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Nos Caminhos de Francisco

Seguir Jesus a exemplo de Francisco de Assis

mês

junho 2016

Humano Demais

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“Sou humano demais para compreender, humanos demais para entender, esse jeito que escolheste de amar quem não merece. Sou humano demais pra compreender, humano demais pra entender que aqueles que escolheste e tomaste pela mão, geralmente não os quero do meu lado…” (Pe. Fábio de Melo)

Com essas palavras deste grande poeta e sacerdote, quero convidar os irmãos e irmãs a refletir se nossa humanidade tem nos afastado do olhar de Jesus pela humanidade. Ele escolheu aqueles que, em nosso crivo, não nos seriam os “nossos escolhidos”.

Devemos nos despir de nossos conceitos e preconceitos para seguirmos efetivamente o Caminho de Jesus. São os pequenos e menos que indicados “aqueles” que Ele primeiramente ama.

A Samaritana, o Bom Ladrão, o Publicano, entre outros… Foram estes que Ele escolheu e tomou pela mão. Quem são esses em nosso meio hoje? Pensemos nisso. Acolhamos aqueles que em nossa humanidade não o faríamos mas, na ótica de Jesus, são seus amados…

Paz e Bem!

H. Fernandes

 

Como São Francisco lia e compreendia a Bíblia

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São Francisco lia e compreendia os textos Sagrados como se fossem escritos para ele. Sua forma de compreensão era prática e aplicada em sua vida. Não fazia uma leitura atemporal ou que não estivesse implicado diretamente com o texto. Ele se colocava de maneira simples diante do texto e queria que os seus irmãos também tivessem essa mesma atitude de respeito para que o texto fosse aplicado à vida e não ficasse alheio a ela.

O que chama atenção antes de mais nada é o tipo de compreensão que São Francisco teve da Palavra de Deus. Embora ele mesmo se considerasse “simples e idiota” (Test 19; CtOr 39), isto é, “iletrado” teve profundíssima compreensão da Palavra do Senhor. Malraux observa que Francisco é um santo sem teologia, mas talvez melhor seria dizer com Louis Antoine que a teologia de Francisco não consiste em conceitos sublimes. Sua teologia é essencialmente diálogo terno, ardente, chama que brota de seu coração. Deus é para ele realidade. É precisamente a partir deste ângulo que deve ser entendido o modo como Francisco se posicionou diante da Sagrada Escritura (DICIONÁRIO FRANCISCANO, 1993, p. 527).

Em relação à compreensão que São Francisco tinha da Palavra de Deus, Celano assim escreve a seu respeito:

Embora não tenha tido nenhum estudo, o santo aprendeu a sabedoria do alto, que vem de Deus, e iluminado pelos fulgores da luz eterna, não era pouco o que entendia das Sagradas Escrituras. Sua inteligência purificada penetrava os segredos dos mistérios, e, onde ficava fora a ciência dos mestres, entrava seu afeto cheio de amor. Lia, às vezes, os livros sagrados, e o que punha uma vez na cabeça ficava indelevelmente gravado em seu coração. Usava a memória no lugar dos livros, porque não perdia o que ouvia uma vez só, pois ficava refletindo com amor em contínua devoção. Dizia que esse modo de aprender e de ler era muito vantajoso, sem ter que folhear milhares de tratados. Era um verdadeiro filósofo porque não preferia coisa nenhuma mais que a vida eterna. Afirmava que passaria facilmente do conhecimento de si mesmo para o conhecimento de Deus aquele que estudasse as Escrituras com humildade e sem presunção. Era frequente resolver oralmente as dúvidas de algumas questões, porque, embora não fosse culto nas palavras, destacava-se vantajosamente na inteligência e na virtude (SÃO FRANCISCO DE ASSIS,1988, p. 360).

O conhecimento de Francisco sobre as Escrituras acontece na prática da vida. Das contínuas reflexões que vai realizando e daquilo que ouve nas liturgias. Era a forma mais comum para uma pessoa poder compreender e ter acesso à Palavra de Deus. Esse foi o caminho usado por São Francisco que possuía um ouvido atento para compreender a palavra que lhe era dirigida. Francisco tinha desenvolvido em sua vida o senso prático das coisas, mas esta sua praticidade estava ancorada numa vida de oração e meditação.

