou em um sonho, como acontece a José, quando um anjo lhe diz que não deve ter medo de se casar com Maria, porque ela doará ao mundo o Emanuel, o “Deus conosco”. E o Deus conosco, diz o Papa, “é a paz”.

Trabalho contínuo

Deste ponto parte a reflexão, de uma liturgia que pronuncia a palavra “paz” desde a primeira oração.

O que atrai a atenção de Francisco em particular é o verbo que se ressalta na oração da coleta, “que todos nós possamos crescer na unidade e na paz”.

“Crescer” porque, destaca, a paz é um dom “que tem seu caminho de vida” e, portanto, cada um deve “trabalhar” para que este se desenvolva:
“E esta estrada de santos e pecadores nos diz que também nós devemos pegar este dom da paz e abrir-lhe caminho em nossa vida, fazê-lo entrar em nós, fazê-lo entrar no mundo. A paz não se constrói da noite para o dia; a paz é um dom, mas um dom que deve ser tomado e trabalhado todos os dias. Para isto, podemos dizer que a paz é um dom artesanal nas mãos dos homens. Somos nós, homens, todos os dias, que devemos dar um passo para a paz: é o nosso trabalho. É o nosso trabalho com o dom recebido: promover a paz”.

Guerra nos corações, guerra no mundo

Mas como é possível atingir esta meta, se questiona o Papa. Na liturgia do dia, explica, há uma outra palavra que fala de “pequenez”.

Aquela da Virgem, da qual se festeja a Natividade, e também aquela de Belém, tão “pequena que tampouco consta nos mapas”, ressalta Francisco:

“A paz é um dom, é um dom artesanal que devemos trabalhar, todos os dias, mas trabalhá-lo nas pequenas coisas: nas pequenezes cotidianas. Não são suficientes os grandes manifestos pela paz, os grandes encontros internacionais se depois não se realiza esta paz no pequeno. Aliás, tu podes falar da paz com palavras esplendidas, fazer uma grande conferência… Mas se no teu pequeno, no teu coração não há paz, na tua família não há paz, no teu bairro não há paz, no teu trabalho não há paz, não haverá tampouco no mundo”.

Questionar-se

É preciso pedir a Deus, sugere o Papa, a graça da “sabedoria de promover a paz nas pequenas coisas quotidianas todavia mirando ao horizonte de toda a humanidade”.

Justamente hoje – repete Francisco – quando “vivemos uma guerra e todos pedem a paz”. No entanto, conclui o Pontífice, será bom questionar-se:

“Como está teu coração hoje? Está em paz? Se não está em paz, antes de falar de paz, coloca teu coração em paz. Como está a tua família hoje? Está em paz? Se não és capaz de levar adiante a tua família, o teu presbitério, a tua congregação, levá-la adiante em paz, não bastam palavras de paz para o mundo… Esta é a pergunta que hoje gostaria de fazer: como está o coração de cada um de nós? Está em paz? Como está a família de cada um de nós? Está em paz? É assim, não? Para chegar a um mundo em paz”.

 

O Senhor esteja “convosco”

 

Frei Alberto Beckhäuser, OFM

O título deste pequeno artigo nos leva a refletir sobre o aspecto hierárquico e dialogal da assembleia litúrgica, como manifestação máxima do Corpo de Cristo, a Igreja.

A Igreja, Corpo místico de Cristo, manifesta-se em sua plenitude, quando reunida sob a presidência do Bispo ou de um presbítero, seu delegado. Diz o Concílio Vaticano II: “As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é o ‘sacramento da unidade’, isto é, o povo santo, unido e ordenado sob a direção dos Bispos. Por isso estas celebrações pertencem a todo o Corpo da Igreja, e o manifestam e afetam; mas atingem a cada um dos membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, ofícios e da participação atual” (SC 26). Mais adiante se afirma: “Nas celebrações litúrgicas, cada qual, ministro ou fiel, ao desempenhar a sua função, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete” (SC 28).

Se estes princípios valem para toda ação litúrgica, aplicam-se particularmente à Missa. A Instrução Geral sobre o Missal Romano diz: “A Celebração Eucarística constitui uma ação de Cristo e da Igreja, isto é, o povo santo, unido e ordenado sob a direção do Bispo. Por isso, pertence a todo o Corpo da Igreja e o manifesta e afeta; mas atinge a cada um dos seus membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, ofícios e da participação atual. Desta forma, o povo cristão, ‘geração escolhida, sacerdócio real, gente santa, povo de conquista’, manifesta sua organização coerente e hierárquica. Todos, portanto, quer ministros ordenados, quer fiéis leigos, exercendo suas funções e ministérios, façam tudo e só aquilo que lhes compete” (n. 91). E acrescenta: “Toda celebração legítima da Eucaristia é dirigida pelo Bispo, pessoalmente ou através dos presbíteros, seus auxiliares” (n. 92).

