Se olharmos o que vemos e sofremos como consequência política hoje podemos dizer: não! Se olharmos a corrupção, o tráfico de influência, essa imoralidade toda, este circo político do nosso país, com certeza: não! Se buscarmos o verdadeiro conceito grego de politikein, politikós, que significa: arranjo existencial para o bem comum, podemos dizer: sim! Ele não dançou em frente do palco político deste mundo que encena falas vazias, mentirosas, intrigantes, cheias de declarações abaixo de qualquer crítica. Ele não abraçou a força dos poderosos, nem se corrompeu pela ambição, nem se vendeu por questões econômicas que são muito mais importantes que a grande questão humana: saúde, habitação, educação e emprego. Francisco de Assis andou pelas terras sem ser dono delas. Sem conhecer a posse.

Mostrou que a Pobreza é acima de tudo a partilha, que as coisas têm valor em si, que a política do Reino é dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Ele não tinha discurso de ódio, mas deu à humanidade um princípio de paz: o humano na sua inteireza! Ele tinha um código de ética perfeito: o Santo Evangelho. Quis ser verdadeiro e se espelhou na verdade de Jesus Cristo. Pediu tijolos e bênçãos não para construir para si, mas para reconstruir a casa do coração, a casa dos valores e a casa do mundo. Seu único lobby foi a Fraternidade.

Não quis que sua Fraternidade ajuntasse dinheiro nos distantes limites de ilhas e países, mas ensinou a comunhão de bens. Não se armou com a valentia dos prepotentes, mas quis que seus seguidores não portassem armas. Se não possuem armas, não se instaura a conflitividade ou qualquer tipo de guerra. Quis apenas que jurassem sobre a transparência da própria vida e dos Conselhos Evangélicos. Propõe obediência, fidelidade e lealdade. Faz uma opção clara pelo bem comum. Domestica a violência do lobo como um significado real para a não-violência. Tinha no Bolso Nada, apenas uma linguagem segura e leve do Amor!

Concilia a briga do prefeito com bispo de Assis. Dialoga com o sultão sem precisar de espada, lança, escudo ou palavras rancorosas de acusação. Ah! Meu Francisco de Assis! Ajuda nesta hora em que, politicamente, perdido estou! Moro num país que tem 516 anos de processo colonizatório, mas que politicamente ainda não foi descoberto. Manda umas caravelas para cá, de outro jeito, para redescobrir este lugar! Envia uns confrades seus guiando-se por estrelas, vento e lua, dançando com os nativos, sonhando mundo novo, benzendo o perigo, e recomeçando tudo outra vez!

FREI VITÓRIO MAZZUCO

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