Assim, Francisco aprendeu de Deus a sabedoria celeste. Ele teve um conhecimento sapiencial da Sagrada Escritura, fruto de intensa vida de oração e de união com Deus (cf. Lm 4,3). Por isso ele tinha condições de explicá-la e, como observa Celano, com uma só frase, resolvia questões discutidas e, sem abundância de palavras, demonstrava grande inteligência e profunda penetração (cf. 2Cel 102) (DICIONÁRIO FRANCISCANO, 1993, p. 527).

Por ser São Francisco um homem todo voltado para a oração até mesmo os frades buscavam na Palavra de Deus o consolo para sua vida nos momentos de dificuldade. A Palavra de Deus era fonte de alegria e exultação nos momentos de dor.

É Celano ainda que relata o episódio que aconteceu quando Francisco estava doente. Um irmão, vendo-o neste estado, disse-lhe: “Pai, sempre te refugiaste nas Escrituras, elas sempre foram um remédio para tuas dores. Peço que mandes ler alguma coisa dos profetas, pode ser que teu espírito exulte no Senhor”. O santo respondeu: “É bom ler os testemunhos das Escrituras, é bom procurar nelas Deus nosso Senhor, mas eu já aprendi tantas coisas na Bíblia que para mim é mais do que suficiente meditar e recordar. Não preciso mais nada, filho. Conheço Cristo pobre e crucificado” (2Cel 105; cf. também LP 38) (DICIONÁRIO FRANCISCANO, 1993, p. 527).

A contemplação do Cristo pobre, humilde e crucificado, ou seja, contemplando a vida de Jesus, era para Francisco a Palavra de Deus viva e verdadeira e trazia para ele como que a totalidade das Escrituras na contemplação da vida do próprio Cristo.

Na contemplação do Cristo pobre e crucificado, Francisco via a soma e a totalidade do que se pode compreender das Sagradas Escrituras. Certamente foi a partir desta experiência que escreveria, a este respeito, palavras fortes e significativas. Na Adm 7, na realidade, escreveu: “A letra mata, mas o espírito vivifica… São mortos pela letra aqueles religiosos que não querem seguir o espírito das Sagradas Escrituras, mas só se esforçam por saber as palavras e interpretá-las aos outros. São, porém, vivificados pelo espírito das Sagradas Escrituras aqueles que tratam de penetrar mais a fundo em cada letra que conhecem, não atribuindo o seu saber ao corpo, mas pela palavra e pelo exemplo o restituem a Deus, seu supremo Senhor, ao qual todo bem pertence” (Adm 7) (DICIONÁRIO FRANCISCANO, 1993, p. 527).

Para Francisco o conhecimento das escrituras deve vir da ação do Espírito do Senhor e não somente dos estudos. A meditação, o aprofundamento das letras faz com que o Espírito de Deus possa agir na mente e no coração de quem se aproxima da Palavra de Deus.

Francisco refere-se aqui às palavras de 2Cor 3,6 e aponta para um princípio fundamental de hermenêutica bíblica, já formulado por São Jerônimo e repetido pelo Concílio Vaticano II: “As divinas escrituras devem ser lidas e interpretadas com o auxílio do mesmo Espírito Santo pelo qual foram escritas. O que mais conta para Francisco é “ter o Espírito do Senhor e seu santo modo de operar” (RB 10,9; cf. também EP 69) (DICIONÁRIO FRANCISCANO, 1993, p. 528).

Para a compreensão das Sagradas Escrituras é preciso deixar-se imbuir pelo Espírito Santo de Deus. Esse mesmo Espírito que fez com que as comunidades percebessem que Deus caminha com seu povo na história. Conforme nos relata Strabeli em seu livro: “Por isso São Francisco não cita os textos da Sagrada Escritura usando os verbos no passado: ‘Disse o Senhor’, ‘Disse Jesus’, ‘Disse o Evangelho’, mas sim no presente: ‘O senhor diz no Evangelho’, ‘diz Jesus aos discípulos’…” (STRABELI, 1993, p. 34). Na compreensão de São Francisco Deus fala diretamente, ou seja, no presente e no cotidiano de sua vida.

