Diz o relato de 1Cel 47,6: “Enfim compreenderam e souberam que a alma do santo pai brilhava com tão grande fulgor que, pela graça de sua especial pureza e do piedoso cuidado para com os filhos, mereceu obter do Senhor a bênção de tão grande dom”, ou em 1Cel 54,3: “A consciência, testemunha de toda inocência, não permitia que ele descansasse, guardando-se com todo cuidado, enquanto não curasse com ternura a ferida espiritual causada por ele”. Temos muitos relatos mostrando o jeito inocente de Francisco, a pureza de seu coração, o secreto tesouro de todos os caminhos. Por ser puro, atraía em seu segredo.

Como dizer que Francisco de Assis era puro de coração? Pelo seu amor apaixonado por Deus, pelas pessoas e às coisas da terra. Isto o guiou à máxima doação de si mesmo. É o seu olhar sensível e penetrante que vê o fundo profundo de todos os desejos como pura graça e esplendor natural; este seu ver amoroso da maravilhosa manifestação de Deus na existência.

A pureza de coração de Francisco está no seu retorno à simplicidade originária; ao estar no êxtase de louvor à vida. O puro de coração satisfaz seus desejos na fluência da força da vida, na escuta do Mistério, no espalhar Amor em tudo o que faz. Não vive no medroso cativeiro da sua vontade, mas vê a vontade do Senhor em tudo. Ele imitou o Senhor o Casto por excelência; louvava Maria em sua fontal virgindade; admirava José, o simples, puro e silencioso. Com eles entrou no caminho da perfeita correspondência de doação à vida: a Encarnação.

Francisco parecia louco e ingênuo, mas seu coração cheio de algo profundo não se esvaziou nas normas que queriam impor a ele. Não reprimiu o Amor, mas o transformou num projeto de vida. Mostrou que amar não é privar-se, mas sim doar-se na força do Deus que é Amor. Ele foi um equilibrado por saber usar a medida exata de suas forças! Que o Pobre de Assis nos liberte do nosso medo de amar, e cantemos a provocante canção de Beto Guedes: “O medo de amar é o medo de ser livre!”, escolhendo sempre a liberdade de Amar! Isto é castidade!

Imagem: de Piero Casentini

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