Para expressar que somente os ministros ordenados presidem a celebração litúrgica na função de Cristo Cabeça do seu Corpo que é a Igreja, ela reserva, pelas normas litúrgicas, as saudações, as bênçãos e o envio da assembleia ao ministro ordenado, no exercício de sua função. Os ministros não ordenados são considerados iguais entre os demais fiéis. Por isso, não ocupam a cadeira da presidência, nem saúdam liturgicamente, nem abençoam os fiéis. Por exemplo, em celebrações da Palavra, quem proclama o Evangelho não saúda a assembleia, mas diz simplesmente: “Ouçamos as palavras do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus”, ou simplesmente: “Do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas”.

Por outro lado, os ministros ordenados não dirão: O Senhor esteja conosco, mas, O Senhor esteja convosco; Abençoe-vos o Deus todo poderoso; A paz do Senhor esteja sempre convosco e não conosco; Ide em paz, e não, vamos em paz e o Senhor vos acompanhe, e não, nos acompanhe. Não é fácil largar um hábito adquirido!

O costume, mais ou menos generalizado de os sacerdotes se incluírem nas saudações e bênçãos, surgiu nos primeiros anos após o Concílio. Foi a tendência de se valorizar o sacerdócio batismal dos leigos. Feliz ideia, mas fora do lugar!

Os ministros ordenados em sua função, no diálogo com a assembleia, expressam o diálogo da assembleia com Deus. Eles estão agindo em nome de Deus, em nome de Cristo. É Deus, em nome de Cristo e na força do Espírito Santo, quem saúda, abençoa e envia. Exercem uma função mediadora entre Deus e a assembleia. Eles comunicam Deus com a assembleia e a assembleia com Deus. Trata-se de uma comunicação divina. Os ministros ordenados expressam e exercem uma especial presença e ação de Cristo na Sagrada Liturgia de todo o povo santo e sacerdotal de Deus.

http://www.franciscanos.org.br/?p=116266

 

Setembro: A mística franciscana no mês da Bíblia

Apresentação

Mês de setembro, mês da Bíblia. Não dá para falar de São Francisco de Assis sem associá-lo à Palavra de Deus. A Igreja deu a ele o título merecido de “Homo Totus Evangelicus” e Frei Hugo Baggio escreve: “Ele soube verdadeiramente sentir a Palavra, não como um conjunto de símbolos ou uma transcrição escrita de uma fala de Jesus, mas como um ser vivo, palpitante, que podia ser tocado e cujo toque provocava calafrios e cujo som como que enchia os ares. Tocar no livro que continha a Palavra de Deus era como tocar no próprio Cristo”.

Frei Hugo lembra ainda que a relação Evangelho-Francisco, por todos os autores de seu tempo aos nossos dias, foi percebida como uma verdadeira revolução. “Se de um lado causa admiração como o Evangelho estava marginalizado pela Igreja, melhor dito, pelos homens da Igreja, do outro lado, causa admiração como Francisco, numa simplicidade comovente, faz com que o Evangelho volte ao centro da vida cristã e faça com que a mensagem de Cristo se transforme em vida”.

Neste Especial, oferecemos alguns textos que mostram como o Evangelho pautou a vida de Francisco e serviu para fundamentar a Regra da Ordem dos Frades Menores. Como diz Elói Leclerc, no livro “Francisco de Assis, o Retorno do Evangelho”, o que dá à experiência evangélica franciscana sua verdadeira dimensão e seu poder de sedução é, precisamente, esse encontro entre o Evangelho e as aspirações profundas do homem, entre a mensagem de Jesus e as forças criativas da história”. Para complementar, textos da Bíblia Sagrada, da Editora Vozes, são didáticos e ajudam a entender melhor o Livro dos Livros.

http://www.franciscanos.org.br/?p=20556

Mesmo de forma tardia, queremos notificar que Madre Teresa é declarada santa

Cerca de 120 mil fiéis participaram da missa de canonização

“A misericórdia foi para ela o ‘sal’, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento”, disse o papa Francisco na missa de canonização de Madre Teresa de Calcutá, neste domingo, 4, na Praça São Pedro, no Vaticano. Participaram da celebração cerca de 120 mil fiéis de diversos lugares do mundo.

Em sua homilia, Francisco disse que madre Teresa “inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem sua culpa diante dos crimes e da pobreza criada por eles mesmos”.

Madre Teresa

Agnes Gonxha Bojaxhiu, o verdadeiro nome da Madre Teresa, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979, nasceu no dia 26 de agosto de 1910 em Skopje, capital da atual república da Macedônia. Foi a fundadora das Missionárias da Caridade.

Sua beatificação ocorreu em  2003 depois que o Vaticano reconheceu como milagre a cura de um tumor no abdômen de uma mulher indiana após colocar uma fotografia da religiosa em um relicário.

A canonização acontece após o reconhecimento, em julho de 2015, pelo Vaticano, de mais um milagre atribuído a ela. No caso, foi constatada a cura imediata de um brasileiro que sofria de grave doença cerebral.

Leia, abaixo, a íntegra da homilia do papa Francisco.

SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO DA BEATA 

MADRE TERESA DE CALCUTÁ

JUBILEU DOS OPERADORES E DOS VOLUNTÁRIOS DA MISERICÓRDIA

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Praça São Pedro

Domingo, 4 de setembro de 2016

 

«Qual o homem que conhece os desígnios de Deus?» (Sab 9,13). Esta interrogação do Livro da Sabedoria, que escutamos na primeira leitura, apresenta-nos a nossa vida como um mistério, cuja chave de interpretação não está em nossa posse. Os protagonistas da história são sempre dois: Deus de um lado e os homens do outro. A nossa missão é perceber o chamado de Deus e aceitar a sua vontade. Mas para aceitá-la sem hesitar, perguntemo-nos: qual é a vontade de Deus na minha vida?

No mesmo trecho do texto sapiencial encontramos a resposta: «Os homens foram instruídos no que é do Vosso agrado» (v 18). Para verificar a chamada de Deus, devemos perguntar-nos e entender o que Lhe agrada. Muitas vezes, os profetas anunciam o que é agradável ao Senhor. A sua mensagem encontra uma síntese maravilhosa na expressão: «Misericórdia quero, e não sacrifício» (Os 6,6; Mt 9,13). Para Deus todas as obras de misericórdia são agradáveis, porque no irmão que ajudamos, reconhecemos o rosto de Deus que ninguém pode ver (cf. Jo 1,18). E todas as vezes em que nos inclinamos às necessidades dos irmãos, demos de comer e beber a Jesus; vestimos, apoiamos e visitamos o Filho de Deus (cf. Mt 25,40). Em definitiva, tocamos a carne de Cristo.

Estamos chamados a pôr em prática o que pedimos na oração e professamos na fé. Não existe alternativa para a caridade: quem se põe ao serviço dos irmãos, embora não o saibamos, são aqueles que amam a Deus (cf. 1 Jo 3,16-18; Tg 2,14-18). A vida cristã, no entanto, não é uma simples ajuda oferecida nos momentos de necessidade. Se assim fosse, certamente seria um belo sentimento de solidariedade humana, que provoca um benefício imediato, mas seria estéril, porque careceria de raízes. O compromisso que o Senhor pede, pelo contrário, é o de uma vocação para a caridade com que cada discípulo de Cristo põe ao seu serviço a própria vida, para crescer no amor todos os dias.

Escutamos no Evangelho que «seguiam com Jesus grandes multidões» (Lc 14,25). Hoje, a “grande multidão” é representada pelo vasto mundo do voluntariado, aqui reunido por ocasião do Jubileu da Misericórdia. Sois aquela multidão que segue o Mestre, e que torna visível o seu amor concreto por cada pessoa. Repito-vos as palavras do apóstolo Paulo: «Tive grande alegria e consolação por causa do teu amor fraterno, pois reconfortaste os corações dos santos» (Flm 7). Quantos corações os voluntários confortam! Quantas mãos apoiam; quantas lágrimas enxugam; quanto amor é derramado no serviço escondido, humilde e desinteressado! Este serviço louvável dá voz à fé – dá voz a fé! – e manifesta a misericórdia do Pai que se faz próximo daqueles que passam por necessidade.

Seguir Jesus é um compromisso sério e ao mesmo tempo alegre; exige radicalidade e coragem para reconhecer o divino Mestre no mais pobre e descartado da vida e colocar-se ao seu serviço. Para isso, os voluntários que servem os últimos e necessitados por amor de Jesus não esperam nenhum agradecimento ou gratificação, mas renunciam tudo isso porque encontraram o amor verdadeiro. E cada um pode dizer: “Como o Senhor veio até mim e se inclinou sobre mim na hora da necessidade, assim vou ao seu encontro e me inclino sobre aqueles que perderam a fé ou vivem como se Deus não existisse, sobre os jovens sem valores e ideais, sobre as famílias em crise, sobre os enfermos e os prisioneiros, sobre os refugiados e imigrantes, sobre os fracos e desamparados no corpo e no espírito, sobre os menores abandonados à própria sorte, bem como sobre os idosos deixados sozinhos. Onde quer que haja uma mão estendida pedindo ajuda para levantar-se, ali deve estar a nossa presença e a presença da Igreja, que apoia e dá esperança”. E fazê-lo com a memória viva da mão do Senhor estendida sobre mim quando eu estava por terra.

Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, por meio do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que «quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável». Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes – diante dos crimes!- da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.

A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres. Hoje entrego a todo o mundo do voluntariado esta figura emblemática de mulher e de consagrada: que ela seja o vosso modelo de santidade! Parece-me que, talvez, teremos um pouco de dificuldade de chamá-la de Santa Teresa: a sua santidade é tão próxima de nós, tão tenra e fecunda, que espontaneamente continuaremos a chamá-la de “Madre Teresa”. Que esta incansável agente de misericórdia nos ajude a entender mais e mais que o nosso único critério de ação é o amor gratuito, livre de qualquer ideologia e de qualquer vínculo e que é derramado sobre todos sem distinção de língua, cultura, raça ou religião. Madre Teresa gostava de dizer: «Talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir». Levemos no coração o seu sorriso e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho, especialmente àqueles que sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de esperança numa humanidade tão desesperançada e necessitada de compreensão e ternura.

 

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