Como foi dito acima, São Francisco é filho da sua época e conheceu, pelo menos elementarmente, as regras de interpretação da Bíblia usadas no seu tempo. A regra fundamental de interpretação da Bíblia naquele tempo era a da alegoria. Todavia foi observado que São Francisco distanciou-se desse tipo de leitura bíblica. Ou, pelo menos, não ficou só nele (STRABELI, 1993, p. 28).

Francisco procurou ser fiel ao seguimento da Palavra que Deus lhe anunciava. Com a mesma clareza que percebia de Deus essa Palavra procurava vivê-la e queria que seus irmãos assim também compreendessem e vivessem.

Para alguns autores, a exegese de Francisco foi literalista e mimetista, isto é, ele entendia o texto, de um lado, ao pé da letra (literalismo), e de outro, ele usava os textos de maneira parcial, selecionando-os segundo sua intenção ou interesse (mimetismo). Ele diz que escreveu a Regra e o Testamento de maneira simples e também de maneira simples e sem glosa deveriam ser entendidos. E sabemos que a regra, principalmente, é redigida sobre textos evangélicos. Mas pela maneira como São Francisco trabalha os textos na Regra e em outros escritos, podemos perceber que sua exegese é ampla: é fiel à letra do texto e não mutila o texto por meio de uma seleção arbitrária. As citações são feitas coerente, correta e abundantemente. Os seus três principais escritos (Regra não bulada, Regra bulada e Testamento) são prova disso (STRABELI, 1993, p. 28).

Quando falamos de sentido literal devemos entender que Francisco buscava o sentido exato do texto expresso pelo autor. Não interpretava o texto, mas procurava seguir ao pé da letra, e de maneira simples assim como compreendia vivia.

Pelas suas citações bíblicas claras, textuais, literais, São Francisco se afasta da tradição medieval, opondo a leitura literal à espiritual. “A leitura literal é a porta necessária que conduz à leitura espiritual” e abre campo para a compreensão das Escrituras”. O “literalismo” dele é o apego ao sentido exato do termo usado pelo autor sagrado, sem fazer nenhum tipo de alegoria, como era comum no seu tempo (STRABELI, 1993, p. 30).

Francisco apresenta em sua maneira de ler a bíblia uma leitura com exatidão, buscando seu verdadeiro sentido. Não se deixa influenciar pelas formas de leituras feitas em seu tempo, mas vai ao essencial.

A exegese da Bíblia é feita por São Francisco com exatidão, podemos dizer; o texto é compreendido e aplicado em seu verdadeiro sentido, tal como o faz a exegese hoje. Sua hermenêutica não é alegórica, como era comum fazê-lo em seu tempo. Na sua leitura da Bíblia transparece a percepção que ele tem do essencial da mensagem bíblica. Percebemos que na interpretação que ele faz da Escritura transparece a posição de um cristão simples de coração, livre, com experiência na vida litúrgica da Igreja e que vai ao essencial da Palavra que lê ou que lhe é anunciada. Sua leitura da Bíblia não é seletiva, nem reducionista e nem literal. Ele foi de fato um servidor fiel da Palavra (STRABELI, 1993, p. 51).

Francisco em sua relação íntima e afetuosa com a Palavra de Deus, fruto de um processo longo e contínuo de meditação, compreendia com exatidão a Palavra lida, ouvida e meditada. Essa compreensão essencial é fruto de uma familiaridade com a Palavra de Deus e um colocar-se de modo simples diante da Palavra.

Embora o santo não tivesse falado ao menos nos escritos, de uma observância literal da Regra(ou do Evangelho), bem cedo as exortações contidas no Testamento em torno da observância simples e pura, sem glosa, foram interpretadas como observância literal (DICIONÁRIO FRANCISCANO, 1993, p. 213).

É importante ter presente essa maneira simples da leitura de Francisco que por vezes chega confundir o leitor fazendo-o interpretar de forma errônea sua intenção primeira. “E, no entanto, é o contrário o que resulta de nossa análise; a observância simples e pura, sem glosa ou comentários ‘carnais’, é a observância espiritual, ou seja, segundo o Espírito do Senhor, inspirador da Regra” (DICIONÁRIO FRANCISCANO, 1993, p. 213).

São Damião de Molokai

O sacerdote missionário Josef de Veuster-Wouters , em 11 de outubro de 2009 passou a ser chamado São Damião de Molokai, canonizado pelo Papa Bento XVI em presença do rei e da rainha da Bélgica em meio à imensa alegria dos irmãos e irmãs da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Adoração Perpétua ao Santíssimo Sacramento do Altar espalhados pelo mundo.

Josef de Veuster-Wouters nasceu no dia 3 de janeiro de 1840, numa pequena cidade ao norte de Bruxelas, na Bélgica. Aos dezenove anos de idade, entra para a Ordem dos Padres do Sagrado Coração e toma o nome de Damião. Em seguida, é enviado para terminar seus estudos num colégio teológico em Paris.

A vida de Damião começou a mudar quando completou vinte e um anos de idade. Um bispo do Havaí, arquipélago do Pacífico, estava em Paris, onde ministrava algumas palestras e pretendia conseguir missionários para o local. Ele expunha os problemas daquela região e, especialmente, dos doentes de lepra, que eram exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai, por determinação do governo.

Damião logo se interessou e se colocou à disposição para ir como missionário à ilha. Alguns fatos antecederam a sua ida. Uma epidemia de febre tifoide atingiu o colégio e seu irmão caiu doente. Damião ainda não era sacerdote, mas estava disposto a insistir que o aceitassem na missão rumo a Molokai. Escreveu uma carta ao superior da Ordem do Sagrado Coração, que, inspirado por Deus, permitiu a sua partida. Assim, em 1863 Damião embarcava para o Havaí, após ser ordenado sacerdote.

Chegando ao arquipélago, Damião logo se colocou a par da situação. A região recebera imigrantes chineses e com eles a lepra. Em 1865, temendo a disseminação da doença, o governo local decidiu isolar os doentes na ilha de Molokai. Nessa ilha existia uma península cujo acesso era impossível, exceto pelo mar. Assim, aquela península, chamada Kalauapa, tornou-se a prisão dos leprosos.

Para lá se dirigiu Damião, junto de três missionários que iriam revezar os cuidados com os leprosos. Os leprosos não tinham como trabalhar, roubavam-se entre si e matavam-se por um punhado de arroz. Damião sabia que ficaria ali para sempre, pois grande era o seu coração.

Naquele local abandonado, o padre começou a trabalhar. O primeiro passo foi recuperar o cemitério e enterrar os mortos. Com frequência ia à capital, comprar faixas, remédios, lençóis e roupas para todos. Nesse meio tempo, escrevia para o jornal local, contando os terrores da ilha de Molokai. Essas notícias se espalharam e abalaram o mundo, todo tipo de ajuda humanitária começou a surgir. Um médico que contraíra a lepra ao cuidar dos doentes ouviu falar de Damião e viajou para a ilha a fim de ajudar.

No tempo que passou na ilha, Damião construiu uma igrejinha de alvenaria, onde passou a celebrar as missas. Também construiu um pequeno hospital, onde, ele e o médico, cuidavam dos doentes mais graves. Dois aquedutos completavam a estrutura sanitária tão necessária à vida daquele povoado. Porém a obra de Damião abrangeu algo mais do que a melhoria física do local, ele trouxe nova esperança e alívio para os doentes. Já era chamado apóstolo dos leprosos.

Numa noite de 1885, Damião colocou o pé esquerdo numa bacia com água muito quente. Percebeu que tinha contraído a lepra, pois não sentiu dor alguma. Havia passado cerca de dez anos desde que ele chegou à ilha e, milagrosamente, não havia contraído a doença até então. Com o passar do tempo, a doença o tomou por inteiro.

O doutor já havia morrido, assim como muitos dos amigos, quando, em 15 de abril de 1889, padre Damião de Veuster morreu. Em 1936, seu corpo foi transladado para a Bélgica, onde recebeu os solenes funerais de Estado. Em 1995, padre Damião de Molokai foi beatificado pelo papa João Paulo II e sua festa, designada para o dia 10 de maio.

 

Livros

 

Indicamos as obras de Thomas Merton:

– A Montanha dos Sete Patamares
– Sementes de Contemplação

Vão gostar!

 

 

 

 

O Amor dos frades à Nossa Senhora

Frei Severino Fernandes de Sousa, OFM
 

 O amor dos Frades por Nossa Senhora começou a mais de oitocentos anos atrás, com o nosso Pai Seráfico São Francisco de Assis, que recebeu dos Monges Beneditinos a pequeníssima Capela da Porciúncula, localizada fora da cidade de Assis, na Itália; que ficava na Comunidade ( fração comunal ) de Santa Maria degli Angeli, por isto mesmo muito conhecida como Santa Maria dos Anjos; atualmente contida dentro de uma Basílica muito maior, também conhecida hoje em dia como a Basílica de Santa Maria dos Anjos.

Para os franciscanos é o lugar mais sagrado da Ordem Franciscana, sendo venerada pela OFM (Ordem dos Frades Menores), OFMcap (Ordem dos Frades Menores Capuchinos); OFMconv (Ordem dos Frades Menores Conventuais); OFS (Ordem Franciscana Secular); TOR (Terceira Ordem Regular); PFF (Pequena Família Franciscana); dos quais somos responsáveis para transmitir este amor à Nossa Senhora e ao lugar sagrado da Porciúncula também aos membros da JUFRA e da MINI-JUFRA;

A Porciúncula foi a terceira igreja restaurada por São Francisco, depois de ter tido um sonho no qual ouviu o chamado de Deus para “reconstruir a sua igreja”.

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Vendo o bem-aventurado São Francisco que o Senhor queria aumentar o número de seus Frades, disse-lhes um dia: “Caríssimos irmãos e meus filhinhos, vejo que o Senhor quer fazer crescer a nossa família. Parece-me que seria prudente e próprio de Religiosos irmos pedir ao Senhor Bispo ou aos Cônegos de São Rufino ou ao Abade do Mosteiro de São Bento uma Igreja pequena e pobre onde os Frades posam recitar as horas canônicas e, ao lado uma casa pequena e pobre, de barro e de vimes, onde os Frades possam descansar e fazer o que lhes for necessário. O lugar que agora habitamos nesta região Rivotorto já não é conveniente e a casa é exígua demais para nos abrigar, visto que aprouve ao senhor multiplicar-nos. Sobretudo, não temos Igreja onde os Irmãos possam recitar o ofício divino, e, se algum morrer, não é decoroso enterrá-lo aqui nem numa Igreja de clérigos seculares”.

Agradaram aos Frades estas palavras de São Francisco de Assis. São Francisco de Assis foi então apresentar ao Bispo de Assis o seu pedido, que lhe respondeu assim: “Irmão, não tenho Igreja para vos dar”. Dirigiu-se então em seguida aos Cônegos de São Rufino. Estes deram a mesma resposta. Foi dali ao Mosteiro de São Bento do monte Subásio. Falou ao Abade como fizera com o Bispo e aos Cônegos de São Rufino relatando-lhes a resposta que deles obtivera. O Abade, compadecido, depois de consultar com os seus Monges reunidos em Capítulo, resolveu com eles, como foi da Vontade de Deus, entregar ao bem aventurado São Francisco de Assis e seus Frades a Igreja de Santa Maria da Porciúncula, a mais pobre que eles possuíam no vale de Espoleto.

Era na verdade a mais pobre em todo o território da cidade de Assis. Para o bem-aventurado São Francisco de Assis era tudo quanto de há muito tempo desejava. O Abade propôs depois ao bem-aventurado São Francisco de Assis, dizendo: “Irmão, satisfizemos o teu pedido, mas nós queríamos que, se o Senhor vier a aumentar a vossa Ordem, este lugar seja tido por cabeça de toda a Ordem Franciscana”. Ao bem-aventurado São Francisco de Assis e demais Irmãos Frades agradou este discurso do Abade.

O bem-aventurado São Francisco de Assis não cabia em si de alegria, com o benefício porque a Igreja era dedicada a Mãe de Cristo; porque era muito pobre; e também pelo seu nome porque era conhecida. Era com efeito chamada de Porciúncula, presságio seguro de que viria a ser a cabeça e mãe dos pobres Frades Menores. O nome de Porciúncula tinha sido dado a esta Igreja por ter sido construída numa porção acanhada de terreno que de há muito tempo assim era chamada.

Dizia o bem aventurado São Francisco de Assis: “O Senhor não quis que aos Frades fosse dada qualquer outra Igreja, nem que os primeiros Frades construíssem ou possuíssem outra, porque esta é como uma Profecia cumprida aos Frades Menores.”. Desde que os Frades Menores aí se estabeleceram, o Senhor os multiplicava de dia para dia e a sua fama corria pelo no vale de Espoleto.

Antigamente, antes de se chamar Santa Maria da Porciúncula, era conhecida por Santa Maria dos Anjos. Mesmo depois de ter sido restaurada pelos Frades, os homens e as mulheres da região diziam: “Vamos à Santa Maria dos Anjos”. O Abade cedeu esta Igreja ao bem-aventurado São Francisco de Assis e seus Frades se condição alguma; nem paga, nem imposto de qualquer espécie. Todavia o bem-aventurado São Francisco de Assis, como bom e avisado mestre, que quer construir a sua casa sobre rocha firme, ou seja sua Ordem na austera pobreza, mandava todos os anos ao Abade, por sua iniciativa, um cestinho de peixes de nome alcaboz. Fazia isso em sinal de altíssima pobreza e humildade, para que os Frades não tivessem como próprio qualquer lugar, nem o habitassem senão como sendo propriedade de outrem, de tal maneira que não fosse possível vendê-la ou aliená-lo.

No ano passado, de 2015, em nome de todos os Frades da Ordem Franciscana, os Frades da Província da Imaculada Conceição, em São Paulo, Brasil, doaram um grande e bonito peixe alcaboz aos Monges Beneditinos da mesma cidade; como forma de comunhão eclesial, e preservação da tradição do bem-aventurado São Francisco de Assis.

Nós que vivemos com o bem-aventurado São Francisco de Assis, damos testemunho de que ele afirmava, com insistência que em Santa Maria dos Anjos lhe tinha sido revelado: ‘Entre todas as Igrejas do mundo que a Santíssima Virgem ama, esta é que ela prefere.”. Durante toda a vida o bem-aventurado São Francisco de Assis testemunhou para com a Igreja de Santa Maria dos Anjos uma grande devoção e grande respeito; e, para que ficasse como memorial gravado para sempre no coração dos seus Frades, quis, ao aproximar-se a morte, escrever no testamento, que os Frades deviam agir como ele. Com efeito, pouco antes de sua morte disse perante o Ministro Geral e outros Frades: “Recomendo-vos o lugar da Igreja de Santa Mara dos Anjos, a nossa Porciúncula, e deixo-vos como testamento que este lugar seja tratado por meus Frades sempre com grande reverência e devoção.”. [1]

Como se vê na imagem, logo abaixo, os três Frades, representando as três Ordens da Primeira Ordem, em uma veneração à Nossa Senhora, justamente no refeitório, local de alimentar o corpo e o espírito com a devoção à Mãe Santíssima.

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Atualmente, a Porciúncula, em Assis, na Itália, é um Centro de Peregrinação para muita gente:

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Peregrinação de Bispos na Porciúncula.

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De pessoas simples de todos os países.

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De Franciscanos e Clarissas.

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De padres e Religiosos.

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Até o Papa foi à Porciúncula.

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Franciscanos e Franciscanas de todos os países.

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Homens e mulheres dos cinco continentes.

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Louvado seja Jesus Cristo.

Testemunhar a fé é reconstruir a Igreja de Cristo

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Um assunto importante para mim se chama Igreja. São Francisco foi desafiado para reconstruí-la. Ele não entendeu imediatamente de que igreja se tratava. Meteu mãos à obra na reconstrução de uma capela. Só mais tarde ele viu que importante mesmo era a reconstrução da Igreja de pedras vivas.

Pedro, como chefe da Igreja, já chama atenção para este assunto (1 Pedro 2, 5-6). Uma igreja de pedras, depois de algum tempo de esforço, fica pronta. A Igreja de pedras vivas ficará pronta só quando Jesus vier a segunda vez. Aí sim. Ela será a esposa de Cristo sem ruga e sem mancha, fiel a seu esposo Jesus Cristo. Será ela a Esposa do Cordeiro (Apocalipse 21,9).

Mas enquanto isso, estamos numa realidade às vezes muito triste. Em vez de exemplo para a humanidade, a Igreja decepciona pela sua falta de testemunho. Isso já aconteceu várias vezes com o povo de Deus no Antigo Testamento. Lembro isso para que os cristãos se lembrem de sua responsabilidade de serem o contrário, atraindo para Cristo todo a humanidade à exemplo dos primeiros cristãos em Jerusalém.  Eram um só coração e uma só alma (Atos 4,32-35). Quantas vezes São Francisco ensina que a pregação mais importante é o testemunho, o bom exemplo? Todos os cristãos somos construtores, pedreiros desta Igreja cuja pedra angular é Jesus Cristo (Atos 4,11).

Assim como os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça de Deus, o Concílio Vaticano II lembrou que a Igreja é o grande sacramento para toda a humanidade. A gente lê isso nos números 1, 26, 129, 330, 342, 527, 561, 862 e 872 dos documentos do Vaticano II. Assim, dá para se notar a responsabilidade de cada cristão pela conversão de toda a humanidade a partir da convivência.

Então? A mudança do mundo está em minhas mãos, em suas mãos. Queixar-se? Não resolve. Testemunhar a fé a exemplo de muitos santos antigos e atuais, aí sim. Para isso é necessário crer em Deus. Quem muda o mundo é Deus, mas Deus precisa de instrumentos para esta mudança. Eu quero ser instrumento de um mundo novo, por isso me coloco nas mãos de Deus.

Frei José Antônio de Góis, OFM

CNBB divulga subsídios para o Mês da Bíblia 2016

Temática deste ano traz reflexões inspiradas no livro do profeta Miqueias

Com o tema “Para que n´Ele nossos povos tenham vida” e o lema “Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus”, o Mês da Bíblia 2016 traz como proposta de estudo o livro do profeta Miqueias.

Buscando auxiliar às comunidades, paróquias e dioceses, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB apresenta dois subsídios para esta celebração.

O Texto-Base aborda, de forma explicativa, o tema e lema. Está organizado em seis capítulos. Já o roteiro de “Encontro Bíblicos” oferece cinco celebrações para a vivência em grupo, além de sugestões de cantos litúrgicos.

Vivência da Palavra

Criado na década de 1970, com a finalidade de instruir os fiéis sobre a Palavra de Deus, o Mês da Bíblia é celebrado, no Brasil, em setembro. Para o arcebispo de Curitiba (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, dom José Antônio Peruzzo, o Mês da Bíblia na Igreja no Brasil tornou-se espaço de vivência e experiência de fé nas paróquias.

“Graças ao bom Deus, a cada ano vemos crescer nas comunidades de fé o gosto e o sadio anseio por conhecer a Palavra de Deus. Não é apenas curiosidade; não apenas desejo de melhor saber e mais conhecer temas sobre religião. Muito mais, há no coração de nossa gente um secreto desejo de sentido e de esperança. Há uma busca sincera e singela de experiências de fé. Nosso povo quer sentir a proximidade de Deus”, diz.

Dom Peruzzo recorda, ainda, a importância da vivência da Palavra de Deus na vida em comunidade e na família.

“Nosso país precisa de novas experiências de profetismo. O mesmo vale para a nossa Igreja e para as nossas comunidades. Enquanto houver profetas, aqueles que pronunciam a Palavra ouvida de seu Senhor, Deus ainda não terá sido silenciado em meio aos seus. Valorizar a palavra profética, ouvindo-a com humildade e respondendo com fidelidade, é como desejar que a voz de Deus seja sempre a primeira a ressoar e a última a ecoar”, pontua dom Peruzzo.

Os subsídios estão disponíveis no site: www.edicoescnbb.com.br 

Arquidiocese de Curitiba promove Vigília pela Paz

Evento foi presidido por dom José Antônio Peruzzo

Com proposta de refletir sobre a intolerância na política, entre religiões e contra refugiados e migrantes, a arquidiocese de Curitiba (PR) organizou a Vigília pela Paz. O evento reuniu, no dia 27, lideranças de diferentes religiões, além de representantes da política e das pastorais sociais para momento de oração e meditação na Catedral Metropolitana.

A cerimônia foi presidida pelo arcebispo de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, com presença de oito expressões religiosas: Fé Bahá’í, Igreja Ortodoxa Ucraniana, Igreja Católica Ucraniana, Igreja Episcopal Anglicana, Umbanda, Igreja Batista (Bom Retiro), Comunidade Judaica e Sociedade Muçulmana do Paraná.

Cada líder religioso apresentou prece pela  paz, a partir da reflexão sobre situações de intolerância e de violências.

“As polarizações e as críticas estão predispondo crianças, adolescentes jovens, que crescem com essa intolerância. Mas todos os que amam na paz de Deus sabem que a paz começa na atitude de quem ouve e de que se respeita”, disse dom Peruzzo.

O diretor religioso da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Gamal Oumairi, destacou que a intolerância nasce do preconceito e do desconhecimento do outro.

“Não necessariamente temos que aceitar a religião do outro, mas temos que conhecer e entender a religião do outro. A intolerância vem do preconceito, de uma ideia preconcebida de algo que se desconhece. Quando essa barreira é quebrada, passa-se a respeitar e até admirar. O problema é o desconhecimento”, disse Oumairi.

De acordo com informações da arquidiocese de Curitiba, a proposta é realizar o evento a cada dois anos, para celebrar a paz e a união.

“Não queremos iniciar uma grande bandeira ou movimento político. A paz nunca começa de fora. Começa de dentro, então que comece dentro de nós. Quanto mais se acentuarem as tensões, que mais nos encontremos para dialogar e orar pela paz”, concluiu dom Peruzzo.

CNBB com informações e foto da arquidiocese de Curitiba.

Trovador, poeta, seresteiro e cantor

Francisco de Assis exerce há oito séculos um fascínio estranho e incrível ao mesmo tempo. Ele e sua espiritualidade são um caso de amor. Ele trouxe para a humanidade uma inspiração, um frescor espiritual, originalidade e energia criativa. Ele nasceu no século XIII, século do Amor Cortês, dos trovadores, dos bardos e menestréis, das Canções de Gesta, das Cantigas de Amigo. Nasceu num tempo onde valores eram cantados: alegria, cortesia, gentileza, o amor da Dama escondida num castelo. Para o medieval cantar era uma filosofia de vida. O trovador era aquele que inventava, criava, compunha, improvisava. Fazia da canção a sua profissão. O menestrel ou o giulare era um artista intérprete, um performático.

Dedicava-se aos temas de Amor e das estações do ano que influenciam o estado de alma. Cantavam a politica e a ética, louvavam vencedores ou choravam a morte em plangentes canções.

Francisco de Assis, como um seresteiro de seu tempo, nos ensinou a usar todos os elementos da vida para um novo respiro. E como um trovador glorificou detalhes da existência com o jeito dos jograis que não deixavam de ir para a Corte do Rei e ao palco das ruas para cantar a honra e a glória, a fidelidade incondicional, o respeito, a audácia heroica, a defesa dos fracos, o louvor a Dama feudal com sua beleza, fascínio, bondade e o encantamento da sua perfeição física e espiritual. Render homenagens e fazer soar louvores. Comunicar-se para dar qualidade a Amor. Diz a Legenda dos Três Companheiros: “Caminhando para a Marca, exultavam profundamente no Senhor, mas o santo homem, cantando em francês em voz alta e sonora os louvores do Senhor, bendizia e glorificava a bondade do Altíssimo” (LTC 33).

Para os trovadores do tempo de Francisco, o Amor é uma força nobre que transforma o bom, o mau, o melhor, é uma fonte de virtudes. As canções de Amor colocam o humano no caminho de amar o bem. Difícil cantar hoje em terra verde e amarela, mas como Thiago de Mello, posso dizer: “Faz escuro, mas eu canto!”

FREI VITÓRIO MAZZUCO

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